Meu nome é Maria Hionália Lopes Gomes, tenho 42 anos, sou missionária da Comunidade Católica Shalom Comunidade, na Comunidade de Vida e moro na missão de Maceió – Alagoas. Venho partilhar um pouco da minha experiência no estado de vida do Celibato.
Antes de ingressar na Comunidade, eu sentia um forte chamado a uma vida diferente, mas eu não tinha dimensão do que seria. Comecei a participar da Obra Shalom em 2001, na época eu namorava e, claro, como o normal, queria casar, ter minha casa, meus filhos.
Ingressei na Comunidade em 2004 e desde ali foi crescendo em mim o desejo de ser toda de Deus, olhava para os irmãos celibatários, achava belo, mas ao mesmo tempo percebia uma beleza na vida consagrada e pensava “deve ser a consagração”, e ainda estava muito cedo para pensar em estado de vida. O tempo foi passando e a cada experiência eu me sentia atraída por um amor único.
No segundo ano de discipulado, eu fui para o retiro dos candidatos ao celibato (2006), me encantavam as partilhas, testemunhos dos irmãos e claro as pregações do Moysés, que como uma espada, entravam rasgando todo o meu ser, e eu pensava “Eu sou isso aí que ele tá dizendo”. Quando fui fechar o discernimento com minha formadora, eu lembro que eu disse “Olha, eu acho que é isso mesmo, mas vai que Deus quer que eu me case…”. Existia uma insegurança e muito medo.
O tempo de celibato formativo me ajudou a crescer na escuta da voz de Deus e na descoberta da Sua vontade, Deus me chamava ao Celibato. Em abril de 2007, fiz a consagração no Carisma (primeiras promessas) e também de primeiros votos no Celibato. Em agosto de 2007, fui transferida para a missão de Madagascar onde fui entendendo o estado de vida e a missão; Deus me consagrou e me desposou em vista de um povo.
Os primeiros anos não foram fáceis, muitas vezes eu pensava “Meu Deus, é isso mesmo?”, as pessoas me olhavam e diziam: “Tem algo diferente em você”, sem nem mesmo elas saberem o que era o celibato. Na primeira renovação dos votos, lembro que alguns jovens e até mesmo os pais deles ficaram muito surpresos ao saber que eu tinha feito votos e começaram a me perguntar muitas coisas… “Mas você não vai casar? Como assim, não vai ter filhos?” Foi uma experiência forte! Ali descobri que minha vocação encontrava força e sentido POR ELES.
Voltei para o Brasil e comecei a viver o processo de preparação para os votos perpétuos, tempo de muitos conflitos dentro de mim e também de muitas e grandes tentações. Lembro que uma vez nas minhas férias pessoais eu, muito mexida, fazia um passeio na minha história de vida para aprofundar e pensava até em desistir. Minha mãe disse: “Tenho muitos netos, só faltam os da Hionália. Eu pensava que ela ia me dar os primeiros por ser a filha mais velha”, e minha irmã falou: “Mãe, ela tem mais filhos do que todos os netos e filhos que a senhora tem”. Pense numa palavra de sabedoria!
Uma coisa que me ajudou sempre no caminho de discernimento foi perceber que era vontade e chamado de Deus. Isso foi me sustentando em todos os momentos onde me surgiram dúvidas, onde também por minhas limitações eu me via incapaz de corresponder. Fiz os votos perpétuos em 2017, sou encontrada, feliz! Este é o meu lugar: ser alma esposa, toda de Deus, responder mesmo nas minhas limitações, mas com muito desejo ser fiel a cada dia.
Posso afirmar que o “celibato é sim um pedaço de Céu na terra” e que viver aqui é desejar amar e ofertar toda a minha vida por aqueles onde o Senhor me enviar. Sou grata a Deus por este sublime chamado.