Formação

Festa de Cristo Rei

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Com esta festa, encerra-se o ano litúrgico. Para evidenciar que não foi em vão sua morte na cruz, formam a coroa viva desse Rei, primeiramente, os santos e santas, cuja memória a Igreja celebra no percurso de cada ano. Fazem parte também dessa coroa, santos e santas anônimos que na Terra realizaram a vocação de filhos de Deus, como ainda a incontável multidão dos que “lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro”, conforme a visão do Apocalipse.

Por fim, completam a coroa do Rei, aqueles que se empenham, neste mundo, por praticar as Bem-aventuranças anunciadas por Ele. Todos que reconhecem em Jesus Cristo o Rei chamam-no de Nosso Senhor. O cristão não tem outro Senhor. Na medida em que torna íntimo seu encontro com Ele, é movido pelo Espírito Santo a confessar-lhe sua convicção de fé: “só Vós sois o Senhor!”

Nesta festa, o objeto do culto prestado a esse Rei não é um determinado aspecto de sua pessoa, nem mesmo algum momento de sua vida, mas a sua própria pessoa sob o título que é síntese de todos os seus títulos: seu próprio ser de verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que faz reconhecê-lo como “o Rei dos reis e o Senhor dos senhores”. Importa conhecer, antes de tudo, o sentido da expressão: Cristo Rei.

Se o reconhecemos como o verdadeiro Deus, vemos Nele o Rei da Criação: “tudo foi feito por meio Dele e sem Ele nada foi feito” (Jo 1,3). Sendo verdadeiro homem, em razão de sua obra redentora, proclamamos com o Apóstolo Paulo: “ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra. E, para a glória de Deus Pai, toda língua confesse: Jesus é o Senhor” (Fil 2,10 -11).

Os reis da terra não se sentem como tais sem riquezas, prestígio, corte, poder… Mas aquele a quem chamamos de Nosso Senhor recebeu sua investidura de Rei ao ser entronizado na cruz com uma coroa de espinhos na cabeça e ouvindo palavras de zombaria: “Se és Rei, salva a ti mesmo” (Lc 23,37). Sua primeira medida no exercício da realeza foi oferecer o perdão aos seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

No alto da cruz, acima de sua cabeça, afixaram a inscrição: “Este é o Rei dos judeus” (Lc 23,33). Tratava-se de uma provocação de Pilatos aos que o pressionavam, a todo custo, para sentenciar de morte a quem imputavam a acusação: “Achamos este homem fazendo subversão entre nosso povo, proibindo pagar tributo ao imperador e afirmando ser Ele mesmo o Messias, o Rei” (Lc 23,2).

Encontrava-se pendente na cruz o verdadeiro Rei, oferecendo sua vida pela vida do mundo por declarar-se o Messias predito pelos profetas. Ele fez questão do seu título de Rei, no Pretório, frente a Pilatos: “sim, eu sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve minha voz” (Jo 18,17).

A verdade desse rei é que ele quer ser Senhor para ser aquele que serve: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. Esta é a marcante lição que deixou a seus discípulos no Lava-pés, durante a Última Ceia: “Eu lhes dei o exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que Eu fiz” (Jo 13,15). Lição esta que os discípulos jamais podem esquecer: quem ocupa posição de mando (de autoridade) deve entender que foi investido da responsabilidade de servir.

A verdade desse Rei, ainda, é que sua soberania não se exerce pela força, mas pelo amor. Soberano realmente é aquele que ama. Diga-se mais: a verdade desse Reino – “ele não é desse mundo”, mas está entre nós e dentro de nós, conforme seu ensinamento. Seu Reino nasce pequeno como o grão de mostarda, “embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras plantas”.

Seu Reino penetra como o fermento na massa, sem ser visível. Seu Reino é como o trigo em meio ao joio, e para extirpar-se o joio deve-se esperar a colheita. Seu Reino precisa ser procurado e encontrado como o tesouro escondido. Portanto, esse Reino é real, concreto, atuante e tudo transforma.

Esta, a Boa-Nova anunciada: quem dá testemunho, com sua vida, de servo desse Rei, sente-se reinando no meio do mundo e no meio dos homens. Sente-se como Deus o criou, fazendo Dele rei da criação; sente-se servo de quem o redimiu por meio da cruz para viver “a liberdade dos filhos de Deus”. Sente-se feliz por servir aos outros com amor de irmão, tendo aprendido com seu Mestre e Senhor, que servir é reinar. Foi esse Mestre que nos ensinou a rezar ao Pai: “Venha a nós o vosso Reino”.

Fonte: Catolicanet


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