A missionária da Comunidade de Vida Andressa Gabrielly relata como se deu o discernimento e a escuta da vontade divina sobre seu estado de vida. Em missão em Itapipoca, Gaby fará seus primeiros votos no Celibato em 22 de julho, dia de Santa Maria Madalena. Confira:

Em agosto desse mesmo ano, na minha formação pessoal foi proclamado Os 2, 16: “Agora, sou eu que vou seduzi-la, vou levá-la ao deserto e falarei ao seu coração”. Minha formadora pessoal foi tendo o entendimento de que o Senhor me introduzia em um caminho esponsal e me dava uma nova intimidade com Ele. Após a oração partilhei com ela os movimentos do meu coração, mas que tinha muito medo, que ainda era cedo pra isso, e ela me disse: “Não cale a voz de Deus, deixe Ele falar.” Em 2024 fui enviada para Itapipoca e troquei de formadora pessoal. Não partilhei nada disso na primeira formação, eu tinha dito para Deus que só ia falar se Ele falasse primeiro à nova formadora. Então, na segunda formação enquanto ela rezava, Deus deu a passagem de Is 56: “os eunucos que observam meus sábados, que escolhem o que me agrada e ficam firmes na minha aliança, eu lhes darei na minha casa, dentro de minhas muralhas, um lugar e um nome que valem mais do que os filhos e filhas”. Após a oração, fiquei caladinha e ela partilhou: “essa passagem Deus me deu quando me chamou ao celibato”. Então partilhei o movimento de Deus desde o ano anterior e fui partilhando também do desejo do meu coração e dos medos que trazia. A partir desses medos, entramos em um autêntico caminho de cura interior, em que fui descobrindo traumas e feridas que geravam esses medos. Durante o caminho de cura, fui descobrindo a partir da minha história que não me sentia amada por Deus, fui tendo algumas crises, dúvidas da voz de Deus, se o meu lugar realmente era aqui, até que depois de um tempo de muito choro e oração fui vendo o cuidado de Deus em cada dor, em cada situação que a ausência paterna tinha gerado em mim. E o maior fruto do ano de 2024 foi ter me reconhecido uma filha muito amada por Deus. E ao me reconhecer amada por Deus, voltei acreditar na voz que me chamou e me elegeu.
Em março de 2025, fiz o retiro de candidatos ao Celibato e lá eu disse: “essa já é a minha vida, eu sou celibatária!”. E ao sair de lá comecei o caminho fechado, fazendo os retiros pessoais, sendo bem auxiliada na formação pessoal, até que estava tudo muito bom pra ser verdade… Começou a surgir apaixonamentos, dúvidas, o medo novamente tomou conta de mim, minhas fraquezas e limitações estavam ainda muito latentes. Eu me via muito limitada diante de um chamado tão grande. Então, novamente estagnei no caminho, não queria mais, tinha medo de ser infiel e muitas vozes surgiram. Em fevereiro de 2026, no acompanhamento comunitário, uma frase me fez abrir os olhos: “você nunca vai estar pronta totalmente para dar essa resposta”. Então, fiz um retiro pessoal colocando os meus medos, fraquezas e limitações diante do altar do Senhor e, naquele silêncio, na capela, Ele me disse: “A aliança comigo te fará resistir a toda e qualquer tentação, não tenhas medo. É chegado o tempo”. Partilhei os frutos do retiro pessoal na formação pessoal e no acompanhamento comunitário, e juntas discernimos que era tempo. No dia 21 de abril, pedi à Comunidade para fazer os meus Primeiros Votos no Celibato, e no dia 16 de maio, a Comunidade acolheu o meu pedido. Não tinha dia melhor para receber esse discernimento, pois justamente nesse final de semana a minha mãe tinha vindo me visitar. O Senhor preparou tudo, não tardou nada e esperou o melhor momento para me desposar por inteiro. Não precisei de muitas explicações para minha mãe, ela acolheu tudo a partir da minha alegria e da alegria dos meus irmãos. Quando pensei que Deus já tinha feito tudo, e que já não podia mais me surpreender, Ele, juntamente com minha amiga do céu Santa Maria Madalena, decidem escolher o dia 22 de julho para que eu fizesse meus Primeiros Votos no Celibato. Esse é o dia de Santa Maria Madalena, dia em que meu celibato é confiado à sua intercessão.
Andressa Gabrielly
