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Grávida na Pandemia: A vida pulsa e espera o momento da chegada do filho ao mundo

Chega logo, pequeno Miguel. A sua vida já é esperada e repleta da ação da Divina Providência.

Grávida na Pandemia: A vida pulsa e espera o momento da chegada do filho ao mundo

Débora Pires, missionária da Comunidade Católica Shalom, está grávida e conta como vive sua pandemia a espera de uma nova vida:

Ao olhar para a vida e para tudo o que me cerca nesse exato momento, eu poderia dizer que é uma imensa loucura tudo o que estamos vivendo, não é verdade?

Mas minha primeira experiência como mãe biológica está sendo um grande aprendizado. Várias mudanças e descobertas no meu corpo. Um corpo que, por sua natureza e finalidade de criação, se adapta, sem minha ordem, comando ou qualquer controle, para receber e gerar uma vida.

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Um turbilhão de hormônios que às vezes me faz chorar com um pássaro que voa e passa aqui na minha janela, ou que chora porque uma orquídea, que ficou 3 meses sem água, depois de receber cuidados, está florindo…

Olhos um pouco mais voltados pra dentro do que pra fora de mim, que me fazem perceber que o essencial está dentro mesmo, e o que está fora são acidentes passageiros, ainda que me façam sofrer ou custem a passar.

Outro grande aprendizado é perceber que não é só a Misericórdia que esmaga a gente de amor não… a providência de Deus também! E muito! Poderia, e com muita razão, me desesperar ao me ver grávida, prestes a dar à luz (faltam 5 semanas para o Miguel chegar!), com esse cenário caótico que estamos vivendo no contexto social, econômico, na saúde…

Bate aquela preocupação – será que o hospital aqui perto de casa está em boas condições para que eu possa ganhar meu filho?

Me preocupo com isso, e às vezes me dá medo só de pensar… Me preocupo se eu também estarei bem de saúde até ele nascer, se ele vai receber todo cuidado e proteção necessários após o nascimento… É muita preocupação para  a primeira viagem de uma mãe.

Mas com tudo isso, não posso negar – de modo nenhum modo – como Deus tem sido extremamente generoso e providente conosco, evidentemente, por causa do Miguel.

Falta um pouco menos do que dois meses para ele chegar e o quarto já está todo pronto, tudo o que ele precisa para viver bem e com dignidade os seus primeiros meses de vida já está aqui, à sua espera.

E muitos podem até pensar: “Mas é claro, Débora, que seu filho ia ganhar tudo… você é famosa! Muita gente te conhece! Você é privilegiada!” É. Tem seu fundo de verdade, mas olho para esse privilégio e vejo como Deus se utilizou disso também pra nos fazer instrumentos de Sua providência para outra família, que no meio da Pandemia, quarentena e suas consequências, se deparou com uma grande dificuldade financeira, desemprego e a chegada de mais um filho.

Miguel nem nasceu e já pôde viver a graça de ser canal da providência para outro irmão! Não digo isso fechando os olhos para todas as realidades que citei, muito menos romantizando essas preocupações e experiências, que são reais, e às vezes, angustiantes…

Mas ver absolutamente tudo o que Deus nos deu em Sua providência, e poder dividir com meus irmãos essa graça, cobre e apaga a multidão de “privilégios”, de preocupações e medos do meu coração de mãe. Isso me fez ver que mesmo dentro de casa, e só podendo sair pra necessidades essenciais, como o pré-natal por exemplo, eu DEVO continuar minha vida missionária, de consagração a Deus, também com os meus irmãos de Comunidade.

No meio do caminho, tiveram e (tem), muitas Lives feitas, muitas por fazer, muitas infelizmente recusadas, vídeos para gravar, laudes e completas pra transmitir, esposo, casa e formandas pra cuidar, quarto do Miguel para organizar na grande espera pela sua chegada… E… a vida não para porque eu me preocupo, e por mais que eu me preocupe, a vida não vai parar.

E é ótimo, é maravilhoso que não pare, porque é exatamente aí que ela acontece: nessa nossa vida, já existente, e nessa aqui dentro do meu ventre e do meu coração.

Quando o Miguel chegar, chegarão novas preocupações, novos medos, novas adaptações, novas necessidades missionárias, e eu e meu esposo já teremos que estar abertos para aprender com tudo isso, mas também, teremos que estar prontos para ensinar o Miguel a entrar neste movimento lindo da vida (que ele já está nos ensinando a viver).

Débora Pires | Missionária da Comunidade de Vida Shalom

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