Quase todo mundo já ouviu falar em utopia, não é verdade? Quando alguém pensa em uma realidade futura que mostra um cenário repleto de felicidade e harmonia entre os indivíduos e que provavelmente é inalcançável, está falando exatamente de uma utopia. Trocando em miúdos, seria algo bom demais para ser verdade.
E uma distopia, alguém sabe o que é? Seria exatamente o oposto de uma utopia. Trata-se de uma perspectiva totalmente caótica, desenhada a partir da realidade presente. Em outras palavras, uma realidade futura ruim causada por alguma má administração humana.
Muitas obras a respeito de mundos futuros
Na literatura, encontramos muitas obras que utilizam este recurso para contar histórias a respeito de mundos futuros que não deram muito certo. As distopias mais conhecidas atualmente provavelmente são Jogos Vorazes, da escritora americana Suzanne Collins, que se popularizou por causa da adaptação para o cinema; e 1984, publicado no fim dos anos quarenta e escrito pelo britânico George Orwell (autor já indicado no Bendita Leitura: A Revolução dos Bichos).
Se dermos uma rápida olhada nas produções cinematográficas hollywoodianas, a lista de distopias parece não ter fim: Matrix, Exterminador do Futuro, Blade Runner, Divergente, A Rainha Vermelha e por aí vai… E como o assunto por aqui é sempre literatura, e hoje estamos falando de distopias, adivinha só o que vamos trazer como dica de leitura desta semana?
Admirável Mundo Novo
Acertou quem pensou no famoso Admirável Mundo Novo, escrito pelo compatriota de Orwell, o inglês Aldous Huxley. Podemos dizer que esta obra é, no mínimo, intrigante. Na primeira tentativa de leitura, não consegui passar da página 50, entretanto, dessa vez fui até o fim – e não me arrependi.
A história se passa em Londres, no ano de 2050, e conta a história de Bernard Marx, um jovem insatisfeito com a vida, por se sentir meio deslocado da classe social a qual foi projetado para pertencer. Isso mesmo, eu disse projetado, pois os nascimentos, naquela realidade, não se darão mais por meios naturais, mas através da clonagem e manipulação em laboratório, onde os fetos recebem, dentre outras drogas, quantidades de produtos químicos suficientes para aguçar sua inteligência ou gerar um retardo mental necessário para manter as classes inferiores felizes com a vida medíocre que levam.
Após o nascimento, as crianças continuam recebendo estímulos e tratamentos para que se adequem ao meio social ao qual devem pertencer. Não existem famílias, apaixonamentos ou a monogamia. Cada um pertence a todos. As religiões e os bons livros foram extintos. As figuras paternas e maternas não existem e, na verdade, pai e mãe são palavras que causam náuseas nos indivíduos. O sofrimento, a dor, as doenças e a velhice foram exterminados por meio de manipulações genéticas e uso de drogas alucinógenas como o Soma, que é tomado cada vez que alguém se sente pressionado por alguma situação.
A fragilidade emocional dos indivíduos
Em nome de um pretenso equilíbrio social, todos vivem em um estado de letargia. Cada um se considera extremamente livre, entretanto, a realidade é que nenhum deles possui uma vida real. A fragilidade emocional desses indivíduos é outro ponto destacado pelo autor.
Voltando para Bernard, este resolve viajar para uma espécie de reserva ambiental que é habitada por indivíduos denominados selvagens, mantidos nesta floresta como se fossem espécimes para estudo. Esta pequena civilização mantém uma certa fé sincretista, baseada em sua maior parte por valores cristãos como a caridade, a honestidade e a castidade. As doenças ainda existem, as famílias se formam de modo natural, as pessoas envelhecem e conhecem algumas produções literárias como as obras de Shakespeare.
Ali Bernard encontra uma mulher e seu filho, Linda e John, provenientes do Admirável Mundo Novo, que acabaram sendo aprisionados naquela reserva há anos, quando John era ainda um bebê. Bernard vê em sua descoberta uma possibilidade de alcançar a fama e mudar por completo a sua vida, entretanto, as coisas não sairiam tão bem como ele havia planejado. O motivo? Vai ter que ler para descobrir.
No mais, fica a reflexão sobre uma obra publicada em 1932 e que retrata, dada as devidas proporções, tantas situações similares ao que vemos no mundo de hoje. Em se tratando de uma distopia, bem que Huxley, infelizmente, acertou em algumas coisas. Por causa desta reflexão que é, no mínimo, impactante, Admirável Mundo Novo é uma obra que indico e que vale muito a pena ler.
Ficha de Leitura
Capa comum: 312 páginas
Editora: Biblioteca Azul; Edição: 1 (1 de janeiro de 2014)
Idioma: Português
Boa leitura!

