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Shalom Interlagos promove tarde de acolhimento para os pobres

Pobres são vigários de Cristo.

O Dia Mundial do pobre foi instituído pelo Papa Francisco em 2017 por meio da Carta Apostólica “Misericórdia e mísera” na conclusão do ano Santo Extraordinário da misericórdia e no ano de 2019 celebramos o III Dia Mundial dos pobres, e como tema esse ano o papa nos deixou a seguinte mensagem: “A esperança dos pobres jamais se frustrará.” (Sal 9, 19).

Para celebrar esse dia em comunhão com a igreja, A Promoção Humana e os membros do Shalom Interlagos junto com as pastorais da Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz e com a Diocese de Santo Amaro que disponibilizou o local, se reuniram no dia 23 de novembro para proporcionar dignidade aos pobres.

 “Esse era um movimento que já ocorria antes mesmo de ser instituído pelo Papa Francisco, feito com a Pastoral de rua e a gente tentou então coincidir essa data com a igreja que convida a todos para se voltar a essas pessoas mais carentes. O evento em si, é uma junção de voluntários”, explica o Padre Davi, da Diocese de Santo amaro, Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz.

123 pessoas alcançadas

Ao total foram 123 pessoas em situações de rua, de abandono, de vícios e entre outras tantas realidades, que foram evangelizados pelas ruas do Largo Treze de Maio em Santo Amaro (zona sul de São Paulo), embaixo de chuva e levados para o local onde puderam experimentar da misericórdia de Deus, e se abandonaram na esperança de um futuro melhor, assim como também puderam fazer sua higiene pessoal, se alimentar e receber oração.

O evento contou com duas cabines de banho alugadas, com o bazar da Divina Arte com roupas e sapatos doados pelos paroquianos e que foram dadas aos moradores de rua, com o pessoal do Instituto Embelleze que fizeram cortes de cabelo, barba, unhas e sobrancelha. Também foi disponibilizado lanches e água e ainda tivemos a presença de três médicos voluntários, um Padre do Verbo Encarnado atendendo as confissões e missionários no oração e aconselhamento.

O evento ainda contou com a participação do grupo de Rap VMS da Comunidade Shalom, e se encerrou com o Santíssimo exposto para adoração.

“Isso tudo é muito importante porque é concretização do amor, amor não são palavras, amor não é sentimento, amor é algo concreto, se eu amo eu faço. Então, porque eu amo o pobre nele eu vejo a pessoa de Cristo a pessoa de Deus, então nele, por ele, para ele eu faço algo, eu coloco as minhas mãos em ação em atividade e é muito bonito ver todo esse trabalho ver toda essa dedicação, as doações diversas que nós temos para esse evento que Deus possa abençoar a todos aqueles que estão envolvidos nesse trabalho.” Relata Padre Davi.

“Pobres são vigários de Cristo”, diz Moysés Azevedo, Fundador da Comunidade Shalom. Através deste dia, pudemos experimentar dos corações enfraquecidos que necessitavam ser olhados, serem ouvidos, serem amados. E através de um pequeno ato que muitas vezes para nós, é um simples banho, ou apenas mais uma refeição, mas para eles foi sinal de que são amados e olhados por Deus.

Conversamos com um jovem de 22 anos, chamado Kelvin que estava participando do evento. Atualmente o jovem mora em um Albergue, segundo ele o dia foi maravilhoso, pois foi convidado para participar de um evento da igreja, que iria providenciar roupa, comida, água, tratamento, etc. O jovem tem vício em droga e vende mercadorias para se sustentar no farol e nos ônibus. Contou ainda que atualmente teve algumas recaídas e perdeu todo o dinheiro adquirido no trabalho, mas que está há duas semanas se recuperando. Durante o evento ele tomou banho, trocou de roupa, comeu e recebeu oração e aconselhamento.

Uma tarde muito intensa e muito bela

“Nós estamos aqui em uma tarde muito intensa e muito bela de trabalho respondendo ao convite do Papa Francisco que eu acredito que é o ressoar de um convite de Deus, e para nós cristãos é o convite de amar, de cuidar do outro, de cuidar do pobre e vê no pobre o próprio Cristo. É belo o que estamos vivendo aqui porque o que a gente vê são pessoas descobrindo o melhor de si à medida que vão se dando uns aos outros gratuitamente. A gente ver médicos, psicólogos, psiquiatras, clínico geral e nós temos pessoas de várias áreas, voluntários que vão para as ruas e que voltam, nós vermos cabeleireiros profissionais cuidando do corpo que também é templo de Deus, dando dignidade para essas pessoas e tudo isso faz essa tarde muito especial, não só porque os pobres estão sendo atendidos, isso é muito importante porque eles precisam, a gente vê pessoas chegando sujas e saindo limpas, podendo tomar um banho morno e vestir uma roupa limpa, serem conhecidas pelo nome e saindo daqui um pouco mais feliz, tudo isso é precioso. Mas essa tarde tem significado também porque nós estamos redescobrindo a nossa vocação de ser humano, de amar o outro, de cuidar do outro e todo mundo sai feliz e realizado. Eu vejo essa ação do dia do pobre como um impulso que gera um movimento permanente de atenção às pessoas, coisas simples como conhecê-las pelo nome, rezar por elas, vai transformando a nossa postura diante dessas pessoas que encontramos na rua, não apenas uma ação para o dia de hoje, mas que do hoje gera uma nova postura permanentemente nas nossas vidas.” — Partilhou Jenisangela Rosa, Responsável Local da Comunidade Shalom em Santo Amaro.

Testemunhos

Outro relato de uma jovem de 33 anos, chamada Janaína, moradora de rua que participou pela primeira vez junto com uma amiga, disse que foi um dia especial, que gostou muito, fez sua sobrancelha, pegou roupas novas, tomou banho, arrumou o cabelo e recebeu oração.

Brenda Santos, 20 anos, Postulante de primeiro ano da Comunidade Aliança saiu evangelizando pelas ruas, e partilhou conosco sua experiência.

“Quando eu cheguei aqui vi muita gente e fiquei me perguntando para onde eu vou e a experiência que eu tive hoje foi de realmente enxergar a face de Deus na vida desses irmãos de rua e agora nesse último que eu estava conversando eu tive uma experiência que a gente precisa ouvir nossos irmãos, que muitas vezes a gente só observa a aparência, o físico. Mas que aquelas pessoas ali têm uma história, tem um passado antes da está nessa situação. Eu estava conversando com um morador de rua, o Marcos, e ele foi falando da vida dele como ele chegou a esse estado e ele me contando que hoje ele só tem a Deus e que essa vida ele não deseja para ninguém. E eu fui vendo essa situação e fui percebendo que eu não faço nada, a minha vida está muito fácil, a gente vai olhando tantas situações na nossa vida e acha que vai morrer, mas tem pessoas em pior situação. E olhando no olho dele enquanto ia conversando eu ia vendo o sofrimento, ele falava que o pior dia para ele é os dias de Natal e Ano Novo que ele se sente muito sozinho, que ele lembra dos irmãos, dos parentes que alguns já faleceram ou estão longe. E aquilo foi no meu coração um aperto, pois fui vendo que nós não somos gratos nas pequenas e poucas coisas que a gente tem. Então foi uma experiência de ser renovada e de vê na vida deles a simplicidade e eles ser gratos por pequenas coisas, uma comida, uma roupa e isso foi trabalhando em mim esse movimento de pobreza interior e desejar também ser simples e grato a Deus. Eu aprendi muito com ele hoje.”

Pequenos gestos

O Dia do pobre foi intitulado para que nossos corações se voltem para os mais necessitados, para aqueles que por circunstâncias não têm onde morar, ou que estão tão entregues aos seus vícios que não conseguem enxergar a beleza da liberdade.

E assim como nos diz Madre Tereza de Calcutá “Não espere por grandes líderes; faça você mesmo, pessoa a pessoa. Seja leal às ações pequenas porque é nelas que está a sua força.” que possamos ter um coração aberto, que não espera pelo outro, mas um coração que busca ir ao encontro do pobre, ir ao encontro do próprio Cristo, até mesmo nos mais pequenos gestos.

Amanda Santos


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