No dia 28 de julho, faz exatamente 22 anos daquela noite que transformou a minha vida para sempre.
Eu era apenas um adolescente no Parque do Cocó. Fui convidado por uma amiga, a Fernanda, para ir ao Festival Halleluya. Apesar de ser muito jovem, eu carregava o peso de feridas, traumas e marcas de um passado que me machucava. Lembro-me de que fiquei caminhando pelas extremidades, bem nas margens da multidão, porque não queria passar no meio do povo: era um terreno desconhecido e eu tinha receio.
Só que os planos de Deus eram outros. Enquanto andávamos sem rumo, minha amiga avistou uma pessoa e me levou até ela. Parou-nos e apresentou-me a uma senhora bonita, loira, de olhos claros e de um sorriso extremamente acolhedor: a Emmir Nogueira.
A Fernanda olhou para ela e disse: “Olha, Emmir, esse aqui é o Adney. Ele está vindo pela primeira vez.”
A Emmir olhou bem no fundo dos meus olhos e falou com um carinho que me pegou de surpresa: “Que bom que você está aqui. Eu queria tanto encontrar você… Tenho um presente para lhe dar.”
Ela me pegou pelo braço e, enquanto andávamos e conversávamos, levou-me direto para o backstage. Naquela época, tudo ainda era muito simples. Fiquei sentado em uma salinha aguardando, ao lado de alguns artistas. Recordo-me de ver ali a Ziza Fernandes, o Padre Fábio de Melo (que, na época, ainda era um jovem seminarista), Celina Borges, Suely Façanha e outros que eu ainda não conhecia.
Pouco tempo depois, a Emmir voltou, sentou-se ao meu lado e começou a conversar comigo. Tocou no meu ombro, perguntou com paciência como eu estava e como estavam os meus pais. Parecia que ela já me conhecia, parecia alguém da minha própria família. Em seguida, rezou por mim. Não houve julgamentos, cobranças ou discursos. Na simplicidade daquela oração, fui alcançado de um jeito avassalador. Ali, entendi o que era o amor de Deus: senti-me acolhido, profundamente amado e, acima de tudo, perdoado de tudo o que eu trazia na alma.
Assim que saí dali, a única coisa que meu coração pedia era me reconciliar com Deus. Fui direto para a Praça da Misericórdia, onde havia confissões, e entrei na fila que ficava perto de Jesus Eucarístico. Confessei tudo e selei aquela paz na minha vida. Em seguida, entrei em outra fila para visitar as relíquias de Santa Maria Madalena, uma novidade no evento naquele ano, trazida por Dom Dominique Rey, bispo francês da Diocese de Fréjus-Toulon. Naquela fila, eu só sabia chorar. Um choro de alívio e de consolo. Quando cheguei diante das relíquias, rezando em meu íntimo, disse: “Madalena, assim como você correu para anunciar Jesus, eu também quero viver essa experiência.”
A partir daquela noite, nasceu em mim um desejo incontrolável de estar com Deus. Foi ali que o germe da vocação Shalom desabrochou. Por ser muito novo, ainda não tinha como ingressar na comunidade, mas continuei firme na Renovação Carismática, sempre por perto. Anos mais tarde, já maior de idade, entrei para o grupo de oração e comecei a trilhar esse caminho de paz. Parti em missão, ingressei na Comunidade de Vida e hoje sou um membro consagrado da Comunidade de Aliança, caminhando para as minhas promessas definitivas.
Hoje, olhando para trás e vendo onde a graça de Deus me trouxe, contemplo a Sua fidelidade. Aquele abraço no Cocó não ficou guardado no passado: despertou vocação, despertou-me para a vida e se tornou o meu “sim” diário. E, como diz o Padre Cristiano Pinheiro na letra da canção És o Sentido: “O Tempo esconde o que é ETERNO”.
E o Eterno se apresentou a mim!
Adney Pinheiro
