O perigo do “ateísmo leve”
Acaba de aparecer nas páginas do The New York Times um intercâmbio de ideias muito instrutivo entre Gary Gutting, professor de filosofia da Universidade de Notre Dame, e Philip Kitcher, professor de filosofia da Universidade de Columbia. Kitcher se descreve como um defensor do “ateísmo leve”, o que viria a significar um ateísmo mais suave que a versão polêmica defendida por Richard Dawkins e Christopher Hitchens. Ao contrário desses colegas, Kitcher admite que a religião pode ter um papel eticamente útil numa sociedade predominantemente laica. Eu não vou entrar no mérito desta característica do pensamento de Kitcher, porque já explorei a redução kantiana da religião à ética em outros textos, mas gostaria de chamar a atenção para um particular aspecto desta ...