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Desistir é sinônimo de fraqueza?

A ginasta americana Simone Biles desistiu de disputar a final individual de ginástica artística. A atleta de 24 anos era favorita ao ouro, mas alegou que precisava preservar sua saúde mental. “Eu realmente sinto que às vezes tenho o peso do mundo sobre meus ombros.”

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Nesta quarta-feira (28/07), a ginasta olímpica Simone Biles desistiu de disputar a final individual geral da ginástica artística nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Apesar de nem todos terem a visibilidade de Biles ou viverem a pressão a que atletas são submetidos na competição mais importante do mundo, o gesto da atleta pode servir como lição e reflexão para entender que não é fraqueza desistir.

Conheça Simone Biles

É necessário coragem para desistir 

“Algumas pessoas vão encarar a desistência como falta de vontade ou covardia, mas na verdade é um ato de coragem muito grande expor a dificuldade, a fraqueza, a saúde mental ao público”, é o que afirma a psicóloga Valeska Bassan. A coragem de Simone Biles ao reconhecer e expor seus limites mostra que aceitar ser falho não é um problema, mas tentar fazer por mídia, extrapolando as próprias limitações é um grande risco para a saúde. Por tentar atender às expectativas dos outros, a pessoa acha que desistir é um fracasso, mas é não é real.

“Precisamos aprender que podemos desistir. A gente se programa, se prepara, tem um foco, mas em algum momento esse foco pode ser diferente”, destaca a psicóloga. “No dia-a-dia, vemos muitas situações assim relacionadas ao trabalho. Por exemplo, uma pessoa que cursou uma faculdade ou exerce uma profissão para cumprir a expectativa da família. Por tentar atender às expectativas dos outros, a pessoa acha que desistir é um fracasso porque estaria decepcionando mais pessoas.”

A própria Simone Biles apontou para a pressão externa que vive e declarou:  “Acho que a saúde mental é mais importante nos esportes nesse momento. Temos que proteger nossas mentes e nossos corpos e não apenas sair e fazer o que o mundo quer que façamos”, afirmou a atleta, que já foi quatro vezes medalhista de ouro nas Olimpíadas.

Reconhecer-se limitado

“Eu não queria ir lá, fazer algo estúpido e me machucar. Sinto que muitos atletas se manifestando realmente me ajudou. É tão grande, são os Jogos Olímpicos. No fim de tudo, não queremos sair carregados de lá em uma maca”, disse a competidora. 

A equipe de ginástica dos EUA declarou em nota: “Simone continuará a ser avaliada diariamente para determinar se participará ou não nas finais de eventos individuais da próxima semana. Apoiamos de todo o coração a decisão de Simone e aplaudimos sua bravura em priorizar seu bem-estar. Sua coragem mostra, mais uma vez, por que ela é um ícone para tantas pessoas.”

A resiliência tem limite

A psicóloga diz que buscar atendimento profissional é sempre o mais adequado, mas pode aliviar o sofrimento também a conversa com pessoas queridas, praticar exercícios e se engajar em atividades que deem prazer. “Se perceber, se observar e se respeitar também já é um grande passo”, completa Valeska.

Então está tudo bem desistir, por vezes é realmente o melhor a se fazer. Mas lembre sempre que Deus nunca desiste de você, custe o que custar, nós somos limitados, Ele não. Confie Nele todo os seus planos, medos, sonhos e acredite que Ele fará o que for melhor. E se por acaso, desistir seja o melhor para você, tenha a certeza que Deus te fará algo muito melhor.


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