Na Audiência Geral desta quarta-feira (2), na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV deu início a um novo ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, começando pela Gaudium et Spes, constituição pastoral que trata da relação da Igreja com o mundo contemporâneo.
Leão XIV recordou que o próprio título do documento, que significa “alegria e esperança”, já anuncia sua intenção: superar o pessimismo diante da história. Ele retomou as palavras de São João XXIII, que na abertura do Concílio, em 1962, criticou os chamados “profetas da desventura”, pessoas que insistiam em enxergar o presente como uma época de decadência em relação ao passado.
No presente momento histórico, a Providência está-nos levando para uma nova ordem de relações humanas, que, por obra dos homens e o mais das vezes para além do que eles esperam, se dirigem para o cumprimento de desígnios superiores e inesperados; e tudo, mesmo as adversidades humanas, dispõe para o bem maior da Igreja (Gaudet Mater Ecclesia, 4.4)
Uma Igreja que não pode ser indiferente
Para o Pontífice, essa partilha exige postura ativa diante da realidade. Não é possível permanecer indiferente às rápidas transformações do mundo atual, mas é preciso “escutar com o coração” e se deixar envolver pelas dificuldades dos irmãos, sobretudo dos atingidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência. Ele também citou o Papa Francisco e a Evangelii Gaudium para lembrar que a opção pelos pobres é, antes de tudo, uma categoria teológica: a Igreja é chamada a reconhecer Cristo neles.
Leão XIV apontou ainda contradições do mundo atual:
- Um progresso científico que beneficia apenas parte da humanidade
- O crescimento da riqueza mundial que convive com a fome e a miséria
- A consciência sobre o futuro do planeta que não consegue conter o consumo egoísta nem a ilusão de que a guerra seja caminho para a paz
Investigar os sinais dos tempos
O Papa reforçou o dever da Igreja de investigar constantemente os “sinais dos tempos” e interpretá-los à luz do Evangelho, num compromisso permanente de conversão, não por ambição terrena, mas pelo desejo de continuar a obra de Cristo, que veio para servir. Ao final, pediu que a alegria e a esperança, gaudium et spes, marquem uma Igreja que se faz próxima de homens e mulheres do nosso tempo.
Saudação aos peregrinos de língua portuguesa
Ao final da audiência, o Papa dirigiu uma saudação especial aos peregrinos de língua portuguesa presentes na Praça de São Pedro, com destaque para os grupos vindos do Brasil e de Portugal. Ele afirmou que nenhuma das aspirações legítimas desses fiéis escapa ao cuidado pastoral da Igreja, e pediu a bênção de Deus e a proteção de Nossa Senhora sobre eles.
Assista a Audiência Geral na íntegra
Com informações do Vatican News / Santa Sé.