Os médicos nasceram com uma vocação única para curar as pessoas. É uma profissão que exerce muito a caridade e deve preservar a vida em vez de eliminá-la. Enquanto alguns médicos lutam para fazer jus a este chamado cristão, muitos ao longo da história levaram a sério o dever de curar, investindo todos os seus esforços para proporcionar ao próximo a saúde plena. Sim, eles sabiam que Jesus é o Médico Divino e desejavam imitá-lo da melhor maneira possível.
A medicina foi para eles forma que o Espírito Santo teceu a santidade, tornando-os cada vez mais semelhantes a Deus à medida em que se doavam às pessoas fragilizadas e feridas. Conheça alguns médicos cuja santidade é reconhecida pela Igreja:
São Lucas Evangelista
A maioria dos estudiosos bíblicos acredita que Lucas foi um médico grego, que acabou por escrever o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos. Lucas é invocado como o santo padroeiro dos médicos e cirurgiões. Segundo a tradição, São Lucas era médico, além de pintor, músico e historiador, e teria estudado medicina em Antióquia. Foi convertido pelo apóstolo São Paulo, de quem se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Lucas não conviveu pessoalmente com Jesus e por isso a narrativa dele é baseada em depoimentos de pessoas que testemunharam a vida e a morte de Jesus. Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios, em diversos lugares, externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração.
Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.
São Giuseppe Moscati
José (Giuseppe) Moscati nasceu em Benevento, na Itália, em 1880, mas mudou-se com a família para Nápoles com quatro anos de idade. Ele se doutorou em medicina em 1903, com uma tese sobre a ureogênese hepática. Atuou incansavelmente na pesquisa, no atendimento aos doentes e em inspeções de saúde pública quando Nápoles sofreu uma epidemia de cólera em 1911. Permaneceu célibe, fazendo de toda a sua vida uma doação aos doentes e necessitados e à pesquisa científica – foi responsável por pesquisas pioneiras sobre as reações químicas do glicogênio.
Cursou a universidade de medicina em Nápoles e conseguiu com esforço e vontade de Deus segundo ele o título de doutor em 1903 com apenas 23 anos. Tinha o ideal de dedicar-se à profissão médica e praticar a caridade cristã servindo a Cristo na pessoa do doente. Nos casos de calamidades públicas que se abateram sobre Nápoles pela erupção do vulcão vesúvio, em 1906, e pela cólera que grassava naquela cidade em 1911, José Moscati não só não abandonou o posto de serviço, mas estava na dianteira prodigalizando-se com o incansável, com heroica e dedicação na assistência aos feridos e aos atacados pela contagiosa e terrível doença. Ele não visava somente a doença e o tratamento, mas a dignidade cristã do paciente transformando sua profissão num verdadeiro apostolado.
Não só não cobrava dos mais pobres, como costumava colocar dinheiro dentro do envelope em que lhes dava a receita. Em 1922, conquistou a livre-docência. Morreu em 1927, no meio de um dia de trabalho, depois de atender alguns pacientes. São José Moscati recebeu o título em Nápoles de médico e pai dos pobres.
São Brás
São Brás era considerado um ótimo médico da região e utilizava do trabalho para ajudar aos mais pobres, de acordo com alguns historiadores, ele exerceu a medicina no século III, entrou em crise porque não se sentia totalmente realizado. Essa insatisfação não estava relacionada à sua profissão, pois ele era bom médico e prestava um ótimo serviço à sociedade, mas vivia uma crise existencial.
Conta a história que, ao dirigir-se para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou, e Nosso Senhor curou aquela criança. Também é padroeiro dos operários de construção, veterinários, garotos, pedreiros e escultores. São Brás é um dos santos, cuja fama de santidade chegou a muitos lugares e, por isso, é venerado em quase todas as partes do mundo. O milagre da garganta é recordado, no dia 3 de fevereiro, com um rito litúrgico particular, durante o qual o sacerdote abençoa a garganta dos fiéis com duas velas cruzadas diante da garganta.
Santa Gianna Beretta Molla
Nascida em 1922, em Magenta, perto de Milão, Gianna formou-se médica aos 27 anos e em seguida especializou-se em pediatria. Ela desejava tornar-se leiga missionária no Brasil, onde estava o seu irmão, o frei Alberto Beretta, para cuidar dos necessitados. Na oração, porém, discerniu sua vocação ao matrimônio. Casou-se aos 33 anos com o engenheiro Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Membro da Sociedade de São Vicente de Paulo e da Ação Católica, ela considerava o exercício da sua profissão um verdadeiro dom recebido de Deus, ao qual correspondia a sua missão.
Especializa-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952 e, entre os pacientes, demonstra especial cuidado para com as mães, as crianças, os idosos e os pobres. Enquanto exercia a profissão de médica, considerando-a uma verdadeira missão, aumentava o seu generoso compromisso para com a Igreja Católica e dedicava-se intensivamente em ajudar as adolescentes. Todas as gestações foram difíceis, mas a última teve uma complicação a mais: a descoberta de um tumor no útero. Gianna recusou-se a abortar e submeteu-se a uma delicada cirurgia, que teve sucesso. A filha nasceu com saúde, mas a mãe acabou morrendo uma semana depois de dar à luz, em 1962 – em uma oferta da própria vida que o Beato Paulo VI chamou de “meditada imolação”.
São Camilo de Lellis
São Camilo teve também o dom da cura pela oração, e muitos se converteram ao serem cuidados por ele. Outros tantos faleceram na graça de Deus, pois Camilo os levou ao arrependimento e à confissão. É o santo padroeiro dos doentes, dos hospitais e dos profissionais da saúde. Ficou célebre seu grito, junto aos profissionais da saúde de sua época (século XVI), que ainda hoje, não perdeu a atualidade “mais coração nas mãos, irmão”.
E mesmo com vício do jogo, que o afundava cada vez mais nas dívidas, e com a sua doença na perna, Ele permitiu que Deus o resgatasse para Si, acolhendo a misericórdia divina e deixando o Cristo manifestar a Sua glória. Na verdade, o tumor em sua perna foi apenas um pretexto para que outros doentes também fossem alcançados por sua conversão específica em cuidar dos que eram mais esquecidos e rejeitados. A atuação de Camilo foi tão marcante, com a vocação específica pelos enfermos, bem como seu zelo pela administração hospitalar, que até hoje a sua congregação e o seu nome se fazem presentes na Igreja e nas instituições relacionadas à saúde.
São Cosme e Damião
São Cosme e Damião foram dois médicos cristãos árabes que praticaram seu ofício sem cobrar nada das pessoas. Ficaram reconhecidos por operar alguns milagres. Se dedicaram ao cuidado dos enfermos, o que foi a alavanca principal da vida dos dois irmãos, que viveram no século III, no tempo da perseguição contra os cristãos. Eles cuidavam dos doentes, sem aceitar remuneração. Por isso, receberam o apelido de “anárgiros”, palavra grega que significa “sem prata”. A sua fama de homens corajosos e distintos benfeitores espalhou-se, rapidamente, por toda a região.
A atividade destes Santos gêmeos não se limitou apenas aos cuidados do corpo enfermo. Na sua prática profissional, visavam também o bem das almas, com o exemplo e a palavra. De fato, converteram muitos pagãos ao cristianismo. Estes irmãos eram médicos altamente qualificados. Fizeram tudo o que podiam para curar as pessoas. Eles foram mortos por defenderem a fé cristã durante a perseguição de Diocleciano. Foram martirizados a mando de Lísias, governante da Cilícia e canonizados no século VI.
São Renê Goupil
Renê (Renato), após estudar medicina durante o século 17, foi para a “Nova França” ajudar os missionários jesuítas. Em Quebec, ele se ofereceu para se juntar à Companhia de Jesus em suas viagens missionárias. Nasceu em 15 de maio de 1608, na pequena Saint-Martin-du-Bois, vila que pertencia à diocese de Angers, na França. Pelo fato de ser deficiente auditivo, venceu grandes barreiras na época, pois conseguiu aprender a ler e escrever e avançar nos estudos. Numa sociedade que marginalizava o deficiente, conseguir estudar, em si, era um feito grandioso e heroico. Isso mostra a força de caráter e perseverança deste jovem.
Enquanto estavam prisioneiros, Renato Goupil foi visto ensinando o sinal da cruz a algumas crianças. Com isso, foi terrívelmente espancado e uma flexa lhe tranpassou. Era o dia 29 de setembro de 1642. Morreu, pronunciando o nome de Jesus. Sua morte foi registrada no diário dos Jesuítas. Renato Goupil, foi o primeiro Jesuíta a derramar o seu sangue na terra da América do Norte, quatro anos depois foi seguido por outros seis companheiros. Estes mártires foram beatificados em 1925 e canonizados em 1930 pelo Papa Pio XI. É o padroeiro dos anestesistas e dos surdos.
Beato Lucas Dochier
Nascido em 1914 no município francês de Bourg-de-Péage, Paul Dochier já era médico quando decidiu entrar em um mosteiro trapista (Notre-Dame d’Aiguebelle) em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, adotando o nome de Lucas (Luc). Devido ao conflito, mesmo como monge ele continuou a atender os doentes e feridos, sem nunca cobrar nada. Transferido para o mosteiro de Tibhirine, na Argélia, em 1946 – em 1938 ele já tinha prestado serviço militar no Marrocos –, permaneceu exercendo a medicina, atendendo a população, majoritariamente muçulmana.
Em março de 1996, ele foi sequestrado junto com outros seis monges trapistas, durante a Guerra Civil Argelina, depois que a comunidade decidiu permanecer na abadia mesmo diante das ameaças. Ele ficou em cativeiro por cerca de dois meses e ao fim desse período foi martirizado. Ele será beatificado neste ano, junto com outros 18 mártires imolados na Argélia entre 1994 e 1996.
Beato Ladislau Batthyány-Strattmann
Ladislau (László) nasceu na Hungria em 1870, mas a sua família – de origem nobre – se mudou para a Áustria quando ele tinha apenas 6 anos. Teve uma infância conturbada: o pai abandonou a família durante a infância, se tornou protestante e casou com outra mulher, já a mãe morreu quando ele tinha 12 anos. Formou-se em medicina aos 30 anos, depois de tentar agricultura, química, filosofia e música. Dois anos antes, havia se casado com a condessa Maria Teresa zu Coredo und Starkenberg, com quem teve 13 filhos – além de uma filha com outra mulher, antes de se casar.
Aos 32, Ladislau abriu um hospital na cidade de Kittsee – que ainda está em operação e desde 2004 leva o seu nome. Em 1914, herdou um castelo em Körmend, na Hungria, e se mudou para lá no ano seguinte, transformando uma ala do castelo em uma clínica. Ficou conhecido por não cobrar nada das pessoas necessitadas – acabou sendo chamado pelo povo de “o médico dos pobres”. Ladislau morreu em 1931, em Viena, onde ficou internado por 14 meses devido a um câncer na bexiga.
Beato Jacques-Désiré Laval
Quando jovem, Laval tinha dúvidas se entrava para o seminário ou estudava medicina. Nascido em 1803, na cidade francesa de Croth, acabou se doutorando em medicina aos 27 anos, com uma tese sobre a artrite reumatoide. Exerceu a profissão por quatro anos, mas percebeu que estava vivendo-a mal, buscando a própria glória, e redirecionou sua caminhada após um acidente de cavalo que quase o matou. Entrou para o seminário e foi ordenado aos 35 anos. Dois anos depois, decidiu entrar na congregação dos espiritanos e foi enviado em missão para as Ilhas Maurício. Ali, seu conhecimento em medicina o ajudou a cuidar da população, que era formada majoritariamente por ex-escravos. Laval ainda ajudou a comunidade local a se desenvolver na agricultura e no saneamento. Ele compartilhava da pobreza do povo, jejuando para repartir seu alimento e dormindo em uma caixa de madeira.
Fundou vários hospitais para tratar as epidemias de cólera de 1854, 1857 e 1862. Também fundou escolas, construiu capelas para promover a formação espiritual e a integração social da população. Morreu em 9 de setembro de 1864 devido a um AVC em 1864 e se tornou conhecido como o Apóstolo de Maurícioe foi beatificado por São João Paulo II, em 29 de abril de 1979.
Servo de Deus Guido Schäffer
Médico, surfista, seminarista e filho que se dedicou a Deus, ofereceu o ensino a medicina aos pobres assistidos pelas Irmãs Missionárias da Caridade e, muito especialmente após a leitura do livro “O Irmão de Assis”, decidiu largar tudo para seguir o forte chamado ao Sacerdócio. Morreu aos 34 anos, em maio de 2009.
A le são atribuídos milagres e curas, o que fez com que uma legião de fiéis passasse a pedir sua canonização. Os defensores inclusive acreditam que a imagem de um santo carioca, jovem e esportista, pode ajudar a Igreja a se reconectar com o público mais jovem. Seu processo de canonização, aberto em 2015 no Vaticano, embora não tenha prazo para ser concluído, caminha a passos animadores.
-Colab. de pesquisa:
A12;
ACI Digital;
Arquidiocese São Paulo;
Canção Nova;
Guido Schaffer
Vatican News;









