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Ide e anunciai: um envio que continua a ressoar em Lisboa

Partindo do seu testemunho de vida e da história do nascimento da Comunidade Católica Shalom, Moysés Azevedo esteve em Lisboa para uma tarde de partilha marcada pela gratidão, pela memória das origens e por um renovado apelo à evangelização. À luz do tema “Ide e Anunciai”, o fundador da comunidade recordou que toda a missão nasce de uma experiência concreta do amor de Deus e que cada povo reunido por Ele recebe também uma missão a cumprir.

comshalom

À luz do tema “Ide e Anunciai”, as palavras de Moysés Azevedo permanecem como um convite renovado à missão

Há exatamente um mês, a missão de Lisboa reunia-se para escutar o testemunho de Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Católica Shalom. O que poderia parecer apenas uma partilha sobre a sua história de vida revelou-se, para muitos, um verdadeiro convite a redescobrir a própria vocação missionária.

À luz do tema “Ide e Anunciai”, Moysés conduziu os presentes por um percurso marcado pela ação de Deus: desde as orações da sua mãe antes mesmo do seu nascimento, passando pelo encontro pessoal com Cristo na juventude, até à oferta da sua vida para a evangelização dos jovens, que daria origem ao carisma Shalom.

Mais do que recordar acontecimentos do passado, a sua partilha ajudou-nos a contemplar uma verdade que continua atual: Deus escreve uma história de salvação na vida de cada pessoa e chama cada um a participar da Sua missão.

“Nunca Deus reúne um povo apenas em favor de si mesmo. Quando reúne um povo, confia-lhe uma missão.”

Esta afirmação continua a ecoar de forma particular para a missão de Lisboa. Num tempo em que a Igreja é chamada a anunciar novamente o Evangelho em terras marcadas por profundas raízes cristãs, as palavras do fundador da Comunidade Shalom recordam-nos que a presença da comunidade em Portugal não é fruto do acaso, mas resposta a um envio.

Uma experiência que gera anúncio

Ao longo da tarde, Moysés recordou a experiência de encontro com Jesus que transformou a sua juventude e lhe revelou um amor capaz de dar sentido a toda a vida.

Foi precisamente dessa experiência que nasceu o desejo de evangelizar.

“Quem tem uma experiência viva sente a necessidade de testemunhar, a necessidade de evangelizar.”

Um mês depois, esta interpelação continua atual para todos aqueles que desejam viver o Evangelho de forma autêntica. A evangelização não nasce de uma estratégia ou de um esforço humano, mas de um coração que foi tocado pelo amor de Deus e deseja partilhar com os outros aquilo que recebeu gratuitamente.

Da experiência do amor de Deus nasceu também a oferta da sua vida pela evangelização dos jovens, feita diante de São João Paulo II, em 1980. Foi dessa entrega que surgiria a inspiração para a primeira lanchonete evangelizadora da Comunidade Shalom, em Fortaleza, um espaço criado para acolher aqueles que dificilmente entrariam numa igreja, mas que podiam encontrar-se com Cristo através da amizade, do testemunho e da oração.

“Uma das características da Comunidade Shalom é não pescar em aquário. É ir para o alto mar, ao encontro dos jovens, dos homens e das mulheres que estão distantes de Cristo e distantes da Igreja.”

Hoje, presente em diversos países, a Comunidade Shalom continua a viver esta mesma inspiração: anunciar o Evangelho especialmente àqueles que ainda não fizeram uma experiência pessoal do amor de Deus.

Um carisma que ultrapassa fronteiras e gerações

Entre as perguntas colocadas no final do encontro, uma das reflexões mais marcantes surgiu quando Inês questionou como as futuras gerações poderão viver o carisma Shalom sem terem conhecido as suas origens em Fortaleza ou os seus primeiros missionários.

Na resposta, Moysés recordou que um carisma não nasce de um projecto humano, mas de uma iniciativa de Deus.

“Eu fui envolvido por uma graça maior do que eu mesmo. Nunca pensei fundar alguma coisa. Fui envolvido por uma graça que me transcendia.”

O fundador da Comunidade Shalom explicou que a continuidade do carisma não depende de uma pessoa específica, mas da fidelidade de cada geração àquilo que recebeu gratuitamente de Deus.

“O carisma ultrapassa a geografia e ultrapassa o tempo. Só precisa de um coração generoso para o transmitir à geração seguinte.”

Ao olhar para os jovens e membros da missão presentes, Moysés recordou que a responsabilidade de levar adiante esta herança espiritual pertence agora àqueles que hoje acolhem o chamamento de Deus.

Reconhecendo que dentro de algumas décadas já não estará presente para testemunhar pessoalmente a história das origens, manifestou confiança na ação do Espírito Santo, que continua a suscitar homens e mulheres dispostos a viver e transmitir o mesmo ardor missionário.

Mais do que preservar uma memória, trata-se de acolher uma graça e deixá-la frutificar no próprio tempo.

Para a missão de Lisboa, estas palavras surgem como um convite a assumir com renovada responsabilidade a transmissão do Evangelho e do carisma às futuras gerações, confiando que Aquele que iniciou esta obra continua a conduzi-la ao longo da história.

Portugal: uma terra de missão

Durante o diálogo com os participantes, Moysés falou também sobre a realidade da Europa e da missão evangelizadora neste continente.

Longe de uma visão pessimista, descreveu a Europa como uma “senhora cheia de sabedoria” que guarda um tesouro espiritual capaz de continuar a oferecer frutos para a Igreja e para o mundo.

Recordando os inúmeros missionários europeus que levaram o Evangelho aos diversos continentes, manifestou gratidão pela herança recebida e renovou a esperança numa nova primavera missionária.

“Acredito que a Europa também é terra de missão.”

Uma afirmação que encontra eco na vida quotidiana da missão de Lisboa, chamada a testemunhar Cristo no meio das realidades concretas da cidade, junto dos jovens, das famílias e de todos aqueles que procuram sentido para as suas vidas.

Coragem criativa, acolhimento e impulso missionário

Ao responder à última pergunta da tarde, Moysés retomou palavras dirigidas pelo Papa Francisco à Comunidade Shalom e apontou três atitudes fundamentais para a evangelização:

  • coragem criativa;
  • acolhimento;
  • impulso missionário.

Mais do que orientações para um momento específico, estas palavras permanecem como um horizonte para a missão.

Num mundo marcado por tantas formas de pobreza espiritual, o fundador recordou ainda uma expressão recentemente utilizada pelo Papa Leão XIV:

“A pobreza mais grave é o desconhecimento de Deus.”

Por isso, a evangelização continua a ser uma urgência e um serviço de amor à humanidade.

Um envio que permanece

Ao concluir a sua partilha, Moysés recordou uma expressão frequentemente repetida pelos últimos Papas:

“O cristianismo espalha-se por contágio.”

Um mês depois daquele encontro, estas palavras permanecem como um apelo para cada membro da Obra, da Comunidade e para todos aqueles que participaram nesta tarde de formação.

Num tempo em que a Igreja continua a escutar o mandato de Cristo — “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho” — permanece viva a certeza de que o anúncio nasce de vidas transformadas e entregues.

Porque, como recordou o fundador da Comunidade Shalom, onde há oferta de vida, há fogo. E onde há fogo, o Evangelho continua a encontrar caminho até ao coração dos homens.

 

Comunicação Lisboa


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