Entre alfaias, tecidos e incenso, o perfume de uma oferta silenciosa é derramado na Cidade da Paz. Logo no início da tarde, mais de 200 pessoas chegam para se dedicar ao serviço da Liturgia do Festival Halleluya, um trabalho que começa horas antes de qualquer celebração, na simplicidade de cada gesto pensado para que tudo transborde a glória de Deus.
Socorro Sales, consagrada da Comunidade Shalom, serve há mais de vinte anos na Liturgia do Festival Halleluya e coordena a equipe de floristas responsável por ornamentar os espaços oracionais, de modo especial os altares, ícones e o andor em que Jesus Eucarístico passa pela arena. Com mãos habilidosas, ela enxerga no cuidado com cada arranjo uma via de profunda adoração, entendendo que a técnica é apenas um meio para o amor que a impulsiona a preparar o caminho para o Santíssimo Sacramento. Para ela, esse serviço é uma verdadeira antecipação da glória eterna: “Estar aqui fazendo isso, preparando esses arranjos para o Dono da festa, é o céu”.
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Cada elemento é escolhido com muito cuidado: “Rezamos antes de preparar os arranjos para que eles não mostrem apenas as flores, mas conduzam as pessoas ao mistério da presença de Deus”, revela Socorro. Ela resume a simplicidade desse gesto de amor: “Jesus é tudo para nós. Então nós damos tudo para ele. Muitas vezes a gente faz algo bem simples, mas é o simples que leva toda a beleza.”
Em meio ao escondimento do serviço, existe uma logística afinada. Vinícius Cordeiro, consagrado da Comunidade Shalom, coordena o setor de Liturgia e explica como a engrenagem funciona: cerca de 250 voluntários se dividem em grupos posicionados estrategicamente pelo espaço, entre floristas, equipe da capela, rouparia e outras frentes que se revezam ao longo do dia. “A gente entende que se não tiver a oração, a técnica cai por terra; por isso, a gente reza em tudo”, destaca.
A relação de Vinícius com a Liturgia é antiga. Em 2004, no seu primeiro Halleluya, quando o evento ainda ocupava o Parque do Cocó, ele participou da Santa Missa sem ainda fazer parte da Obra Shalom. Foi ali, ao observar o zelo com o altar e o amor dos servos, que sua vida mudou. “O diferencial da liturgia é o privilégio de servir diretamente ao Sagrado, no coração do mistério de Deus”, recorda.
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A rouparia também integra esse serviço. Voluntárias da Obra Shalom, como Eduarda Lima e Clarisse Lopes, cuidam minuciosamente de um acervo com dezenas de túnicas e batinas. Até a escolha da toalha de altar surge na intimidade com Deus, fazendo do trabalho manual uma intercessão. “O nosso serviço é um amor escondido; a gente reza em cada detalhe porque entendemos que estamos preparando o caminho para o Sagrado”, afirmam.
O zelo pelo sagrado é uma das marcas fundamentais do Carisma Shalom. Eduardo Silva, consagrado e responsável pelos ícones do festival, explica que a escolha de cada peça nasce da experiência com a beleza da Graça. Entre as obras está a “Porta do Céu”, ícone que introduziu essa tradição na vocação por meio de Ronaldo Pereira. “Tudo é pensado para que as pessoas tenham uma experiência com Deus, que é todo beleza e misericórdia”, destaca.
Membro da Obra Shalom e voluntária na Liturgia, Rebeca Souza encontra em Nossa Senhora a inspiração para o seu serviço. A partir do silêncio e da pequenez da Virgem Maria, ela compreende que a oferta oculta nos bastidores é a essência do trabalho: “Não estamos apenas colocando as coisas no lugar; cada detalhe manifesta a presença de Deus”, explica. Para ela, esse “sim” no escondimento é o que evapora a vaidade e abre o coração dos fiéis para o Sagrado: “É um sair de si que ninguém vê, mas que conduz as pessoas a algo maior.”
Os frutos dessa entrega vão além do evento e se tornam um sinal concreto de unidade com outras novas vocações na Igreja. Ao contemplar o cuidado da Liturgia Shalom, Rayanne Páscoa, vocacionada da Comunidade Recado, se reconhece nessa mesma busca pelo belo e vê a própria identidade vocacional ser reafirmada. “A sensação é muito diferente, a gente é alcançada pelos detalhes e a beleza”, partilha. Mariana Amoreira, postulante da mesma comunidade, completa: “A gente sabe que não é o trabalho talvez mais visto de todo o processo, mas com certeza faz toda a diferença para que as coisas de fato estejam do gosto de Deus.”
Assista à transmissão do tercero dia de Halleluya 2026:











