A segunda pregação do Retiro da Grande Comunidade proferida por Moysés Azevedo foi direta ao ponto: existe um inimigo discreto, mas devastador, que ameaça o serviço, a oração e a perseverança – a acídia. O encontro acontece neste fim de semana em Fortaleza, e reúne os membros da Comunidade de Vida e de Aliança de todo o mundo por meio de transmissão pela internet.
Mais do que um desânimo passageiro, a acídia corrói lentamente o interior. “A acídia não mata de uma vez, ela esvazia aos poucos até virar peso”, afirmou Moysés. Segundo ele, a acídia é uma aridez que atinge todas as dimensões da alma, enfraquece o amor esponsal e paralisa a vida contemplativa.
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Quando esse estado se instala, a vida espiritual perde vida. O serviço se torna mecânico, a oração pesada, e o coração já não encontra sentido no que antes era fonte de alegria. “Quem serve sem oração começa a fazer tudo de forma automática — sem o óleo do amor”, alertou.
O caminho de cura: voltar ao essencial
A pregação apresentou um caminho concreto de restauração, que passa pela mística e pela ascese — dois pilares inseparáveis da vida espiritual.
A cura começa com a verdade: reconhecer a própria condição sem máscaras. A partir daí, abrir-se ao acompanhamento, retomar com seriedade o exame de consciência e reencontrar a fidelidade nas pequenas coisas — oração, deveres cotidianos e oferecimento de tudo a Deus.
Mas Moysés foi além dos métodos. Ele apontou para uma atitude interior decisiva: um coração que suplica, deseja e decide. Suplicar com sinceridade. Desejar intensamente a Deus. E, sobretudo, tomar a firme decisão de colaborar com a graça. Porque, como destacou, há uma parte da resposta que Deus não fará sozinho.
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Interceder: viver para além de si
No coração da pregação, um chamado à intercessão — não como prática isolada, mas como estilo de vida.
A primeira atitude é unir-se a Cristo intercessor. Isso significa entrar no louvor, na ação de graças e na entrega pelos irmãos, assumindo suas dores diante de Deus. É colocar-se “na brecha”, como quem carrega a realidade da Comunidade no próprio coração.
A segunda atitude mergulha no mistério da dor. O sofrimento, quando unido à Cruz, deixa de ser perda e se torna fecundo. Não é desperdício — é intercessão. É caminho de ressurreição. “Uma dor vivida em louvor”, ensinou, “torna-se oferta agradável a Deus e gera vida.”
Por fim, o convite é multiplicar intercessores. Mais do que ampliar formas de oração, trata-se de ampliar corações disponíveis. Cada gesto de fé, cada ato de evangelização, cada serviço aos pobres se torna participação nessa corrente invisível que une céu e terra.
A força que move a história
No fechamento, uma provocação ecoou no coração dos participantes: a influência dos santos que rezaram foi menor do que a dos grandes homens da história? A resposta é clara — quem reza coopera com a salvação das almas e participa diretamente da ação de Deus no mundo.
Na história da Comunidade, especialmente nos momentos decisivos, é a oração — vivida juntos, com as mesmas intenções — que sustenta e move tudo.


