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“Deus ama quem dá com alegria”: Dom José Antônio destaca a doação de vida no Retiro da Diaconia Geral

Arcebispo emérito de Fortaleza abriu, nesta segunda-feira (10), o primeiro retiro a reunir todos os missionários que vivem e trabalham na Diaconia Geral da Comunidade Shalom

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Dom José Antônio abre Retiro da Diaconia Geral

A Palavra de Deus como luz, a alegria de doar e a certeza de que a vida entregue a Deus produz frutos. Esses foram alguns dos principais pontos da homilia de Dom José Antônio Tosi Marques, arcebispo emérito de Fortaleza, na abertura do Retiro da Diaconia Geral da Comunidade Católica Shalom, nesta segunda-feira (10), na Igreja do Ressuscitado que passou pela Cruz, em Aquiraz (CE).

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O retiro tem um caráter inédito. Pela primeira vez, reúne todos os missionários que vivem e trabalham na Diaconia Geral, sede do Governo Geral da Comunidade. Ao iniciar os dias de oração e discernimento, Dom José convidou os participantes a deixarem a Palavra de Deus iluminar as perguntas sobre o presente e o futuro da Obra confiada a eles.

“Nós acabamos de ouvir a Palavra de Deus, e é ela que deve ser luz no nosso caminho, fonte da nossa própria vida.”

“Deus ama quem dá com alegria”

Ao refletir sobre a primeira leitura, Dom José chamou a atenção para uma expressão atribuída a Jesus e preservada pela tradição da primeira comunidade cristã: “Deus ama quem dá com alegria”.

Ainda de acordo com o arcebispo, essa palavra encontra sua explicação no Evangelho por meio da imagem da semente. Aquilo que Deus planta no coração do homem precisa ser entregue para que possa gerar frutos. Como o grão de trigo precisa morrer na terra, também o discípulo é chamado a gastar a própria vida por amor.

“Quem quiser ser dono da sua vida vai perdê-la. Mas quem gastar a sua vida, como Jesus, como semente que cai na terra, vai produzir muitos frutos.”

A reflexão toca diretamente o sentido da missão vivida pela Diaconia. Para Dom José, a fecundidade da obra de Deus não está primeiramente na capacidade humana, mas na disposição de oferecer a própria vida, com alegria e confiança na ação do Senhor.

Uma vida doada em vista das próximas gerações

Diante dos missionários reunidos, o arcebispo emérito lançou também um olhar para o futuro. Ele questionou como será a obra de Deus quando as primeiras gerações já não estiverem presentes. A resposta, segundo ele, passa pela permanência de uma atitude fundamental: a alegria de doar a vida.

“Se mantiver a alegria do doar, se mantiver a vida doada como um grão que morre para produzir fruto, confiante na palavra e na promessa e na ação de Deus, vai produzir muitos frutos. Frutos para a Igreja e frutos para o mundo.”

Dom José ressaltou que a missão não pode ser sustentada pela confiança nas próprias forças. Bem como as fragilidades fazem parte da experiência humana, mas é justamente a confiança em Deus que permite à sua obra avançar

Ainda em sua homilia, Dom José ressaltou que a entrega de vida ultrapassa a própria geração. Uma vida entregue a Deus pode produzir frutos que o missionário talvez nunca veja, alcançando pessoas e gerações futuras.

O Ressuscitado que passou pela Cruz

A própria Igreja do Ressuscitado, onde o retiro é realizado tornou-se parte da reflexão. Ao recordar que o templo é dedicado ao Ressuscitado que passou pela Cruz, Dom José apresentou a cruz como caminho indispensável para a fecundidade cristã.

Igreja do Ressusciado que passou pela Cruz

“Sem passar pela cruz, não há ressurreição. Sem passar pela cruz, a vida não vai brotar e se desenvolver, multiplicar.”

Para o arcebispo, tomar a cruz não significa necessariamente enfrentar grandes acontecimentos ou sofrimentos extraordinários. A cruz também está presente nas pequenas escolhas de cada dia: renunciar a si mesmo, não colocar os próprios interesses no centro, fazer a vontade de Deus e entregar-se inteiramente a Ele. É justamente nessa fidelidade cotidiana, muitas vezes escondida, que a vida começa a produzir frutos que podem alcançar muito além do que é possível perceber.

“A gente não pode parar”

A reflexão também passou pelo episódio da Transfiguração. Dom José recordou que Pedro, Tiago e João desejaram permanecer no monte depois de contemplarem a glória de Jesus. Cristo, porém, os conduz novamente para o caminho. A experiência do monte não era o destino final. Era preciso descer e seguir com Jesus rumo à entrega. Da mesma forma, o retiro não pode ser compreendido como um lugar para permanecer distante da missão, mas como um tempo de escuta e renovação para voltar à vida com uma disposição ainda maior de doação.

“Eles depois vão entender que o que eles carregam de Jesus é a sua doação de amor. E essa doação de amor vivida entre eles e dada com alegria a todos, isso é que vai produzir frutos e frutos.”

Ao recordar os mais de dois mil anos de história da Igreja, Dom José destacou que a passagem da cruz à ressurreição sempre esteve presente na caminhada do povo de Deus. Mártires e santos, homens e mulheres que entregaram a própria vida, tornaram-se como sementes que desapareceram, mas produziram frutos abundantes.

Na data em que a Igreja celebra a memória de São Lourenço, o arcebispo apresentou também o mártir como testemunho dessa lógica do Evangelho: uma vida que não se preserva para si mesma, mas se oferece por amor.

Colaboradores da obra de Deus

Ao concluir a homilia, Dom José recordou aos missionários que o chamado recebido não é fruto de um mérito pessoal, mas da misericórdia de Deus. O Senhor chama homens e mulheres frágeis para serem colaboradores de sua obra, fazendo com que a vida oferecida alcance não apenas o presente, mas também a eternidade.

“Não por nosso merecimento, mas por sua imensa misericórdia, de fazer de nós colaboradores da sua obra, não só para este mundo, mas para a eternidade.”

Ao final, Dom José confiou os dias de retiro à bênção de Deus, recordando a promessa do Salmo: “A sua descendência será forte sobre a terra. Abençoada a geração dos homens e mulheres retos.”

Uma história de proximidade com a Comunidade Shalom

A presença de Dom José Antônio na abertura do retiro também expressa uma longa história de proximidade com a Comunidade Católica Shalom. Nomeado arcebispo de Fortaleza em 1999, acompanhou de perto o desenvolvimento da Comunidade na Arquidiocese e sua expansão missionária pelo mundo. Ao longo desse período, presidiu diversas celebrações nas quais a Comunidade esteve presente, ordenou sacerdotes e acompanhou a formação de seminaristas. Durante o governo pastoral de Dom José, a Comunidade recebeu o reconhecimento pontifício e a aprovação definitiva dos seus Estatutos, em 2007 e 2012, respectivamente.

Após a fundação da Comunidade Shalom, em 1982, Dom José Antônio foi o terceiro arcebispo de Fortaleza a acompanhar sua caminhada. Antes dele, Dom Aloísio Lorscheider acompanhou o nascimento da Comunidade e teve participação decisiva na história vocacional de Moysés Azevedo, enquanto Dom Cláudio Hummes, em 1998, concedeu a aprovação diocesana à Comunidade.

Em dezembro de 2024, durante a celebração de seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, Moysés Azevedo, afirmou que a história da Comunidade se confunde, em muitos aspectos, com a trajetória de Dom José nos últimos 25 anos. O fundador recordou ainda a presença do arcebispo como pastor e conselheiro para ele e para a Comunidade.

Mesmo após se tornar arcebispo emérito de Fortaleza, Dom José permanece próximo à Comunidade. Em outubro de 2024, esteve na Dedicação da Igreja do Ressuscitado que passou pela Cruz, na Diaconia Geral. Sua presença na abertura deste retiro retoma uma história marcada pela comunhão, pelo acompanhamento pastoral e pelo desejo de que a vida entregue a Deus continue produzindo frutos para a Igreja e para o mundo.

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