Ainda se recuperando de uma pneumonia, o Papa Francisco não fez a tradicional Audiência Geral de quarta-feira. No entanto, a Santa Sé publicou o texto preparado na íntegra, onde o Pontífice dá continuidade ao tema “os encontros de Jesus”, dessa vez refletindo sobre a Samaritana.
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“Hoje reflitamos sobre aqueles momentos em que parece que Ele estava à nossa espera precisamente ali, naquela encruzilhada da nossa vida. São encontros que nos surpreendem”, escreveu Francisco.
E continua, “Jesus quer ajudar esta mulher a compreender onde procurar a verdadeira resposta ao seu desejo de ser amada”. De acordo com Francisco, refletir sobre o tema do desejo é fundamental para entender o encontro de Jesus com a Samaritana.
“Jesus é o primeiro a manifestar o seu desejo: «Dá-me de beber!» (v. 10). Para encetar um diálogo, Jesus faz-se ver frágil, para pôr a outra pessoa à vontade, a fim de que não se assuste. A sede é muitas vezes, até na Bíblia, a imagem do desejo. Mas aqui Jesus tem sede sobretudo da salvação daquela mulher. «Aquele que pede de beber, diz Santo Agostinho, tinha sede da fé dessa mulher» (Homilia 15, 11)”.
Cuidado com as fugas na oração
No texto, o Papa também alerta para os enganos na oração, que podem servir de forma de fuga quando Deus nos revela algo que não queremos ouvir naquele momento.
“Quando se dá conta de que Jesus conhece a sua vida, a mulher desvia a conversa para a questão religiosa, que dividia judeus e samaritanos. Isto acontece-nos às vezes também quando rezamos: no momento em que Deus toca a nossa vida com os seus problemas, às vezes perdemo-nos em reflexões que nos dão a ilusão de uma oração bem-sucedida. Na realidade, erguemos barreiras de proteção”, alerta.
A pessoa reconciliada evangeliza
Por fim, o Papa reflete sobre a atitude da Samaritana, que parte para anunciar a chegada do Messias.
“Tal como uma pessoa apaixonada, a samaritana esquece a sua ânfora aos pés de Jesus. O peso da ânfora sobre a sua cabeça, cada vez que regressava a casa, recordava-lhe a sua condição, a sua vida atribulada. Mas agora a ânfora é colocada aos pés de Jesus”.
E completa, “o passado já não é um fardo; ela está reconciliada. E é assim também em relação a nós: para ir anunciar o Evangelho, primeiro é preciso depositar o peso da nossa história aos pés do Senhor, entregar-lhe o fardo do nosso passado. Só pessoas reconciliadas podem anunciar o Evangelho”.
Francisco finaliza sua reflexão com um convite forte a esperança. “Caros irmãos e irmãs, não percamos a esperança! Ainda que a nossa história nos pareça pesada, complicada, talvez até arruinada, temos sempre a possibilidade de a confiar a Deus e de recomeçar o nosso caminho. Deus é misericórdia e está sempre à nossa espera!”
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