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Entrevista com integrante da equipe que planejou o Barco Hospital Papa Francisco

A estudante de engenharia naval partilhou sobre a experiência de participar de um projeto que tem significativo impacto social.

comshalom

Natasha Noronha, 22 anos, da missão da Comunidade Católica Shalom em Belém – PA, fez parte da equipe que planejou o Barco Hospital Papa Francisco. O navio, que está em missão em regiões ribeirinhas do estado do Pará desde o mês passado, foi construído em Fortaleza – CE. A estudante de engenharia naval partilhou sobre a experiência de participar de um projeto que tem significativo impacto social.

SH: Qual a sua visão em relação ao Barco Hospital Papa Francisco? Qual o impacto que ele vai causar na vida do povo?

Natasha: Ter participado desse projeto foi mais um dos grandes cuidados de Deus na minha vida e na vida de todos aqueles que serão beneficiados com o barco hospital. Foi a primeira embarcação na qual ajudei de algum modo no meu primeiro estágio, que veio em um período no qual eu tinha muitas dúvidas sobre meu curso (se eu era realmente capaz de seguir esse caminho, se era a vontade de Deus para mim etc.).

Lembro que quando meu chefe, na época, me contou sobre o barco hospital, mostrando que aquele trabalho alcançaria um povo tão negligenciado e necessitado e que essa iniciativa partia do coração da Igreja, fiquei muito feliz e muito grata. Disse:

“Meu Deus, o primeiro navio no qual vou ajudar se chama Papa Francisco!”

Eu vejo o projeto como uma grande mostra do ser Shalom: olhar voltado para os pobres, chorar com os que choram ao se gastar para que quem precisa seja também cuidado, usar da profissão para levar o amor de Deus, “ser missionário” até por meio de cálculos em um computador que gerarão vida a quem um dia for atendido nessa embarcação.

A Igreja, mesmo tão atacada e perseguida, continua dando como resposta a caridade, e o barco hospital é prova disso. especificamente no ser Shalom, somos chamados a ser estes que desconhecem limites quando se trata de dar tudo de si para evangelizar. Tudo que tenho, todas as minhas capacidades, devem ser empregadas para que as pessoas se saibam amadas por Deus e possam, livres, amá-Lo de volta.

Quando eu pensava que não era adequada ou capaz no meu curso, Deus me mostrou, mais uma vez, que “um coração inflamado por este amor tudo realiza”. No barco hospital, as pessoas serão cuidadas não somente no que se refere à saúde do corpo, mas da alma. Tem até uma capela nele!

SH: Como foi participar desse projeto?

Natasha: Sempre que passo por alguma dificuldade maior no curso, lembro desse projeto. Não foi coincidência que a primeira embarcação na qual contribui na vida se chame Papa Francisco, seja em vista dos pobres e excluídos e tenha nascido do olhar atento da Igreja. Para mim, tudo faz parte da condução de um Deus que não se deixa vencer em generosidade e quer utilizar de todos os dons que nos dá em vista da humanidade, da evangelização, do cuidado com o outro.

Esse projeto me lembra sempre sobre ser “a feliz terceira”. Quando me canso, quando fico frustrada, quando me sinto sozinha na graduação (meu curso tem poucas mulheres e um ambiente difícil) lembro que tudo, até a minha profissão, tem como fim último Deus. Não é para mim, não é em vista da minha própria realização e felicidade. Como diz o Moyses, não encontramos felicidade quando vivemos em vista de nós mesmos, mas em vista do outro, e esse barco é prova disso. Ele nasce da preocupação com o outro, que vem do amor recebido do grande Outro que é Deus.

Tudo isso ficou ainda mais marcado em mim durante todo o processo de contribuição no projeto, sempre que eu não sabia como resolver um problema proposto e sempre que achava que não iria conseguir concluir alguma tarefa relacionada a ele, o mesmo Deus que me deu a graça de participar de algo tão bonito e grandioso foi o que me sustentou diante das minhas limitações e me fez crescer não só academicamente, mas espiritualmente também.

SH: Conte-nos um fato curioso que você viveu durante a construção do projeto.

Natasha: Esse projeto foi de certo modo engraçado porque foi onde eu vi as coisas realmente acontecendo, aquilo que na faculdade era mais teórico foi tomando forma, enfim, foi uma verdadeira escola. Lembro-me de um dia em que estava calculando a quantidade de materiais para alguns dos compartimentos da embarcação e fiquei pensando em como esses números realmente se tornam coisas visíveis e úteis para vida das pessoas que um dia estarão ali, terão histórias e recordações daquele projeto que se fez realidade.


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