Neste ano, o retiro da semana santa tem como tema “Eu venci o mundo”, baseado no Evangelho de São João. No primeiro dia de retiro, sexta-feira santa, trilhamos um caminho espiritual da repulsa ao amor a Cruz de Cristo.
Com os questionamentos do referencial da vida de cristão, iniciou-se este dia. A partir de qual referencial você tem vivido sua vida de Cristão? A partir de você mesmo? A partir do mundo? A partir de Deus?
Corre-se o risco de viver um cristianismo fora de Deus a partir de si mesmo, quando se vive aquilo que é mais cômodo, quando se vive as vontades próprias, quando se busca somente o bem-estar pessoal.
Vive-se uma vida em Deus, sem Deus, quando não se aprofunda na oração em meio a dificuldades que assolam ou quando sobrevêm as tentações e as crises. Como viver esses momentos distantes d’Aquele que conosco pode vencer?
Corre-se o risco de viver um cristianismo fora de Deus a partir do mundo quando deixamos crescer em nós os desejos de possuir, de fazer, de querer ser grande.
“Deus nos livre de viver uma vida em Deus, sem Deus”. Nós somos chamados a voltar a viver nossa vida de cristão segundo a forma de Deus.
Uma realidade nos cerca: o homem velho e o novo se digladiam dentro de nós. Um, deixa ser levado pela vida, pelas ocasiões. O outro, trava uma batalha para viver a vontade de Deus. Nessa luta intensa, a repulsa e o amor também se enfrentam.
De um lado, somos tentados a permanecer na nossa vontade, naquilo que é cômodo. Essa vida, sem luta, sem sair de si, produz uma vida estéril. Essa é a via da repulsa à cruz.
De outro lado, somos chamados a sair de nós, tal como Cristo fez. Ele despojando-se da sua condição Divina de imortalidade, assumiu a condição humana. Assumindo a condição humana, despojou-se como o mais miserável dos homens. Sendo santo, morreu como um malfeitor, pelo meio mais humilhante de morte entre os judeus, a cruz.
Tal morte, produzida na dor, fecundou a terra e a nossa vida germinou a partir da oferta de Cristo. A Cruz, loucura para os gentios, é o sinônimo de vida, de esperança e de felicidade para nós.
Hoje, nós somos chamados a ter também uma vida fecunda. Somos chamados a nos unir a Cruz de Cristo e nela vencermos todas as nossas concupiscências. Essa é a via do amor.
O Senhor deseja alargar nosso coração para acolher e amar cruz, para nos decidirmos por ela e, a partir disso, retornamos a viver sob a forma de Deus, deixando que o Evangelho encontre lugar em nossas vidas pela força gloriosa da Cruz de Cristo.