Shalom

Caminhar Juntos: o segundo apelo à conversão do Papa nesta Quaresma

A Quaresma está chegando ao fim, mas ainda é possível perseverar no caminho de peregrinação que nos é proposto comunitariamente

comshalom
Imagem: Acamps Festival 2022

Nesta quaresma, somos chamados a ser peregrinos da Esperança. Cheios de confiança, devemos caminhar na certeza de que Deus realizará grandes maravilhas no nosso interior. Partimos, talvez, com um coração ferido, cheio de fraquezas, vícios, preso a tantas coisas que nos roubam da nossa grande meta: o céu.

O caminho não é nada fácil, pois é via de cruz. Exige de nós muitas renúncias e ofertas. Nos deparamos com o cansaço, com o desânimo e a nossa bagagem parece pesar o dobro do peso de quando saímos. Precisamos então nos despojar de todo o supérfluo para continuar nesta jornada da esperança.

Lembremos que, diante da via crucis, Jesus não esteve sozinho. Maria, sua mãe, caminhava junto dele e, por meio do seu doce olhar, o confortava. Mesmo em silêncio, ela parecia dizer-lhe: eu não posso impedir a cruz, mas estarei aqui do seu lado até o fim. Ao longo do percurso, ainda, entra em cena Simão, o Cirineu. Arrastado para a história da salvação, divide o peso da cruz com o redentor.

> Inscreva-se no nosso canal e receba atualizações diretamente no seu WhatsApp

À luz disso, o Papa Francisco nesta quaresma nos convida a viajar juntos. Segundo ele, devemos:

“Caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários.”

Jamais sós, mas sempre com os nossos irmãos ao lado. Em meio à dor e aos sofrimentos da peregrinação, podemos encontrar força e refúgio uns nos outros. Uma palavra de consolo, um olhar, uma mão estendida fazem toda a diferença quando o novo dia parece não surgir.

Quando Jesus enviou os discípulos em missão, não os mandou sozinhos, mas de 2 em 2. Diante dos perigos eminentes, eles encontraram força e coragem um no outro para prosseguir. Puderam partilhar a vida, os dons e sonhar os sonhos de Deus. Com toda certeza, muito mais feliz foi trilhar essa peregrinação juntos.

O Papa, ainda, nos diz que:

“Caminhar juntos significa ser tecelões de unidade, partindo da nossa dignidade comum de filhos de Deus (cf. Gl 3, 26-28); significa caminhar lado a lado, sem pisar ou subjugar o outro, sem alimentar invejas ou hipocrisias, sem deixar que ninguém fique para trás ou se sinta excluído. Sigamos na mesma direção, rumo a uma única meta, ouvindo-nos uns aos outros com amor e paciência.”

LEIA TAMBÉM | Caminhar e converter-se a jornada desta quaresma

A nossa direção é a Santidade e, se quisermos verdadeiramente alcançar esta meta, necessitamos dos nossos irmãos. “Não dá para ser santo sozinho”, todavia, trilhar este caminho em comunidade não é nada fácil, não é mesmo? O outro nos desinstala, nos faz sair inúmeras vezes da nossa zona de conforto. Devemos, portanto, pedir a graça a Deus de ser família, de sempre estar com o coração aberto para os nossos irmãos e nunca fechado em si mesmo.

“A nossa felicidade está em fazer os outros felizes.”

Somos um só corpo! Cada membro tem um dom especial que nos une e nos faz caminhar. Como em um quebra cabeça, cada peça tem a sua singularidade que contribui para a arte final. É esta comunhão, que antes de qualquer coisa, arrasta aqueles que se encontram mais distantes para a grande jornada da esperança. Santa Teresa de Calcutá, aquela que com muito amor soube construir a unidade por onde passava, nos diz:

“Eu posso fazer coisas que você não pode, você pode fazer coisas que eu não posso; juntos podemos fazer grandes coisas.” ​

Nesta Quaresma, devemos parar e refletir se estamos realmente caminhando juntos em nossas vidas e famílias, nos locais onde trabalhamos, nas comunidades de que fazemos parte. Será que somos capazes de estender a mão para aqueles que não têm mais forças para prosseguir, de ouvir a dor dos nossos irmãos, de vencer a barreira do egoísmo e da autorreferencialidade?

Na Jornada Mundial da Juventude 2023, em Lisboa, O Papa disse aos jovens:

E quando virmos alguém, um amigo nosso, que caiu, o que devemos fazer? Levantá-lo. Reparai, quando alguém tem de levantar ou ajudar uma pessoa a levantar-se, que gesto faz? Olha-a de cima para baixo. Trata-se da única ocasião, do único momento em que é lícito olhar uma pessoa de cima para baixo: quando queremos ajudá-la a levantar-se. Quantas vezes vemos pessoas que nos olham sobranceiras, por cima do ombro, de cima para baixo! É triste. O único modo, a única situação em que é lícito olhar de cima para baixo uma pessoa é para a ajudar a levantar-se.

Com o coração sincero, tenhamos a coragem de nos perguntar se somos capazes de trabalhar juntos, de construir a via em unidade pelo Reino dos Céus. Nesta caminhada, encontraremos muitos outros à beira da estrada, por isso, devemos, de braços abertos e com muita alegria, acolhê-los. Façamos que se sintam parte da nossa família e jamais os deixemos na margem do caminho.


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *