Sou Marcos Luann Queiroz de Carvalho, tenho 36 anos e nasci em Fortaleza, no Ceará. Minha história vocacional é marcada por encontros profundos com Deus, por um discernimento vivido com paciência e por confirmações claras ao longo da caminhada na Comunidade.
Minha experiência com o Senhor aconteceu de forma decisiva em julho de 2009, durante o Acampes. Ali vivi uma profunda experiência com o amor de Deus, que transformou inteiramente a minha vida. A partir daquele momento, comecei a perceber que Ele me chamava a algo novo, ainda desconhecido, mas que passou a dar um novo sentido à minha existência. Tudo parecia mais vivo, mais cheio de alegria; porém, a maior transformação aconteceu dentro de mim.
No ano seguinte, em 2010, passei a participar do grupo de oração no Shalom de Fátima. Foi nesse ambiente de oração que minha sede por Deus aumentou e o chamado começou a se tornar mais presente em meu coração, ainda que eu não soubesse claramente para onde o Senhor me conduzia.
O primeiro chamado ao sacerdócio
A primeira vez que escutei, de forma clara, o chamado ao sacerdócio foi durante a adoração do Réveillon da Paz, em 2012. Enquanto adorava Jesus no Santíssimo Sacramento, conduzido por um sacerdote, vivi uma experiência muito forte: ao olhar para o padre, percebi que havia algo que não estava apenas nele, mas também dentro de mim. Foi um momento de grande luz interior, no qual compreendi que Deus me chamava ao sacerdócio.
Esse chamado voltou a ser confirmado ao longo da minha caminhada comunitária, especialmente em acompanhamentos com a formadora comunitária. Em duas ocasiões distintas, Deus suscitou palavras e visualizações que falavam sobre cuidar das coisas do Senhor, das coisas sagradas, fazendo-me recordar daquele primeiro chamado vivido na adoração.
Discernimento, confirmações e a alegria do “sim”
Em 2014 e 2015, durante o discipulado, o contato com irmãos celibatários despertou em mim uma atração pelo celibato vivido por amor ao Reino dos Céus. Esse foi um passo importante para que o chamado ao sacerdócio fosse se consolidando em meu coração. Nesse período, iniciei um discernimento mais consciente do meu estado de vida, acompanhado pelos formadores e pelas autoridades da Comunidade.
Em uma oração comunitária, recebi uma confirmação marcante: uma irmã partilhou que, em oração, Deus lhe mostrara um sacerdote usando estola, profundamente feliz. Pouco tempo depois, durante um momento simples no refeitório, outra confirmação aconteceu quando alguém, em meio ao silêncio da mesa, disse espontaneamente: “nasceu um padre”. Guardei essas palavras no coração e ali compreendi que o discernimento entrava em uma fase mais profunda, rezada e aberta.
Formação, missão e amadurecimento vocacional
No ano de 2016, fui transferido para a missão na cidade de Aparecida (SP). Ali, em contato próximo com diversos sacerdotes e com a realidade do Santuário Nacional, pude aprofundar ainda mais o discernimento. Percebi claramente a presença e a intercessão de Nossa Senhora em minha caminhada vocacional.
Ainda nesse período, a leitura da história vocacional de São João Paulo II foi decisiva. Suas palavras sobre o discernimento e a iluminação interior que recebeu de Deus tocaram profundamente o meu coração, ajudando-me a reconhecer, com mais clareza, que o Senhor me chamava ao sacerdócio.
Em 2017, iniciei os estudos de Filosofia em Fortaleza, dando continuidade à formação no seminário, posteriormente com os estudos de Teologia. Um tempo especialmente marcante foi o estágio pastoral vivido no Vale do Israel, entre 2020 e 2021, durante a pandemia. Ali, Deus me conduziu por um caminho de reconciliação com a minha história e de cura interior, permitindo-me experimentar Sua misericórdia e aprender a amar mais profundamente as pessoas.
Nos últimos anos, compreendi de forma ainda mais clara o papel de Nossa Senhora em minha vocação. Em um retiro de seminaristas, recebi a proclamação de que meu sacerdócio é para ela. Essa palavra confirmou uma predileção mariana presente em toda a minha história vocacional. Santa Teresinha do Menino Jesus também teve um papel importante, ajudando-me a enxergar o caminho do sacerdócio à luz da misericórdia de Deus.
Hoje, reconheço que minha história vocacional é fruto de um chamado paciente, sustentado pela oração, pela vida comunitária e pela intercessão de Maria. Um caminho conduzido por Deus, passo a passo, até uma resposta confiante: Shalom!
