Shalom

Cristo Eucarístico, alimento e sustento para todas as vocações

Somente com o contato contínuo com Cristo e de forma especial com Cristo eucarístico podemos vivenciar os momentos de adversidades sem desmoronarmos.

Ao contemplarmos e celebrarmos a Solenidade de Corpus Christi, convém a nós todos, meditarmos o fato real, o fato concreto de que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente, vivo e de modo verdadeiro na Eucaristia e que ele através de vários modos, mas, de modo especial através do sacramento da Eucaristia, cumpre o que nos prometeu: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Ele está conosco, caminha conosco, nos possibilitou isto através da instituição do sacramento do amor, e de um amor doação, doou-se na cruz, doou-se na Eucaristia, fazendo-se pão para nos alimentar, nos saciar, nos sustentar e assim viver em nós, ser manifestado em nós e através de nossas vidas, pois, comungamos dele. Na vocação sacerdotal vivemos isto de forma intensa e especial, pois, pelo período de formação somos preparados para sermos os instrumentos de Cristo, para agirmos “in persona Christi” (na pessoa de Cristo), para que Cristo Jesus possa agir em nós, através de nós. Ao sermos consagrados ao Senhor através do sacramento da Ordem, somos imbuídos da graça sacramental pela qual, dentre os vários elementos que são atribuídos um deles é o de que pelas mãos sacerdotais o sacerdote torna Cristo vivo, presente, pelo pão e pelo vinho transubstanciados, e assim, o povo de Deus é alimentado e sustentado pelo alimento salutar.

Diante disso os padres, nós diáconos que nos aproximamos de tão belo e importante ministério que é o ministério sacerdotal, os seminaristas que trilham o caminho para ele, devemos cultivar em nós a consciência de que isto não é motivo de orgulho, é honra não merecida pelos próprios méritos, pois, somos pecadores, somos limitados e diante de nossa condição humana, limitada é a graça de Deus que nos concede tal dom, ela opera em nós nos permitindo, apesar de nossas fraquezas, sermos cooperadores de Deus, servos bons pastores como o Cristo Bom Pastor e guiados pelo Espírito Santo de Deus.

Pessoalmente destaco dois fatos, pessoais, duas experiências eucarísticas transmitidas aqui de modo resumido: nesta situação de pandemia, com a Santa Missa em nossa paróquia tendo o número de fiéis restrito, impossibilitados de fazermos a procissão com o Santíssimo Sacramento como de costume, nós a fizemos de forma adaptada, os fiéis estavam nas ruas, porém, dentro de seus carros, em carreata e com o Santíssimo Sacramento percorrendo as ruas da cidade em um caminhão, contemplamos um grande número de fiéis seguindo participando da carreata, e um grande número em suas casas acompanhando pelos meios de comunicação, e ao verem o Santíssimo Sacramento passar pelas suas casas, choravam, ajoelhavam-se, rezavam, reconheciam deste modo, que Cristo é o centro, o sentido de suas vidas, o alimento que os sustenta. Tal constatação também verificamos na vocação matrimonial, na vocação leiga consagrada e também na vocação sacerdotal no caminho em que percorremos.

Minha vocação foi descoberta, impulsionada, e abrasada ainda mais através do serviço como coroinha em minha paróquia de origem e posteriormente com a participação na paróquia, no cultivo do encantamento pela fé, pelos mistérios de Deus. O sim dado continua e diariamente à proposta de Deus de segui-lo de forma particular através da vida sacerdotal foi alimentado e sustentado por Cristo, pelo Cristo Eucarístico, pela vida de fé e de oração pessoal, familiar e comunitária. Somente com o contato contínuo com Cristo e de forma especial com Cristo eucarístico podemos vivenciar os momentos de adversidades sem desmoronarmos. Nele encontramos a serenidade, ele nos converte, nos lapida, pois, para Deus somos preciosos tesouros de inestimável valor que irradiam a luz divina. Podemos nós experimentar todos estes aspectos, e outros além destes, pois, as palavras, a linguagem humana não abarcam a totalidade do mistério, não expressam toda a grandeza da experiência em que vivemos diante do Cristo Eucarístico. Ao comungarmos, ao celebrarmos o Cristo Eucarístico, tenhamos o firme propósito de ser como Ele, de ser o amor. Pois, o amor é doação. E o Cristo Ressuscitado passou pela cruz, se doou nela, no Sacramento da Eucaristia, sua vida toda foi doação, ele foi e é o amor.

Nesta perspectiva e como disse Santa Teresinha, sejamos tudo, sejamos o amor, façamos como Cristo, nossa vida uma doação que irradia a presença eucarística nela experienciada. Encerramos com um trecho de uma homilia de Bento XVI no dia de Corpus Christi em 15/06/2006: “Na festa de Corpus Christi olhamos sobretudo para o sinal do pão. Ele recorda-nos também a peregrinação de Israel durante os quarenta anos no deserto. A Hóstia é o nosso maná com o qual o Senhor nos alimenta é verdadeiramente o pão do céu, mediante o qual Ele se doa a si mesmo. Na procissão nós seguimos este sinal e assim seguimos a Ele próprio. E imploramo-l’O: guia-nos pelos caminhos desta nossa história! Mostra sempre de novo à Igreja e aos seus Pastores o caminho justo! Olha para a humanidade que sofre, que vagueia insegura entre tantas interrogações; olha para a fome física e psíquica que a atormenta! Concede aos homens pão para o corpo e para a alma! Dá-lhe trabalho! Concede-lhe luz! Concede-te a ti mesmo a ela! Purifica e santifica todos nós! Faz-nos compreender que só mediante a participação na tua Paixão, mediante o “sim” à cruz, à renúncia, às purificações que nos impões, a nossa vida pode amadurecer e alcançar o seu verdadeiro cumprimento. Reúne-nos de todos os confins da terra. Une a tua Igreja, une a humanidade dilacerada! Concede-nos a tua salvação! Amém!”.

Herick Rogger Pinchesk Vitchemechen

Diácono da Diocese de Guarapuava-PR


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