Minha melhor amiga é uma mulher cheia dos “is”: interessante e imperfeita, intensa e inquieta. Dia desses, saindo do trabalho, eu a vi de blazer e salto alto no Sesc Pompéia, onde, aos domingos, ela aparece vestida toda “hippie”. Diz que pertence a vários mundos, ao corporativo, ao das artes, ao intelectual, ao criativo, e que há várias mulheres dentro da mesma mulher. O mais importante, conta, com aquele olhar de quem reflete muito sobre as coisas, é manter sua “inteireza”. É saber que ela própria sabe: quem ela é.
Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que sentiu a necessidade de se identificar com algum grupo ou lugar. Tentou ser do rock, mas também adora a MPB. Quis ter uma casinha no meio do nada, onde pudesse plantar, mas acabou se mudando para a maior cidade do país, e até que anda bem contente. Ser isso, ou ser aquilo, eram fatores limitantes. Trocou o “ou” pelo “e”. Não excluiu mais possibilidades e vivências. Ela acrescenta, agrega, reúne.
Para conquistar seu lugar na cidade grande, decidiu lutar com unhas e dentes, então, não poupou esforços, batalhou pela igualdade salarial e trabalhou pesado para ter mais credibilidade. Naquele escritório da Vila Olímpia chegou até mesmo a ouvir: “Essa guria é mais macho que muito homem”. Levou tempo até entender que aquilo não era exatamente um elogio.
Tem o que? Um pouco mais de um ano que ela percebeu. Estava exausta. Entrou em uma capela, observou o Santíssimo Sacramento exposto, e contou a Deus suas verdades: “sou competitiva, sou agressiva, quero ser reconhecida pelos meus projetos, pelos talentos profissionais. Às vezes, firo as pessoas e elas me ferem”.
Naquele dia, ela sempre lembra e comenta, foi como se estivesse diante de um homem sábio e gentil, de alguém que olhasse para ela como quem diz “você ainda não se conhece é nada, minha jovem”. E então sentiu como que se ouvisse uma voz tranquila a dizer: “A sua essência é doce”.
Aprendeu que ela é mulher e não “mais macho que muito homem”. Continua a sonhar com seus saltos na carreira, mas não somente por ser dedicada. Ela ama. Ela coloca amor. Sua doação ao trabalho agora lembra aquela doação de mãe que cuida, que enxerga quem está sentado bem ao lado, que acalma os corações aflitos, que traz leveza e descanso ao ambiente de trabalho. Se o dia for propício, ela até aparece por lá de vestido. Seu estilinho feminino nunca mais foi visto como um ponto fraco. Ser feminina é seu ponto alto.
Essa mulher, como tantas, tem lá seus dias ruins, como todas. Tem vez até que se sente uma farsa, como se não fosse capaz de ser tudo aquilo que esperam que ela seja, mas, principalmente, o que ela mesma quer ser para todos. Sente saudades da família que deixou no interior, já chorou por amor e alguma vez pode acontecer de estar bem sensível sem nem saber pelo que é. Ela é gente. E quando eu me sinto triste ouço sua voz dizendo: Levanta! Aliás, é mais do que isso, é uma voz forte e que encoraja: Você é incrível, você é absoluta, agora levanta!
E sabe o que é melhor? Saber que posso contar com ela. Que ela cuida de nós. E que ela está bem à minha frente, todas as vezes em que eu me olho no espelho.
Seja a sua melhor amiga!
Declare teu amor por ti e tenha um feliz Dia da Mulher.
