Formação

De Platão a São João da Cruz: uma jornada para compreender o amor

O mês de junho se torna uma oportunidade para refletir sobre os diversos tipos de amor. Da filosofia de Platão e Aristóteles ao amor ágape revelado por Cristo, somos convidados a redescobrir o verdadeiro sentido do amor humano e divino.

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Platão e São João da Cruz

No Brasil, Junho é marcado por várias datas que nos remetem ao amor, humano e divino. Na primeira quinta do mês temos Corpus Christi, celebrada em muitas cidades e capitais com longos tapetes com imagens que fazem referência à Eucaristia, grande amor da vida dos cristãos.

Veja que interessante: tivemos Pentecostes (celebrado 50 dias após a Páscoa), na quinta-feira seguinte ao fim da Oitava de Pentecostes (60 dias após a Páscoa). Tivemos o Corpus Christi, e na sexta-feira seguinte temos a Solenidade do Coração de Jesus. Neste ano, tanto o Sagrado Coração de Jesus, quanto o Dia dos Namorados (no Brasil), são comemorados juntos. Seguidos pelo sábado do Imaculado Coração de Maria.

Vários escritores já escreveram algo sobre o amor e os tipos de amor. Filósofos, teólogos, místicos, poetas. Veremos a seguir, trechos de alguns:

O amor-eros na filosofia de Platão

 “O Amor não é um deus, ele é somente um mediador. O amor permite ao homem imortalizar-se, divinizar-se pela contemplação. Além do amor, existe o belo-em-si a Beleza, a Bondade, o que suscita em nós a contemplação.” O Banquete (Diotima)

O amor-filia: Aristóteles

“O homem-amigo sendo aquele que é capaz de escolher seu amigo e de amá-lo por ele mesmo. Na sua bondade o homem pode atrair para si um outro e suscitar nele um amor espiritual por onde é capaz de se ultrapassar.” Ética a Nicômaco

O amor-agapé: A Escritura

“Eis o que há de maravilhoso e único no ágape. É o mesmo amor substancial que nos une a Jesus, ao Pai, à Ss. Trindade e aos nossos irmãos. Pelo amor-agapé nós permanecemos no coração de nossos irmãos como permanecemos no coração de Deus, no coração de Jesus; e o Espírito Santo pode nos fazer compreender que há verdadeiramente um vínculo de eternidade que nos une a Deus e aos nossos irmãos.” Segundo São João: o amor substancial.

Amor-paixão: Sto Tomás de Aquino

“O apetite concupiscível (amor passional), nos orienta para o bem sensível e nos faz amá-lo. Irascível, nos faz amar o bem sensível enquanto este é difícil de alcançar. Irascível, um elemento mais intelectual. Concupiscível, nos une ao bem sensível. A cólera é a paixão mais nobre, implica um amor passional mais próximo da inteligência pq quer restabelecer o que parece ser a ordem. Ordinariamente os intelectuais e os artistas têm um apetite irascível muito desenvolvido.

Efeitos do amor-paixão: união afetiva/êxtase/ferida. Modalidade do amor-paixão/Dez rostos do amor passional: Desejo, ódio, fuga, tristeza, gozo/concupiscível, audácia, temor, esperança, desespero, ira/irascível.” Suma Teológica I seção II parte/II S.II P.

O amor divino em São João da Cruz/A união transformante

“Os  7 rostos do amor divino: Há um mistério de paz no amor que nos é comunicado. Há uma exigência de pureza. Bem-aventurados os pacíficos. Bem-aventurados os puros de coração. Discernimento, porque ele se realiza em nós na luta. Doçura, força, misericórdia, pobreza.

O mistério do amor implica a superabundância do fogo que deve tudo devorar e a pobreza radical que ele coloca em nossa alma. O amor, humano e divino, torna pobre a respeito de tudo o que não é ele.” Chama viva de amor

E aí, com qual deles você se identificou?!

Em meio às celebrações litúrgicas desse mês e até mesmo do Dia dos Namorados, junho nos recorda que o amor possui muitas expressões, mas encontra sua plenitude em Deus. Seja no eros, na amizade da filia, na entrega do ágape, na intensidade da paixão ou na união transformante descrita pelos místicos, todo amor autêntico aponta para uma realidade maior: fomos criados para amar e ser amados. Talvez este seja um bom momento para refletir sobre a forma como temos vivido o amor em nossas relações, na nossa fé e no nosso caminho com Deus, deixando que Ele purifique, fortaleça e conduza o nosso coração à sua verdadeira vocação.

Por Daniela Alves


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