
“Não destrua o seu casamento por causa de alguém que não respeita você. Ontem ela estava com outro, hoje com você, amanhã com mais outro. Sua esposa e seus filhos merecem mais de você!”.
Depois, por causa da determinação com que a mulher agia, escrevi um título no bilhete: “É uma armadilha”.

À medida que o voo ia avançando, o homem ia perdendo o controle. Não demorou muito para eu ver a mão dele sobre a coxa dela. Ela disse: “Eu já sei o que nós temos que fazer hoje à noite: vamos sair para dançar!”. As minhas orações corriam agora em alta velocidade… Passamos então por uma providencial turbulência que deixou a todos em estado de alerta. Aproveitei para olhar diretamente para ele e fiz apenas um comentário sobre a turbulência: “Nossa!”. Poucos minutos depois desse primeiro contato, puxei uma conversa:- Reparei que a sua aliança é incomum. É prata ou platina?
– Platina. Mas faz algum tempo que não limpo…
– Ainda está linda! Você está indo para Bentonville a negócios? (Ele fez que sim com a cabeça). Você vai sempre?
– Vou, vou toda semana.
– Então você deve conhecer bem a cidade. Você sabe me dizer onde é isso?
Foi aí que passei para ele o bilhete que eu tinha escrito.
Eu achei que ele ia ler o título, virar a cara ou me dizer que não era da minha conta. Mas ele pegou o bilhete, leu tudo com atenção e, ao levantar a cabeça, me disse: “Obrigado”.
A mulher do 7A notou que ele tinha recuado. Se os olhares pudessem matar, eu estaria sepultada! Quando estávamos saindo do avião, ele me disse novamente: “Obrigado. Mesmo”. Respondi: “De nada! Boa sorte para você”. E seguimos cada um o seu caminho.
Esta situação que eu descrevi é fruto não só da luxúria e da carne, mas também do desejo de poder e de controle. As mulheres não ficam paradas num cantinho do ringue dos predadores. E os homens também são formidáveis nas suas caçadas. O sexo virou um esporte de rua. Se todo mundo faz, então deve estar tudo certo. E não bastou achar que tudo isso é “normal”: o sexo foi transformado em “competição”, para aumentar a diversão. Mas os custos dessa “diversão” estão sendo completamente desconsiderados.
Eu me vi rezando, durante aquele voo, para que o homem do 7B não sucumbisse à missão de destruição que a mulher do 7A estava executando. Para que ele percebesse que alguns minutos de prazer não valiam a dor da esposa, dos filhos e de todos aqueles que o amavam. Eles confiavam nele. Eles acreditavam que ele enxergava mais do que os próprios prazeres egoístas. Eles confiavam no amor sincero dele.
Isso levanta, para mim, duas questões:
Um amigo me contou, recentemente, que desafiou um jovem “católico” que estava morando com a namorada. Ele disse ao rapaz que estava surpreso ao ver que, apesar de toda a sua educação “católica”, ele não amava a namorada o suficiente para compartilhar com ela o alto grau de compromisso e entrega que a fé católica atribui ao relacionamento amoroso sério.
Segunda questão: “Por acaso eu sou guardião do meu irmão?”. Se eu realmente amo o meu irmão ou irmã, ou namorado ou namorada, a resposta é um sonoro “sim”.
E quanto a um estranho no avião? Eu quase agonizei pensando em fazer alguma coisa. E pensei que, no fim das contas, eu só arriscaria o meu ego ferido se o homem do 7B me respondesse: “Não é da sua conta”. Mas se eu pudesse poupar a dor da família dele, valeria a pena arriscar o meu ego.
Sim, eu me tornei guardiã do meu irmão. Quais eram as probabilidades de que aqueles dois passageiros fossem estar justamente ao meu lado? O rapaz que o meu amigo desafiou se irritou, mas, alguns dias depois, ligou para agradecer. Sejamos leigos ou consagrados, eu acredito que é através de cada um de nós que Deus age na vida de todos. Não seria bom deixarmos o ego de lado e agirmos sempre com amor?
Afinal, “o amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13,7)
Fonte: Aleteia