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Comunidade Católica Shalom recebe Medalha São Francisco de Assis pelos 30 anos de missão no Rio de Janeiro

Honraria reconhece uma história de evangelização, serviço aos pobres e vidas ofertadas por amor a Deus e aos irmãos

comshalom

Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2026 — A Comunidade Católica Shalom recebeu, nesta segunda-feira (24), a Medalha São Francisco de Assis, durante solenidade realizada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A honraria reconhece a atuação da Comunidade na cidade e ganha um significado especial no contexto dos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis e da celebração dos 30 anos da presença do Shalom no Rio de Janeiro.

A solenidade reuniu missionários, membros da Comunidade de Vida e da Comunidade de Aliança, jovens, famílias, voluntários, benfeitores e amigos. Mais do que recordar uma trajetória, a celebração deu rosto a uma história construída por muitos “sins”: pessoas que acolheram, serviram, doaram, escutaram, anunciaram e se deixaram transformar pelo amor de Deus. A cerimônia foi conduzida pelo vereador Diego Faro, que destacou a presença da Comunidade na cidade: “A cidade do Rio de Janeiro vê vocês, vê as obras que vocês fazem e agradece.”

Uma história feita de encontros Ao longo de três décadas, o Shalom foi ganhando rostos e histórias no encontro com os mais pobres, na evangelização dos jovens, no cuidado com os idosos e no acompanhamento das famílias. Uma das expressões mais concretas desse serviço é o Halleluya Solidário, que promove ações junto às pessoas em situação de rua, oferecendo refeições, banho, atendimento médico, corte de cabelo, auxílio na recuperação de documentos, escuta e acolhimento. Ao longo dos anos, mais de 10 mil pessoas já foram alcançadas pela iniciativa. Para o responsável local da missão Shalom Rio, Pe. Rômulo dos Anjos, porém, os números nunca contam a história inteira: “Quando olhamos para esses números, sabemos que são rostos. E cada rosto tem uma história.

Abrigo de Idosas

Cada pessoa encontrada é uma oportunidade de devolver a esperança.” É uma dinâmica que se repete em diferentes expressões da Comunidade: alguém oferece aquilo que tem, e Deus transforma essa pequena oferta em encontro. Onde o amor ganha rosto Na Casa de Vigário Geral, onde funciona o Abrigo Sagrado Coração de Jesus e Maria, essa experiência acontece diariamente no cuidado com os idosos. Durante a solenidade, Giselly Noberto, que representou a Casa, recordou: “Cuidar de um idoso é olhar para sua história e dizer que sua vida tem valor, que ele tem lugar e ele é amado.” A Moção Honrosa concedida à Casa de Vigário Geral reconheceu essa presença concreta de cuidado e serviço. Cada idoso acolhido traz consigo uma história única. Permanecer, escutar, acompanhar e cuidar tornam-se formas concretas de reconhecer a dignidade de cada vida.

Os jovens

O mesmo amor alcança os jovens. O Projeto Juventude também recebeu uma Moção Honrosa, representado na solenidade por Lucas Lima, de 18 anos, que partilhou seu testemunho. Programador e, até então, agnóstico, Lucas vivia uma profunda busca por sentido quando uma amiga lhe apresentou Santo Agostinho. O contato com as Confissões despertou nele uma curiosidade que o levou ao retiro Radicalidade. Ali, decidiu viver a experiência de coração aberto. O que encontrou foi uma comunidade de jovens, amizade e acolhimento. Pela primeira vez, sentiu-se parte de algo e amado por pessoas que, poucas horas antes, eram desconhecidas. Ao recordar sua história, resumiu: “O Shalom é minha casa. O Shalom é minha família.” O testemunho de Lucas revela uma das marcas da Comunidade: quem é alcançado pelo amor de Deus também se torna capaz de alcançar outras pessoas. Famílias que aprendem a recomeçar A construção da paz também passa pelas famílias.

As famílias

Francisco e Cristiane do Nascimento, responsáveis pelos Grupos de Casais do Shalom Rio, partilharam a própria experiência e a caminhada de famílias acompanhadas pela Comunidade. O casal se conheceu no Shalom e encontrou no carisma um caminho de comunhão, fé e missão. Ao longo dos anos, acompanhou histórias de casais que reencontraram o diálogo, restauraram relacionamentos e redescobriram a beleza do matrimônio. Entre essas histórias estão pessoas que viviam juntas e que, a partir de uma experiência renovada com Deus, decidiram receber o sacramento do matrimônio. A experiência do casal expressa uma convicção: “Só haverá um mundo novo se houver novas famílias.” A família torna-se, assim, um dos lugares onde a Cidade da Paz começa a ser construída: no diálogo, no perdão, na fidelidade e na capacidade cotidiana de recomeçar. Trinta anos feitos de pequenos “sins” Os 30 anos da presença do Shalom no Rio também foram construídos pela entrega silenciosa de muitas pessoas. Ao recordar essa trajetória, Shirley Guimarães, que durante muitos anos colaborou no Conselho Econômico Local, destacou a ação da Providência e a generosidade daqueles que colocaram seus dons e recursos a serviço da Comunidade. “Ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar.” Jovens, famílias, trabalhadores, benfeitores e tantas outras pessoas ofereceram aquilo que tinham para que a evangelização continuasse. Muitas vezes de forma discreta, seus pequenos gestos sustentaram uma obra muito maior do que cada oferta individual.

É essa experiência que Pe. Rômulo sintetiza na imagem das pequenas fontes. Uma pessoa acolhe. Outra serve. Outra doa. Outra escuta. Outra cozinha. Outra visita. Outra anuncia. Cada uma oferece aquilo que recebeu. E, quando essas pequenas fontes se encontram, formam um rio. Uma rede lançada ao mar Essa rede também alcança quem se coloca a serviço. É o que testemunha Rafaela Carnaúba, membro do Conselho Local e responsável pelo Setor Vigário Geral. Rafaela chegou ao Rio como postulante, viveu um período de missão em outro lugar e retornou à cidade em 2023, agora como consagrada. No contato com os idosos, os jovens e as diferentes realidades da Comunidade, também encontrou um espaço de transformação pessoal. Ao falar sobre a experiência de viver na Casa de Vigário Geral, resumiu: “Morar na casa de Vigário Geral é viver um Festival Halleluya todos os dias.”

Quiosque do Guido

Entre as expressões dessa rede está também o Quiosque do Guido, espaço que, marcado inicialmente por uma história de dor, foi sendo transformado em lugar de encontro, amizade, evangelização e esperança. A imagem da rede lançada ao mar traduz esse movimento: uma rede que reúne pessoas, alcança histórias, encontra jovens, acolhe famílias e anuncia o Evangelho. O amor recebido não é guardado para si; é lançado novamente ao encontro de outros. Uma graça que atesta o caminho São Francisco de Assis é um dos baluartes da Comunidade Católica Shalom.

São Francisco de Assis

Sua vida aponta para a simplicidade do Evangelho, a fraternidade, o amor aos pobres e o desejo de ser instrumento de paz. Por isso, receber a Medalha São Francisco de Assis no contexto dos 800 anos do seu Trânsito possui um significado particular para a Comunidade. Durante a solenidade, Pe. Rômulo ressaltou que a honraria não deve ser compreendida como um ponto de chegada, mas como um reconhecimento que atesta o caminho percorrido e, ao mesmo tempo, renova o chamado a continuar. A medalha é recebida como graça e ação de graças por tudo aquilo que Deus realizou através de tantas vidas ofertadas.

Mas o caminho continua: servindo aos pobres, acreditando nos jovens, fortalecendo as famílias, acolhendo os idosos e anunciando Cristo. Durante a solenidade, o momento musical “Novo Dia Surgiu” expressou esse sentimento de esperança e gratidão. Depois de 30 anos, a história continua: nos idosos acolhidos, nos jovens que reencontram o sentido, nas famílias que aprendem a recomeçar, nos pobres que descobrem que não estão sozinhos e nos missionários que continuam dizendo “sim”. Continua em cada pequena fonte. “Somos pequenas fontes”, recordou Pe. Rômulo. Pequenas fontes que se encontram, formam um rio de vida, esperança e paz e não correm para si mesmas: deságuam no mar da imensidão de Deus.

É assim que se constrói uma Cidade da Paz: coração por coração, encontro por encontro, vida por vida. E, diante da graça recebida e do caminho que ainda permanece, Pe. Rômulo concluiu com uma frase de São Francisco de Assis: “Recomecemos, meus irmãos, pois pouco ou nada fizemos.”

              

 


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