No segundo dia de Retiro de Semana Santa, Pe. Fabrício, consagrado da Comunidade de Aliança na missão de Guarulhos, iniciou a pregação com a passagem da Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 4,6):
“Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito”.
“Deus que morreu na carne, despertou a Mansão dos Mortos”, afirmou. A Mansão dos Mortos não é um lugar geográfico, mas sim a maior distância entre Deus e as profundezas do coração humano, o próprio inferno em seu distanciamento de Deus. Contudo, no Sábado Santo, um novo dia, Jesus vai ao encontro daqueles que o esperam, segurando o próprio Adão pelo o punho, despertando-o.
Mas todos que estavam na Mansão dos Mortos foram salvos, incluindo os demônios? “Não, pois é próprio do demônio viver de aparências, aparentando ser Deus. O inferno é o local daqueles que vivem de aparências”, explicou.
“Quem vive de aparências desistiu de mudar, se conformou. E onde há conformismo, há inferno”, afirmou o padre.
Em uma vida onde não há esperanças, numa espera constante da vinda do Cristo, percebe-se a dimensão da conversão. Esta conversão, que só é possível quando há um rasgo sincero do coração humano, permite que Cristo vença:
“A exposição ao Evangelho nos faz criaturas novas, pois tudo aquilo que a Palavra toca, ela cria”, explicou, relacionando a vivência superficial com a Palavra e o quanto isso nos leva a criar um “evangelho próprio”, revestido com um contratestemunho que nos fere e fere a Igreja como um todo. Em contrapartida, “a decisão, que é própria do amor, nos leva a esperar o Cristo Ressuscitado”, nos leva a uma verdadeira experiência de eternidade.
Por fim, o padre nos conduziu a avaliar o termômetro da nossa vida espiritual: o louvor. “O cansaço espiritual e, por consequência, a murmuração são sinais de que estamos mal-vivendo as tarefas, onde aparentar ter uma vida espiritual nos cansa”, enquanto que, em suas palavras, ter a Deus como o primeiro, contemplá-lo e fazer memória da fé nutre em nós a gratidão.
Assim, inspirados pela Aurora da Salvação, local onde Cristo nos amou e que é canal para amá-lo, que possamos pela Graça ser esse horizonte iluminado como Maria o é, irradiando a luz do Sol que nasce para nós neste domingo.
Cristo ressuscitou, aleluia!
Por Jéssica Verônica