No dia de Maria, Marta e Lázaro, rememoramos a história desses três amigos de Jesus.
As personagens figuram duas intrigantes histórias descritas no Evangelho que parecem habitar os extremos da imaginação humana. De um lado, o prodígio miraculoso da ressurreição de um homem morto há quatro dias, do outro a singela história de duas mulheres que, em Betânia, recebem um importante hóspede.
As duas histórias – e uma terceira ainda que orbita marginalmente à narração do Evangelho: a de Tomé que, conforme São João Crisóstomo, por ser o discípulo mais fraco na fé, temia ser morto pelos Judeus – nos ensinam providencialmente sobre duas vitais realidades para este tempo de pandemia: a contemplação e a esperança dos amados por Jesus.
A Marta e Maria Jesus faz o mesmo convite que fez à maior parte das grandes obras de evangelização em 2020: que, com humildade e diligência, ficássemos com a melhor parte.
Ele nos chamou à contemplação.
No início desta pandemia, éramos todos Marta, ansiosos por preparar um banquete para Aquele que é o pleno banquete. Fadigávamos e nos inquietávamos com muitas coisas. Nessas faltas e urgências, muitas vezes, distendíamos em muitas direções, tentando alcançar uma moldura maior que a área de nossa própria alma. Queríamos, muitas vezes, realizar como protagonistas, a obra em que figuramos, por misericórdia, como auxiliares.
Jesus nos explica – como explica a Marta – que o deleite de Maria jamais será tirado, mas as fadigas de Marta logo cessarão. Disse-nos a mesma coisa no começo desta pandemia: Nossas grandes obras, nossos grandes eventos, nossos planos, nossas reuniões serão nada no céu; perdurará, no entanto, de forma perfeita, todo o tempo que passamos a contemplar o Verbo de Deus.
Diz Santo Agostinho: “Marta navega, Maria já está no porto”, e completa: “As obras da vida ativa passam com o corpo, os gozos da contemplativa robustecem depois da morte”. Esta é a nossa lição: o tesouro da nossa vida de oração nunca nos será tirada. Nem os governos, nem as meditas sanitárias, nem a doença e nem mesmo a morte no roubarão o maravilhoso banquete em que se deleita aquele que se deita aos pés de Jesus.
Se Maria e Marta nos ensinam a orar, Lázaro nos lembra a esperança dos amados por Cristo. “Ora, Jesus amava Marta, sua irmã Maria e Lázaro” e, por isso, não havia o que temer, afinal, os três irmãos eram amados por aquele que é o consolo, a vida e a cura.
Nós também o somos e se desconfiarmos deste amor por qualquer instante, façamos como o quarto personagem dessa história e toquemos as feridas do Ressuscitado que passou pela cruz.
Como Tomé que, antes desta inigualável experiência temia a morte pelos judeus, depois, seremos novamente lançados até os confins da terra, nas mãos de povos que nos odeiam, de doenças que nos ameaçam e de outros perigos mais, que não detêm a mínima autoridade sobre nossa vida e nossa morte, pois certos estamos que – como a Marta, Maria, Lazaro e Tomé – “Ele nos ama”.
Marília Bitencourt
Consagrada Comunidade de Aliança
