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Missionário que trabalha em um submarino partilha as graças de viver a vocação “até debaixo d’água“

Nas profundezas do mar, ele entendeu que precisava de profundidade interior.

Foto | Unsplash

O pai de família é da missão de Niterói (RJ) e partilha as graças de santificação por meio do seu trabalho. Confira, a seguir, o testemunho.

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Meu chamo Fabiano, sou consagrado ao Carisma Shalom na Comunidade Aliança, sou esposo da Ellen, pai do Fabian, do Tobias e do Benício. Sou militar e hoje estou em missão em Niterói (RJ). No ano de 2012, o Senhor me chamou a descobrir duas vocações: ser submarinista e Shalom. Mais o que eu não sabia, era o quanto seria difícil dizer sim a elas duas, pois para vivê-las bem, eu precisaria de coragem, renúncia, disposição e, principalmente, de muito amor.

Quando ouvimos falar do mar, lembramos sempre de um local profundo, escuro e inseguro, com muitas ondas e tempestades, nos causando pavor de navegar, principalmente durante à noite. Mas esse mesmo mar revolto e de grandes belezas é de uma força enorme, e não é diferente das nossas vidas. Vou explicar.

Existem dias calmos, dias de brisas suaves, mas também dias difíceis, onde as águas se agitam e os ventos ficam muito fortes. Em um primeiro momento, nos paralisamos de medo. Diante dessas tempestades e desafios que enfrentamos todos os dias nas nossas vidas, cabe a nós escolhermos como iremos enfrentá-las: na superfície ou mergulhados de sentido, com profundidade.

O que o submarino tem a ver com minha vocação?

O submarino é um navio construído para navegar sob as águas, mantendo sua total discrição, podendo pousar no fundo do mar, mergulhando a grandes profundidades. A vocação Shalom não é diferente.

Somos chamados a mergulhar (todos os dias) em uma vida autêntica de oração e a ter uma relação esponsal com Jesus, onde através dessa intimidade, nos enchemos do Espírito Santo, nele repousamos, e graças a ele, nos distanciamos (com segurança) dos nossos inimigos que buscam a todo instante desviar o nosso olhar da nossa missão.

Recordo do meu segundo ano vocacional, em 2013, quando diante dos desafios pensei em desistir. Não parava em casa devido às viagens que fazia a bordo do submarino, mas a providência de Deus sempre permitia que no domingo, dia do vocacional eu estivesse lá, presente, de coração aberto a fazer a vontade de Deus. Minha experiência mais forte daquele ano foi quando eu viajei para Montevidéu (Uruguai) em minha primeira viagem longa a bordo do submarino. Passei 12 dias mergulhado. Antes de partir, olhei o calendário, vi aqueles 12 dias e pensei: meu Deus, como tudo se dará? Mais eis me aqui, tudo pelo meu serviço à Pátria.

Uma experiência de oração diferente

Levei meu caderno de oração, a minha bíblia e o meu terço e graças a Deus, deu tudo certo. Me lembro que lá pelo sexto dia, pousamos no fundo do mar, onde de fato, pude vivenciar uma experiência incrível, que foi rezar o terço nas profundezas. Senti uma paz e um silêncio interior que só quem passou por essa experiência consegue descrever.

Quando entrou a noite, comecei a rezar o Santo Terço novamente. Logo ouvi cantos de baleias, cardumes de peixes pelo sonar, e ouvindo aqueles sons e rezando, me veio uma vontade de interceder por aquelas pessoas que estão aprisionadas em si mesmas, mergulhadas no orgulho e na vaidade, no abismo dos seus próprios corações, onde só existe vazio e escuridão.

Quando cheguei no Uruguai, enquanto meus amigos iam para bares, lojas e restaurantes, eu fui para o Centro de Evangelização da missão, onde fiquei dois dias. Que alegria saber que eu tenho irmãos em diversos lugares do Brasil e do mundo e também saber que sou acolhido e amado por eles! Pude participar de grupo de oração, ir a missa depois de 12 dias sem Eucaristia, pude novamente alimentar a minha alma. Tive a oportunidade também de conviver com eles, e ali tive a certeza que estava no lugar certo, na família certa e no Carisma certo. Quando me despedi deles, agradeci a Deus pelo cuidado e pelo zelo que tiveram para comigo.

Em muitos momentos na minha vida pensei em desistir da vocação e preferi ficar na superficialidade da minha vida de oração, mas o Senhor, em Seu oceano de misericórdia, fez com que eu percebesse que, de fato, esse não era o meu percurso, o meu chamado, pois Ele me chama a não ficar na superfície. Se desejo corresponder ao meu chamado e buscar a santidade, só existe uma maneira de dizer sim, sem medo e com parresia: mergulhar a cada dia e em todo momento em águas mais profundas. É lá, na profundidade da minha vida espiritual, que eu encontro a verdadeira paz que tem nome e um rosto: Jesus Cristo.

Quanto mais fundo mergulhamos em uma vida com o Cristo, mais livres estaremos das redes mundanas que querem nos seduzir, nos aprisionar e nos afastar de Deus. Sou muito grato ao Senhor pela vocação que Ele me deu. Que ele me dê forças e coragem todos os dias para ofertar, sem medo, a minha vida pela Igreja, pelos jovens e por toda a humanidade.


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