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Mãe perdoa assassino de filho e o salva da forca no Irã

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De acordo com leis que regem as sociedades islâmicas, a família da vítima deveria participar da punição. Homem condenado por assassinato ia ser enforcado quando mulher impediu a execução

Ele estava prestes a ser enforcado, já com a corda ao redor do pescoço, quando a mãe do jovem assassinado por ele numa briga de rua entrou em cena e parou a execução*. Aconteceu no Irã: aquela mãe salvou a vida de Balal, condenado à morte por ter esfaqueado o filho dela.
 
A bofetada de misericórdia

A mãe da vítima, Samereh Alinejad, acompanhada pelo marido, um ex-treinador de futebol, subiu ao patíbulo e se aproximou do homicida, que estava de pé sobre a cadeira e com uma venda negra nos olhos. Diante do homem que, chorando, pedia piedade, a mulher parou, olhou-o na cara e lhe deu uma bofetada, tirando-lhe depois a corda do pescoço.

Um gesto emotivo, explicou ela, que “me ajudou a me acalmar”. “Agora que o perdoei, me sinto aliviada”.

“Tive um sonho em que o meu filho me dizia que estava em paz e num lugar lindo… Depois disso, todos os meus familiares, inclusive a minha mãe, me pressionaram para perdoar o assassino”, contou a mulher, que, há quatro anos, perdeu outro filho num acidente de trânsito. “Sabem o que significa viver numa casa vazia?”, tinha gritado ela, pouco antes, para a multidão que esperava a execução.

Entre vingança e perdão

Para Balal, a bofetada foi o gesto entre a vingança e o perdão. Sua condenação tinha suscitado uma forte mobilização da opinião pública no país: muitos pediram que a família da vítima o perdoasse. Entre eles, o popular comentarista de futebol Adel Ferdosipour e o ex-jogador internacional Ali Daei. Segundo a ONU, mais de 170 pessoas foram levadas ao patíbulo no Irã só neste ano.

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Papa Francisco e o perdão

“Deus nunca se cansa de nos perdoar; o problema é que nós nos cansamos de pedir perdão”, disse o papa Francisco no domingo do seu primeiro ângelus. “Não temos que nos cansar nunca. Ele é o Pai amoroso que sempre perdoa, que tem misericórdia por todos nós”.

Reconhecer-se pecadores

Na homilia da Casa Santa Marta no dia 11 de novembro, o Santo Padre destacou de novo o convite a perdoar: é o que Jesus faz com os pecadores. “Ele não se cansa de perdoar, com a única condição de não vivermos uma vida dupla, de irmos até Ele arrependidos: ‘Perdoa-me, Senhor, que sou um pecador’. ‘Força, força, eu já sei’. Assim é nosso Senhor. Peçamos hoje a graça ao Espírito Santo, que foge de todo engano, peçamos a graça de nos reconhecer pecadores: somos pecadores”.

Fonte: Aleteia

*De acordo com a ‘sharia’, conjunto de leis que regem as sociedades islâmicas, a família da vítima participava da punição de Balal, devendo empurrar a cadeira na qual o condenado estava em pé, aguardando o enforcamento. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, que noticiou o acontecimento, o fato de ter sido perdoado pela família de sua vítima não quer dizer que Balal foi libertado, já que a família não pode decidir sobre sua sentença na prisão.


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