Institucional

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos”

comshalom

Por ocasião deste Ano Mariano no Brasil e pelo centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, na Diaconia Geral, sede do Governo Geral da Comunidade Shalom, as homilias proferidas no dia 13 de cada mês serão transcritas e publicadas aqui no Comshalom, em uma série que irá nos conduzir a refletir as grandes graças derramadas por Deus sobre nós através da Virgem Maria, nos ajudando a melhor viver as bençãos derramadas deste ano. Segue abaixo, mantido o tom coloquial, a transcrição da homilia proferida por Padre Karlian do Vale, consagrado da Comunidade Shalom:

“Como nós sabemos, foram seis às aparições de Nossa Senhora àquelas três crianças, do mês de maio até o mês de outubro de 1917. Mas essas aparições, que tiveram um significado tão importante para o nosso tempo, para o nosso século, que trouxe tantas profecias daquilo que viria acontecer na Igreja e na humanidade nos anos que prosseguiram,  aparições que foram precedidas por outras aparições, aqui no Brasil, nós conhecemos pouco. É sobre essas aparições que nós falaremos hoje.

Não por acaso nós trouxemos esta imagem, deve ter gente perguntando “quem é este?”, esse aí é o Anjo de Portugal enviado de presente ao Moysés (fundador da Comunidade Shalom) de um padre português. Esse é o Anjo de Portugal.

Na verdade, a devoção do Anjo da Guarda de Portugal é uma devoção antiga dos portugueses. Diz-se que, na época em que os muçulmanos invadiram a península Ibérica no século XII, os portugueses começaram a pedir a intercessão ao Anjo da Guarda de Portugal. Por acreditar que cada nação, que cada reino tem o seu Anjo da Guarda, eles começaram a pedir a intercessão do Anjo da Guarda de Portugal. Atribuíram à intercessão do Anjo da Guarda algumas das vitórias que eles tiveram, que impediram de Portugal ser tomado pelos muçulmanos. Essa devoção, que era antiga, se tornou uma festa oficial em Portugal no ano de 1504 e depois ela caiu em desuso. Da maneira que essa devoção se perdeu, e as pessoas deixaram até mesmo celebrar essa festa, a festa saiu do calendário litúrgico e foi esquecida.

No entanto, um ano antes das aparições em Fátima, no ano de 1916, aquelas três crianças tiveram 3 aparições de um anjo, e esse anjo se apresentou como sendo o Anjo de Portugal. Na verdade, nós voltaríamos mais um ano, voltaríamos à 1915, quando Lúcia relata que, por duas vezes, eles estavam rezando o terço, algumas crianças, não só os três pastorinhos, estavam rezando o terço no meio do mato e, de repente, eles viram uma nuvem no formato de um homem, uma nuvem muito brilhante, e, enquanto eles estavam rezando o terço, aquela nuvem permaneceu ali, mais baixa, próximo às árvores. Quando eles terminaram o terço, aquela nuvem desapareceu. Era, de alguma maneira, Nossa Senhora preparando aquelas crianças para toda a revelação que ela iria dar. Basta a gente conhecer um pouco aquelas revelações, podemos perceber que elas seriam muito inadequadas para uma criança, eram revelações muito fortes. (…) É algo muito grandioso que elas tenham recebido revelações tão fortes, tão importantes. Mas elas viram, por duas vezes aquela nuvem, que desaparecia quando terminavam o terço. Quando, em 1916, provavelmente em abril, Lúcia relata que foi entre abril e outubro(…). Estavam os três, Francisco, Jacinta e Lúcia, tinham terminado de fazer às orações. Eles iam cuidar das ovelhas, e normalmente eles rezavam antes de começar a trabalhar, paravam para rezar o terço, então eram crianças que tinham uma vida de fé e piedade. Ela conta que, terminando suas orações, começou uma grande ventania no meio das árvores e, de repente, um jovem se aproximou delas, um jovem muito brilhante, vestido de branco. E aí vamos ver o que esse jovem, que na verdade era um anjo, falou para elas. Então vamos pegar essas três aparições, e pedir a Deus que elas também toquem o nosso coração e nos façam acolher o anúncio do Senhor.

Nos relata Lúcia: “esse jovem se aproximou e disse: ‘não tenham medo! Eu sou o anjo da paz, orai comigo’. E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitamo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar: ‘Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam’. Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse: ‘Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas’.

Depois dessa aparição aconteceu mais duas vezes. Na segunda vez, ele apresenta uma outra oração, e, na terceira, ele aparece com um cálice e uma hóstia, com o sangue pingando da hóstia para o cálice. O anjo dá a hóstia para Lúcia e o cálice para Jacinta e Francisco. Alí já estava contida a vontade de Deus para aquelas duas crianças que beberam o cálice, pois viriam a morrer logo depois, nos anos seguintes, da forma que Nossa Senhora avisou.

Na segunda aparição, eles não estavam rezando, eles estavam brincando no jardim da casa deles. De repente, esse anjo aparece e diz assim: “O que fazeis? Orai, orai muito, os corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”. E ai Lúcia pergunta: “Como nos havemos de sacrificar?”. E o anjo responde: “De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores, atraí assim sobre a vossa pátria uma paz. Eu sou o anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

Nas duas primeiras aparições do anjo a gente já percebe o núcleo dessa mensagem, o anjo convida essas crianças à oração, à intercessão, e à penitência. E nós sabemos que eles vão começar a se dedicar de maneira muito séria à isso, levar isso de maneira muito séria. Essas crianças vão passar a rezar sempre mais, sempre em intercessão pelo fim da guerra, em intercessão pela paz, em reparação pelos pecados, e vão começar a fazer muitas penitências. É bonito a gente ver que aquelas crianças, mesmo tão pequenas, levaram muito a sério as penitências. Vemos, por exemplo, relatos de Lúcia, em um sol de 40 graus, e faziam o propósito de não beber água o dia inteiro. Os pais preparavam as garrafinhas de água e lanche, e eles faziam o propósito de nem beber água nem comer o dia inteiro, várias vezes faziam isso, e em espírito de sacrifício.

Chega a terceira aparição da imagem do anjo. Trazia em sua mão um cálice e sobre ele uma hóstia, da qual caíam dentro do cálice algumas gotas de sangue. Deixando o cálice e a hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente, e ofereço-vos o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e, pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”. Depois o anjo se levanta, entrega a hóstia a Lúcia, o cálice à Jacinta e Francisco, e diz o seguinte: “Tomai e bebei o corpo e o sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos, reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”. De novo se prostrou em terra, e repetiu três vezes a mesma oração.

Lúcia relata que essas orações e aparições ficaram de tal maneira impressa nos corações deles que permaneciam ali em silêncio por um bom tempo, nessa terceira aparição, quando se aperceberam já era noite. Eles ficavam ali parados em silêncio e não conseguiam nem conversar entre eles sobre o que tinha acontecido. Essas orações iriam se tornar as orações deles, iriam repetí-las por muitas vezes, e rezando com essas orações eles teriam as manifestações sobre as quais refletiremos posteriormente.”


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