Hoje é dia de quê? Foi a pergunta jogada na redação antes de fazer esta pauta. Uns gaguejaram, outros apostaram em um nome de santo ou aniversário de alguém. E a curiosidade aumentou até que, finalmente, depois de muitas pistas, um gritou entusiasmado, acho que com as memórias de infância:
– Hoje é 19 de abril, dia do índio!
Quantos de nós, um dia na escola, não se fantasiou de índio? Cocar, penas coloridas, dois traços largos pintados em cada lado do rosto, o falso arco e a flecha cega, sem falar na gritaria selvagem da brincadeira e do desejo real da fantasia. Até hoje nas escolas infantis se comemora “ludicamente”, entre as crianças, o dia daqueles que já foram os donos da terra Brasil.
A influência do índio na formação da cultura brasileira é incalculável, além de deixar sua marca na língua e no folclore, os indígenas influenciaram fortemente a culinária. Quem aí não gosta de uma tapioca? Muitas palavras que fazem parte do no nosso dia a dia têm origem indígena (cerca de 20 mil palavras) como: abacaxi, arapuca, arara, capim, catapora, cipó, cuia, cumbuca, cupim, jabuti, jacaré, jiboia, mandioca, mingau, minhoca, paçoca, peteca, pindaíba, pipoca, preá, toca, traíra, xará.
Os índios brasileiros também difundiram o uso da rede de dormir, melhor soneca não há! Há também a prática da peteca e o tradicional banho diário, costume desconhecido pelos europeus do século XVI e do XXI.
O santo catequista
Jesuíta, São José de Anchieta, canonizado pelo Papa Francisco, é conhecido como o Apóstolo do Brasil. Chegou em 1553 ao país, por onde viajou a pé ou de barco, participou da fundação das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo e, com espírito missionário, catequizou índios e colonos.
Conta-se que em 1563, com o apoio dos franceses, a tribo dos Tamoios se rebelou contra a colonização portuguesa. Anchieta teria se oferecido como refém na aldeia de Iperoig.
Durante os cinco meses em que esteve no cativeiro na praia, Anchieta resistiu à tentação de aceitar mulheres oferecidas pelos índios, cortesia comum aos prisioneiros antes da morte. Para manter a castidade, o jesuíta fez uma promessa à Nossa Senhora de que escreveria um poema em sua homenagem. Ele, então começou a escrever os 4.172 versos do “Poema à Virgem”, na areia. Anchieta foi liberto e saiu são e casto. De memória invejável, o santo logo depois transcreveu o poema para o papel. A manutenção da virgindade e da castidade acontecia por meio da oração e da confiança em Deus.
Atualmente, calcula-se que apenas 400 mil índios ocupem o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo. São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas.
Hoje, de fato, os índios são minoria. Mas, o legado indígena na herança da miscigenação do povo brasileiro permanece fortemente em nosso meio, como imagem e semelhança de Deus, que nos faz exclamar que todo dia é realmente dia do índio.
Angela Barroso
