Arraiá da paz em Brasília

A época de comidas típicas, do xenhenhém da sanfona, daquele friozinho e forró apaixonante chegou e já nos faz sair de casa para procurar uma boa festa junina. E para alegrar os brasilienses a Comunidade Católica Shalom preparou o Arraiá da Paz, na 906 norte, nos dias 16 e 17 de junho. Os pontos de vendas dos ingressos serão no Centro de evangelização Shalom da 507 Sul e em Taguatinga norte. O arraiá da paz vai contar com a animação das bandas locais: Trio pé de serra de saculejo, moinho d’água, quadrilha fogoió, aparecida, rasga saia e quadrilha de Jesus, entre outras atrações. Além das atrações musicais, teremos o brechó com muitas novidades para toda a família e os pais podem levar os pequenos para a festança, lá terá um cantinho especial para eles. O ingresso custa dez reais (individual) e o passaporte para os dois dias custa quinze reais. Venha dançar o arrasta pé com a gente no melhor arraiá de Brasília. Corra! Garanta seu ingresso!   Mais informações: Arraiá da paz Data:16 e 17 de junho Sábado (19h) Domingo (15h, com o jogo do Brasil) Eureka (906 Norte) Valor: R$ 10 (um dia) R$ 15 (passaporte) Pontos de vendas:

Paulo, o apóstolo que encarnou a vida de Cristo

Quem nunca se deparou com uma dessas frases impactantes?  “Onde abundou o pecado superabundou a graça” (Rm 5:20-21) ou ainda “Viver para mim é Cristo morrer é lucro” (Fp 1:21), essas citações bíblicas foram proferidas pelo apóstolo Paulo e que perpassam no tempo. O filme “Paulo, apóstolo de Cristo” que estreou há algumas semanas nos cinemas introduz o telespectador a se lançar em uma encantadora e forte narrativa, onde Deus levanta um homem capaz de sofrer em seu nome. Dirigido por Andrew Hyatt, o longa-metragem se passa na cidade de Roma ainda governada pelo imperador Nero, um grande perseguidor da fé Cristã. A trama se passa em um tempo que a fé era violentamente testada, onde cada cristão sofria intensamente a perseguição. O filme traz cenas fortes de morte ao povo de Cristo, mas mostra também a grande esperança de um povo que apesar das dificuldades, tinha a certeza que a eternidade era certa. Isso graças às exortações de Paulo, que falava com grande autoridade e superava as barreiras do medo e desespero das comunidades cristãs. Por sua vez, o apóstolo São Lucas chega naquela cidade totalmente incendiada a mando do imperador e fica perplexo diante de tantas crueldades que presencia. Ele tinha um ardente desejo de reencontrar Paulo, que já se encontrava preso nas cadeias de Roma. Ao encontrá-lo começa a cuidar de suas enfermidades na prisão e a escrever a sua impactante história. Inicia nesse momento o ponto alto da trama. Lucas sugere a Paulo que conte os ensinamentos que aprendeu durante a vida missionária. Paulo fica resistente em relatar a sua história, com receio do povo o colocar no lugar de Cristo, mas aceita o convite incessante de Lucas. Sendo assim, começa a ser registrado por Lucas os primeiros relatos da vida daquele que deixou Cristo viver em sua carne. No desenrolar das cenas acontecem entre os dois apóstolos de Jesus incríveis relatos de fé e sabedoria que dará às comunidades consolo e esperança. A desafiante e bela biografia de um homem que mudaria o mundo era escrita por Lucas. Portanto, é difícil falar do filme sem soltar alguns spoilers. Mas fico no ponto mais tocante do filme: Paulo se dedicou sem reservas a levar à luz para as nações ao passar por cima de sua reputação, perseguições e ser preso por amor a Cristo. A partir disso, convido você a assistir a trajetória de um grande homem que não chegou a conviver com Divino Mestre, mas pregava as verdades do evangelho como se fosse o próprio Cristo.     Por Jéssica Costa

São Paulo recebeu os jovens para o CJS

A cidade São Paulo está recebendo mais de três mil jovens que participam do Congresso de Jovens Shalom (CJS) de 1 a 3 de junho, na grande metrópole. O primeiro dia começou com a missa presidida pelo arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer, na Catedral da Sé. No segundo dia os jovens se reuniram na Expobarrafunda. A primeira pregação foi com a cofundadora da comunidade, Emmir Nogueira, com o tema “Espírito Santo: força para todo dia”. Para ela o Espírito Santo age em nós dando um coração inflamado de amor por Deus. A segunda pregação foi feita pelo assessor do Projeto Juventude, Vitor Aragão, com o tema “deixando tudo, o seguiram”. Segundo ele ser santo é o encontro do nosso olhar com o olhar de Jesus. Além disso, tiveram também a Companhia de Artes Shalom com a apresentação do espetáculo teatral “Para onde correm os rios”. A noite terminou com muita música, embalada pelos shows do Soul Shalom e do Missionário Shalom

Tríduo de amor

“Podemos nos referir como um tríduo de amor, um tempo de graça, que precisa da simplicidade e da abertura do nosso coração pra que seja vivido bem”, explicou o padre Célio Lourenço, durante o tríduo de Pentecostes, que aconteceu de 16 a 18 de maio. É um tempo de fazermos lembrança do nosso semináriode vida no Espírito Santo, entrada no grupo de oração e todo o propósito pelo qual fomos seduzidos por Deus para ofertar a nossa vida velha e adentrar em uma vida de conversão, abandono dos vícios e recomeçar. Deus deseja nos lançar mais longe ainda e realizar obras inesperadas em nossas vidas, já que o Espírito Santo traz sempre novidades, ou seja, nós como filhos somos chamados a ter um coração puro e inocente que se inclina à Deus pra receber tudo Dele, não nos deixando participar mecanicamente e sim deixando que o Espírito nos guie, sem nos acharmos maduros o suficiente porque sempre temos algo a aprender. E quando tudo tiver resposta não vai ter espaço para o mistério. “Deus promete para a comunidade um novo Pentecostes de amor, de derramar o Espírito Santo em cada membro da comunidade e como resposta não podemos esquecer de nossas raízes, que somos feitos da renovação carismática e  que somos o povo de Deus que continua a caminhada”, afirmou padre Célio. E para reforçar isso, o Papa Francisco pedia em seu discurso à Renovação Carismática Católica para que os jovens não perdessem essa força. Ele diz: “Vocês, receberam um grande presente do Senhor. Vocês nasceram de um desejo do Espírito Santo como uma corrente de graça na Igreja e para a igreja.” A comunidade também pede para que não percamos o fervor, porque quando é espontâneo não é pesado, porque é fruto do amor. Foi vontade de Deus e do Espírito Santo que vivêssemos a experiência que vivemos, no qual fomos batizados e renovados. Essa experiência acendeu em nós o desejo de ter uma vida sacramental, ir à missa, evangelizar, estar em comunidade e isso tudo é fruto do amor de Deus e nós não podemos perder essas atitudes simples que falam tanto dEle. “Vamos aproveitar momentos oportunos para exercitar a vontade de Deus e deixar que quem conduza tudo é o Espírito Santo porque se formos por nós mesmos não conseguimos, nos apavoramos e nos momentos atribulados o espírito está perto”, disse padre Célio. Dessa forma, o primeiro dom do Espírito Santo é o dom de si e faz com que nos apaixonemos por Jesus, como um imenso amor que se derrama sobre nós. E é importante que nos lembremos: ninguém pode controlar a graça do Espírito Santo, nem na nossa vida nem nas outras. De acordo com o padre Célio, devemos pedir essas graças a Deus de crescer e renovar nossa experiência, ouvindo o chamado de seguir Jesus e abrindo nossos corações para o que Ele quer nos dizer diariamente. É uma tarefa difícil porque a nossa vontade humana quer sempre se sobrepor sobre a vontade de Deus, então é preciso que nos façamos pequenos, deixando-nos conduzir, porque sem o Espírito nenhum de nós é capaz de deixar Jesus tocar nossas férias e nos curar. É parte da nossa renovação também, ter um coração Mariano, porque naquele dia de Pentecostes os discípulos estavam reunidos com Maria, então sempre que rezamos com Nossa Senhora também rezamos com o Espírito Santo. Devemos pedir a graça de Deus pela devoção por Nossa Senhora e no colo dela encontraremos consolo e curas. Somos templo do Espírito Santo e Deus renova uma nova efusão nesse tempo para sermos guiados em nossa vida diária. Por Bruna Fernandes

Maria: o mais belo modelo de mãe

Nossa Senhora de Fátima e o dia das mães – duas celebrações que se unem para comemorar a mãe de toda humanidade Ao chegar o esperado dia das mães nos lembramos imediatamente das mulheres que se doam por amor aos filhos e o coração se alegra por elas serem um sinal do amor de Deus em nosso meio. Recordamos também nessa data tão especial a maternidade de Maria, o mais belo modelo de mãe a ser seguido. Aquela jovenzinha que morava em Nazaré carregava em si uma graça tão extraordinária que mudaria os seus planos e o rumo da humanidade. “Porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo!” (Lc, 1,49). Ao pronunciar o singelo sim ao anjo não sabia o que estava por vir, mas assumiria todas as consequências de uma maternidade desafiadora. O verbo se encarnou e mudaria a vida d’Ela para sempre. Ao falar da maternidade de Maria e das grandes dificuldades que passou na vida terrena, também no nosso cotidiano várias mães passam por muitas aflições. Mas, como a Virgem Santíssima elas acreditam e experimentam o doce desígnio de Deus. Para Janaína Sales, discípula da comunidade de aliança, esse mês das mães está radiante, pois é a primeira vez que experimenta a graça de ser mãe. Além de providencialmente fazer um ano de casada nesse mesmo dia de Nossa Senhora de Fátima. “A maternidade vem com muita força para a mulher, acolhi a força de Maria e muitas vezes chorei ao pensar em tudo que ela passou com Jesus, por Jesus, por amor a mim. Se eu conseguir ser um pouco de Maria para a minha filha, já terei o céu aqui na  terra”, disse. Segundo a discípula de aliança, aconteceu um problema de saúde durante a gravidez, mas pela intercessão da Santíssima Virgem alcançou uma grande graça. “Pedi a Ela que retirasse um mioma de 7cm que poderia atrapalhar o nascimento da Sophia e que o parto ocorresse da melhor forma, normal ou cesárea, me rendi a Ela”, afirmou. O processo da gravidez de Janaína ficava cada vez mais difícil, mas ela não se deixava abalar pelos medos. “A nossa filha foi se formando, os médicos observavam que o mioma só crescia e não causava nenhum mal a nós duas. E ao oitavo mês de gestação, no mês mariano, Maria nos visitou no dia dois de maio e recebi notícia de que não teria mioma algum. Não tínhamos outra reação a não ser nos recordar das promessas de Deus para nós”, explicou. Iraneide Viana é vocacionada, participa da comunidade há dois anos e é mãe de um casal, a Chiara de 9 anos e o Heitor de 7 anos. Para ela, ser mãe (biológica, adotiva ou espiritual) é ter a graça de ser como Deus em pequenas medidas. “É saber que Deus confia em você almas que deverão ser levadas ao céu, é amar, é sofrer, renunciar a si mesmo. A maternidade é algo que me tira do meu egocentrismo e me faz melhor um pouco a cada dia, bendito seja Deus pela vida dos filhos que em sua misericórdia Ele me confiou e que me fazem rezar e desejar o céu”, afirmou. De acordo com ela, “Maria é aquela que viveu a oferta da maternidade, o ser mãe na sua forma mais plena, mais intensa, é aquela que nos ensina a importância de calar e oferecer ao Pai nossas alegrias e dores. É aquela que viveu com Jesus seus momentos mais íntimos e tudo lhe ensinou. É aquela que entregou seu único filho, seu bem mais precioso por um amor e um propósito ainda maiores: a salvação da humanidade”. Já para Patrícia Gomes, consagrada de aliança, experimenta o cuidado e a presença da Virgem Maria ao relembrar que se casou no Santuário de Nossa Senhora de Fátima por intermédio dela. Mãe dez filhos, sendo que um deles, o pequeno Davi, está no céu. A consagrada vive a radicalidade do amor que Deus chama a viver diariamente através da maternidade. “É um grande aprendizado porque percebo que a cada filho que chega, saio da minha zona de conforto, dos meus pensamentos tão medíocres e sou lançada na alegre experiência de deixar Deus livremente agir. Sou capaz de tocar no impossível para os homens que Deus torna possível”, explicou. Ao viver neste mundo e ir contra tudo que ele impõe é um grande desafio para a maternidade de Patrícia. “Entendo que realmente não preciso me ocupar com o que as pessoas falam no que diz respeito a estar aberta à vida porque só Deus sabe literalmente de todas as coisas”, disse. Para essa sábia mãe de dez filhos, a Virgem de Fátima tem forte cuidado na vida de todos os filhos em particular em uma das filhas, chamada Gabrielle, de dezoito anos. “Eu e meu esposo e os padrinhos da Gabrielle, fizemos a consagração a Virgem Santíssima segundo São Luiz Maria Grignion Montfort, no dia do batizado da Gabi, que foi no dia treze de maio. E essa filha tem uma característica que é própria da maternidade de Nossa Senhora, ela tem um forte desejo de santidade. E vive isso no escondido, onde só eu como mãe percebo”, afirmou. Em relação as inúmeras gestações partilhou que sempre percebeu o amparo de Maria até mesmo prestes a dar à luz a caçula das filhas. “Estava numa época em missão fora de Brasília e supliquei que cuidasse de mim e me encaminhasse um bom profissional”, afirmou. Para a surpresa da missionária, a Mãe de Deus respondeu à oração, ao manifestar sua presença maternal por meio de uma visualização no corredor do hospital. Além de ter sido acompanhada por um obstetra que a cercou de cuidados. Ao perceber os diversos desafios que essas mulheres passaram em suas maternidades fica evidente o cuidado e carinho que a Virgem Santíssima tem com as mães. A jovem Maria e o simples José assumiram o sim que deram a Deus Pai, para que se realizassem os insondáveis

A experiência de ser um homem segundo o coração de Deus

Nos dias 4, 5 e 6 de maio acontecerá na Casa de Retiro Irmão Sol, em Sobradinho, o curso “O homem segundo o coração de Deus”. O retiro convida homens de todas as idades para conhecer, viver e se aprofundar em uma nova experiência com o amor de Deus. “O homem, que possui um papel histórico como protetor da família, tem a oportunidade de encontrar respostas no carisma para questionamentos do mundo contemporâneo sobre o ser homem e sua missão na família, na Igreja e na sociedade”, diz Carmadélio Sousa, membro consagrado da Comunidade de Aliança, que será pregador no retiro. O homem como criação de Deus muitas vezes transmite uma imagem de força e proteção, nesse momento pode se encontrar como filho amado, que também tem suas fraquezas e necessidades. Além disso, é uma experiência de autoconhecimento e intimidade com o Pai, ao permitir que eles conheçam algumas realidades que precisam ser alcançadas em um homem de caminhada. É um momento de resgate à verdadeira essência de filhos assistidos, a quem Deus confiou grandes conquistas, dando a oportunidade de se sentirem eleitos, confirmando o chamado do coração e a vocação de caminhar sempre ao lado d’Aquele que nunca os abandona. O retiro aborda a masculinidade à luz de algumas dimensões: a teologal, a Bíblica, a histórico/cultural e a dimensão do ser homem e sua missão na família, Igreja e sociedade. De forma transversal, abordamos à luz desses pilares questões bem concretas sobre o homem: identidade masculina, sexualidade, vida familiar e em sociedade, vida profissional e de serviço na Igreja, relacionamento de complementação com a mulher e desafios bem masculinos como a vivência da castidade, a virilidade e a maturidade, que delimita a fronteira do mundo dos “meninos” para o mundo dos homens. Origem do retiro “Há mais de 10 anos é realizado em Fortaleza, promovido pelo Projeto Família, um retiro para casais pregado por Emmir, e por mim, chamado ‘Uma só carne’ que tem como característica a abordagem do matrimônio à luz da complementação homem mulher”, afirma Carmadélio. Durante o retiro – sempre em um fim de semana- os casais são “separados” fisicamente e se reúnem em ambientes diferentes na mesma casa de retiro e são formados sobre questões de interesse do casal, partindo sempre das realidades específicas e das diferenças complementares naturalmente presentes na relação homem mulher. No final do retiro o casal volta a se unir e terminam juntos diante do Senhor eucarístico em adoração, reafirmando diante um do outro e diante de Deus o pacto matrimonial assumido. “O retiro dos homens é um transbordamento dessa experiência, porém indo além dos homens casados, envolvendo homens solteiros, celibatários e sacerdotes. É uma ampliação dessa inspiração e de seu conteúdo. Além disso, está sendo escrito um livro que tem como base esse retiro”, finaliza o pregador. Inscrição no retiro  Importante ressaltar em um primeiro momento que o retiro é somente para homens de caminhada na Igreja, seu conteúdo não é indicado para homens não evangelizados. Trata-se de um retiro de formação humana, que tem como base a doutrina e a moral da Igreja, não sendo indicado para iniciantes. O ponto de partida do retiro não é só a masculinidade, mas principalmente, a fé comum em Jesus Cristo, modelo de homem, em sua Igreja.   Garanta logo sua vaga! ? Data: 4, 5 e 6 de maio ? Local: Casa de Retiro Irmão Sol ? Investimento: R$180,00 ? Mais informações: (61) 992500250 / (61) 98028118 ? Inscrições: bit.ly/2tQGiPx     Por Bruna Fernandes

O Domingo da Misericórdia e a vocação de um missionário

Consagrado de vida da Comunidade Shalom, Juan não tinha contado a própria história ao Papa na Convenção Shalom, em Roma. Mas parecia que Francisco a conhecia: o filho pródigo havia voltado para casa no Domingo da Misericórdia  “Juan, encontrastes o sentido da tua vida na oração, na vida fraterna em comunidade e na evangelização. Ou seja, rezando, compartindo e evangelizando destes conta que tua vida tinha um sentido”, disse o Papa Francisco àquele chileno de 27 anos, da família Léniz Ulloa. Em Roma, naquele 4 de setembro de 2017, Juan depositava novamente a oferta de uma vida consagrada aos pés de Pedro, junto com a Comunidade Shalom. Oração, fraternidade e evangelização são as palavras que formam o tripé do carisma Shalom. Para Juan, essas mesmas palavras proferidas pelo Sumo Pontífice iluminaram novamente o coração do jovem missionário com os raios de misericórdia. O encontro com Francisco era mais um dos grandes presentes dessa misericórdia na vida de Juan. Era um fazer memória de uma vida arrancada de uma realidade que o levaria, mais cedo ou mais tarde, à morte. Infância em Santiago José Miguel e Carmen Glória, mãe e pai de Juan, descobriram que o filho mais novo tinha uma rara doença no estômago que o fazia colocar para fora tudo o que ingeria. Com apenas dois meses de idade, ele estava desnutrido e perto de perder a vida. O pequeno foi batizado e submetido a uma delicada cirurgia. E como uma das primeiras misericórdias de Deus provenientes da fé dos pais, ficou curado. Na paróquia do Sagrado Coração de Jesus (bairro Brasil, centro de Santiago), já com oito anos de idade, Juan começou a acolitar na Missa. “Me sentia em casa, acolhido, não era um lugar estranho, distante”, lembra. Nessa idade também formou o gosto musical. Juan ouvia do hippie chileno ao clássico, herdando as referências dos pais, que viveram a ditadura chilena (1973 a 1990). Na paixão pela música, Juan descobriu o metal que o fez encontrar um talento e um sentido para a vida. Percebendo a habilidade musical do filho, José e Carmen o presentearam com primeira guitarra aos 13 anos de idade. Juan chegou a ter aulas particulares para aprender o instrumento, mas largou e resolveu aprender a tocar sozinho.  A aptidão do guitarrista logo se espalhou pela escola Pedro de Valdívia, e as primeiras bandas começaram a se formar. Daí veio a fama e os amigos. Foi um tempo de grande crescimento musical, sobretudo na autoria das letras, que já ecoavam um protesto contra todo tipo de autoridade.  A sonhada liberdade O crescimento musical veio com o ônus do distanciamento da religião e a aproximação da bebida: começou bebendo pouco, sempre nas festas. Depois, bebia quase toda semana. Não demorou muito para passar a beber todos os dias. Os pais não encontravam problemas ao ver o filho beber; por outro lado, não sabiam da intensidade que Juan colocava neste divertimento com os amigos. Juan dormia na rua completamente bêbado, com a roupa coberta de vômito, e, em muitas vezes acordava na casa de desconhecidos. A família despertou para o problema em 2008 quando o garoto, então com 15 anos, quase incendiou o apartamento onde morava. Bêbado, colocou fogo no casaco da escola com os amigos. “Foi muito triste vê-lo naquela situação, meu coração doía”, recorda Carmen. Já nessa época, Juan passava dias desaparecido: saía com amigos e não voltava. José Miguel e Carmen tentaram acompanhamento psicológico para o filho. Mas o tratamento não surtiu efeito por três longos anos, o que agravou ainda mais o diagnóstico de fígado gorduroso – estágio anterior à cirrose.  Nesse período, o rapaz começou a fumar maconha, deixou o cabelo ruivo crescer e optou pelo ateísmo. “A religião passou a ser um controle que me tirava a liberdade. Eu não acreditava mais em Deus”. Ainda em 2008, o jovem deu início a um projeto original que rendeu um grande sucesso já em 2009: Juan e a banda tinham fã clube e camiseta; tocavam em Santiago, em Viña Del Mar e em muitas outras cidades do Chile. A música dele chegou à Argentina, Peru, Colômbia. Em 2010 entrou na faculdade de pedagogia, mas saiu por conta de bebida. No ano seguinte, decidiu cursar letras inglês, mas o desempenho continuava comprometido pelo vício. Na Semana Santa de 2011, a última do velho Juan, saiu todos os dias para beber muito com os amigos. O lado aberto de Cristo Com a falta de progresso nas consultas e o avanço da cirrose, os Léniz começaram a perder a esperança. “Se ele não mudasse, se não acontecesse alguma coisa, meu irmão iria morrer”, recorda a irmã, Estrela Léniz, dois anos mais velha que Juan. Mas foi em meio ao tormento que Deus se manifestou em providência. A empresa em que José Miguel – arquiteto – trabalhava foi contratada em 2009 ano para reformar os locais que se tornariam o primeiro Centro de Evangelização e a Casa de Missão do Shalom em Santiago. “Achei o projeto interessante: tinha uma lanchonete, uma capela; rapazes e moças viviam juntos”. Morando a uma quadra do Centro, José se aproximou dos missionários que lá chegavam, fez amizades, começou a andar nas noites de louvor da Comunidade. Pouco a pouco foi se deixando ser seduzido por um amor esponsal.  Os missionários iam à casa de José e lá conheceram Juan, que os tratava com um certo desdém – durou pouco tempo. Nas vésperas do Domingo da Misericórdia de 2011, o Shalom realizou um encontro, no Santuário Alberto Hurtado, sobre a misericórdia com a comunidade Canção Nova, em Santiago. No mesmo momento em que José e Carmen pediam a Deus o milagre da cura do coração de Juan, o jovem começou a refletir, trancado no seu quarto escuro com paredes repletas de pôsteres satânicos, sobre o verdadeiro sentido da vida. “Não teve nada de místico ou extraordinário naquele momento, mas, olhando hoje, eu sei que o Espírito Santo fez uma efusão, mudou minha mentalidade. Minha família foi instrumento de salvação naquelas

RETIRO DE SEMANA SANTA

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