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Heróis da Fé: A incrível história da pequena Serva de Deus Antonietta Meo

Na manhã do dia 03 de julho de 1937, na festa de São Tomé, exatamente 83 anos atrás, seu pai levantou-se para ajeitar o seu travesseiro e escutou as últimas palavras da filha. A pequena heroína da fé sorriu, suspirou profundamente, e entregou seu espírito ao Senhor.

Heroísmo tem idade? Billy Batson (Shazam), Bart Allen (Impulso), Damian Wayne (uma das versões de Robin) e Jonathan Kent (Superboy) são exemplos de alguns super-heróis com menos de dez anos de idade. Portanto, no que diz respeito aos quadrinhos, é bem possível que um herói alcance esse título já na infância. Então, no que tange à fé, será que podemos encontrar virtudes heroicas também em crianças?

Na semana passada, falamos sobre o mexicano José Luiz Sánchez del Río, que se tornou um mártir da fé com apenas 14 anos, durante o levante popular que ficou conhecido como Cristiada. Todavia, a heroína da fé, retratada na matéria de hoje, é uma Serva de Deus que pode vir a se tornar a santa (não mártir) mais jovem da história da Igreja. Refiro-me a Antonietta Meo, falecida aos seis anos, segundo o teólogo dominicano Garrigou Lagrange, em odor de santidade.

Reparação pelos pecadores

Antonietta nasceu em Roma, no dia 15 de dezembro de 1930. A casa da família ficava a poucos metros da Basílica da Santa Cruz de Jerusalém, na qual estão as relíquias da Cruz de Cristo. A boa condição financeira permitiu que a menina fosse educada, a partir dos três anos, no colégio de freiras que ficava quase ao lado de sua residência, onde recebeu as primeiras instruções da fé.

Antonietta gostava do convívio com as religiosas e com as outras crianças. Até então, apresentava um comportamento típico de sua idade: era alegre, estudiosa e comunicativa. Todavia, antes de completar cinco anos, seus pais notaram que havia uma inflamação em seu joelho esquerdo. Após consultar vários médicos e realizar alguns tratamentos ineficazes, um osteosarcoma foi descoberto e a perna de Antonietta precisou ser amputada em 26 de abril de 1936.

A notícia foi dada à Nennolina (como era chamada por seus familiares) por sua mãe, que lhe perguntou: “Se o Senhor pedisse a tua perna, tu lhe darias?”, ao que respondeu: “Sim, mamãe. Há tantos pecadores no mundo, é preciso que alguém faça reparação por eles”. Após a cirurgia, Antonietta ganhou uma perna ortopédica e voltou a ter uma vida normal, inclusive, seus pais anteciparam a data de sua primeira comunhão, e logo sua mãe passou a lhe ensinar o catecismo.

A vida de Antonietta era poesia

Entrementes, a partir de 15 de setembro de 1936, enquanto era catequizada, Antonietta decidiu escrever cartas, que chamava de poesias, para os seus pais e, depois, ao Menino Jesus, à Virgem Maria, ao Espírito Santo, à Santa Inês e à Santa Teresinha. O teor dos escritos era, ao mesmo tempo, simples, pois se tratava de uma criança de cinco anos, mas também com momentos de profunda espiritualidade, que muitos teólogos, maravilhados, afirmaram não condizer com a idade cronológica da menina, considerando-a, portanto, de uma prodigiosa maturidade aplicada à fé.

O caráter de intercessora de Antonietta aparecia constantemente ao escrever: “Senhor Jesus, dá-me muitas almas!” O frei Garrigou Lagrange, comentando as atitudes de reparação de Antonietta, no livro O homem e a eternidade, disse: “Uma alma que tem o zelo da glória de Deus e da salvação do próximo é levada a fazer reparação pelos pecadores. Assim o fez a menina Antonietta Meo (…) Esse espírito de reparação, que anima a vida dos grandes santos, faz as almas entrarem nas alturas de Deus”.

Antonietta fez sua primeira comunhão na noite de Natal de 1936 e, mesmo com a prótese ortopédica incomodando, ficou por mais de uma hora ajoelhada rezando em silêncio, após a Missa, e também disse: “Jesus, faz com que esta graça esteja sempre, sempre comigo”.

O calvário e a benção papal

Em maio de 1937, recebe o Sacramento da Confirmação e inicia o seu calvário, piorando sistematicamente da sua enfermidade. Embora sofresse dores atrozes, nunca reclamava, a ponto de sua mãe duvidar de que estivesse realmente padecendo. Ao perguntar para o médico se a criança sofria, ele respondeu que não sabia como ela estava suportando tamanho padecimento. A mãe, consternada, retorna para o leito da filha e lhe pede que a abençoe. A criança olha-a ternamente e traça o sinal na cruz em sua testa.

Apesar da doença, Antonietta sempre recebia os médicos, as enfermeiras e os pais com um sorriso, pedia para comungar diariamente e rezava todas as manhãs e noites. Ao todo, a menina ditou ou escreveu mais de 150 cartas durante sua enfermidade. Assim que aprendeu a escrever, assinava como “Antonietta de Jesus”.

Na última, datada no dia 02 de junho, em meio a um ataque de vômito causado pelas dores, Antonietta dita a seguinte mensagem: “Querido Jesus Crucificado, eu te quero e te amo tanto. Eu quero estar contigo no Calvário”. Dias depois, o professor Milani, primeiro médico pontifício, foi visitar a menina e ficou impressionado ao ver tamanho sofrimento sendo enfrentado com grande serenidade. O pai falou-lhe sobre as cartas que a filha escrevia para Jesus. O médico levou uma delas para o papa Pio XI, que se comoveu tanto com o sofrimento da pequena cristã, que enviou-lhe uma bênção papal.

A partir do dia 12 de junho, Antonietta piora severamente. Seus pulmões estão cheios de líquido e foi necessário fazer uma punção. No dia 23, três de suas costelas são removidas, para que pudesse respirar com menos dificuldade. Ao ver a mãe sofrendo terrivelmente por seu martírio, a menina lhe consola:

“Mamãe, fique alegre, contente… Eu sairei daqui em menos de dez dias”. Somente depois, a mãe compreendeu que a filha predissera o dia de sua morte. Seu pai, então, pergunta-a: “Tuas dores são muito fortes?”, e ela responde: “Sim, papai, mas o sofrimento é como o tecido, quanto mais forte, mais tem valor”.

Na manhã do dia 03 de julho de 1937, na festa de São Tomé, exatamente 83 anos atrás, seu pai levantou-se para ajeitar o seu travesseiro e escutou as últimas palavras da filha: “Jesus… Maria… mamãe… papai…”. A pequena heroína da fé sorriu, suspirou profundamente, e entregou seu espírito ao Senhor.

Um coração intacto

Antonietta foi batizada aos 13 dias de nascida, no dia 28 de dezembro de 1930, na Basílica da Santa Cruz de Jerusalém. Sessenta e dois anos após sua morte, seus restos mortais foram trasladados para esta mesma igreja, em 1999. Em meio aos ossos, seu coração foi encontrado intacto. A data do batismo, por providência divina, ocorreu no dia dos Santos Inocentes, aos quais Nennolina se associou perfeitamente, pelo mistério do sofrimento e pela união ao Cristo Crucificado. Seu processo de beatificação foi iniciado em 2007, pelo papa Bento XVI.

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