São Bernardo aconselhava para a Quaresma o jejum da curiosidade. “Jejuem os olhos de todo olhar curioso. Jejuem os ouvidos não escutando palavras inúteis e tudo quanto não for conforme ao bem da alma” (trecho do Sermão no começo da Quaresma, 3,4). O Papa Francisco também já alertou por diversas vezes que existem curiosidades más, que nos “fazem compreender algo que não temos o direito de saber”.
Confira| A curiosidade é um pecado?
No tempo das redes sociais em que se ventila publicamente a intimidade de tantas pessoas, as tentações para a curiosidade são grandes. O santo padre alerta que a curiosidade é uma das armadilhas que o inimigo usa para nos afastar de Deus. Ele “sabe como se aproximar de nós; sabe quais palavras nos dirigir. Desperta a nossa curiosidade, pois somos todos curiosos, e a nossa vaidade”.
“Há um inimigo sedutor que explora a nossa curiosidade e a nossa vaidade prometendo prendas bem embrulhadas apresentadas num bonito pacotinho, sem nos deixar ver o que há dentro; é como se se tratasse de um cão raivoso e acorrentado do qual não nos devemos aproximar — porque, caso contrário, te morde, te destrói — e com o qual nunca podemos dialogar, mas, pelo contrário, contra o qual devemos combater com as armas da oração, da penitência e do jejum”. (Homilia Papa Francisco, 8 de maio de 2018).
A curiosidade afasta a sabedoria
O Papa ensina ainda que um dos frutos da curiosidade é a dispersão da alma. “O espírito de curiosidade afasta-nos do espírito da sabedoria. O espírito de curiosidade não é um espírito bom: é o espírito de dispersão, de afastamento de Deus, o espírito de falar demais”. (Homilia Papa Francisco, 21 de novembro de 2013). E indica que é o Espírito Santo que “resolve todas as nossas curiosidades”.
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Na Quaresma, a Igreja propõe um retiro espiritual com maior recolhimento da alma. Por isso, o jejum da curiosidade é um excelente exercício de penitência para este tempo. A curiosidade geralmente vem acompanhada da fofoca e da murmuração. Para controla-la é necessário buscar a virtude da discrição e a guarda dos olhos, como ensinam os santos.
Discrição e guarda dos olhos
A discrição permite que não busquemos saber além do que deveríamos. O Catecismo da Igreja ensina que “o direito à comunicação da verdade não é incondicional”, ou seja, há coisas que não temos direito a saber, nem as dar a conhecer aos outros. “Cada um deve conformar a sua vida com o preceito evangélico do amor fraterno. Este requer, nas situações concretas, que se avalie se é conveniente ou não revelar a verdade àquele que a pede” (Catecismo da Igreja Católica n. 2488).
Já a guarda dos olhos faz com que não busquemos conhecer aquilo que não deveríamos. Guardar os olhos na rua, nas redes sociais e guardar os ouvidos das conversas que não nos convém.
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