Na última quarta-feira, 14, a Comunidade Shalom anunciou que fundará uma casa de missão em Seul, cidade da próxima Jornada Mundial da Juventude (2027). Para a fundação, serão enviados cinco missionários do carisma. Entre eles, Vitória Oyama, manauara que tem descendência asiática. Ela partilhou com nossa redação sua expectativa para esse envio:
“Acredito que fomos e estamos envolvidos por uma grande graça neste período pascal, a começar pelo próprio Cristo Ressuscitado e por sua ressurreição se manifestar atrás dos últimos acontecimentos que foram: o falecimento do Papa Francisco e a eleição do Papa Leão XIV.
Então, creio que o anúncio dessa nova missão para a Comunidade em vista do serviço à Igreja na JMJ está completamente ligado a tudo isso. Assim como o impacto da ressurreição de Cristo é uma realidade que nos ultrapassa e não temos como mensurar, minha expectativa é a certeza de que veremos mais uma vez o Cristo Ressuscitado se manifestando de forma real, transformadora e surpreendente na história da humanidade, dessa vez em um lugar tão singular através de um evento tão milagroso que é a JMJ.
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Receber essa notícia de Deus foi uma grande alegria ao meu coração, tive a certeza de que o Senhor estaria comigo, pois como toda missão é sobrenatural, essa também necessita da sua graça. Ao refletir o lugar de missão, revisitei a minha história familiar, pois minha mãe é cearense, nascida em Fortaleza, e meu pai natural de Manaus, tem descendência japonesa. Os meus bisavós paternos vieram para o Brasil em 1933 e desde então não voltaram para o Japão.

Então, relembrei muito do meu avô, dos seus costumes, da minha relação com ele, da minha infância e pude me interessar novamente pelas minhas origens e ser inserida por Deus em um caminho mais profundo de autoconhecimento. Já posso dizer que minha missão no Continente Asiático já começou muito antes de eu chegar na Coreia, pois o Senhor me convidou a partir primeiramente para o meu interior e a sua Glória foi ressignificando as minhas origens.
Cresci escutando que a diferença entre coreanos, japoneses e chineses é mínima ou quase nada. O que não é verdade e gera em alguns nativos ou descendentes uma certa impetuosidade de corrigir esse tipo de comentário, pois são culturas diferentes com belezas específicas. Porém, meditando o amor de Deus pela humanidade, a inculturação de Maria nas suas aparições, meu envio para a Coreia e o lema do Papa Leão IV em que diz “no único Cristo somos um”, sou impelida a confirmar esses comentários, pois o Cristo Ressuscitado é quem deve refletir em nós, até chegar em um nível em que a diferença entre o seu rosto e no nosso rosto seja mínima ou quase nada, que a diferença entre a vida do evangelho de Cristo e a vida do povo asiático seja mínima ou quase nada. Devemos chegar a um ponto em que não ter diferenças gere em nós uma profunda alegria, pois o rosto dos cristãos deve ser o rosto do próprio Cristo, como nos relembra o Papa: “no único Cristo, somos um”. E sobretudo para mim, como missionária da Comunidade Shalom, espero que meu rosto na Coreia não seja apenas de uma descendente japonesa, mas que seja o rosto de quem viu o Ressuscitado que passou pela Cruz.
Por isso, ser enviada à cidade que sediará a JMJ — e, sobretudo, poder servir e ser testemunha da ação de Deus na vida de tantos jovens — é para mim uma obra de constrangimento, abandono, pobreza, cura e renovação do meu amor por Cristo e pela humanidade inteira. Ainda no Brasil, começo a me aproximar do povo coreano e me contento, por ora, com o que o mundo digital pode oferecer. Mesmo que limitado, esse conhecimento virtual já revela muito da riqueza silenciosa, da resiliência, da nobreza e da profundidade de um povo que anseio amar e servir mais de perto.
Que a Virgem Maria nos ensine a partir sempre apressadamente para a vontade de Deus.”
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