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Nossos adolescentes correm perigo?

Neste artigo, a psicóloga do Colégio Shalom, Kaline Fonseca fala sobre a importância de se relacionar com os adolescentes de maneira integral

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Imagem: Colégio Shalom

“Vós sois a esperança viva de uma Igreja em caminho!”. (Papa Francisco)

Adolescência: tempo de crescimento, uma fase da vida cheia de mudanças físicas e emocionais. Período intenso de reflexões existenciais, de descoberta do para quê existimos, marcado pelo autoconhecimento, pela maior impulsividade, pela necessidade de pertença, de aprovação e ao mesmo tempo de autonomia. Período maravilhoso de grandes sonhos, de vontade de deixar sua marca no mundo, de fazer a diferença e ser livre.

A canonização de um típico adolescente surge bem em meio à crescente discussão sobre este período da fase humana. Carlo Acutis, cheio de projetos e sonhos, interessado pelas tecnologias e artes, tem muito a nos revelar sobre as belezas e nuances deste período. Atualmente, temos um progressivo aumento das ciências que estudam esse tema, bem como um maior número de filmes e séries que abordam temáticas como a saúde mental do adolescente, a presença dos pais no desenvolvimento do filho nesta fase da vida; as ideias que este adolescente está consumindo, num mundo em que as informações são de fácil acesso. Enfim, sem dúvidas, a adolescência está sendo tratada de forma mais ampla comparada a alguns anos atrás, nos fazendo questionar sobre quanto um jovem pode ser capaz? Como ele pode influenciar e ser influenciado? Quais as redes de apoio que precisamos oportunizar para um adolescente? O que lhe pode ser oferecido para que ele tenha a possibilidade de fazer boas escolhas?

Sou missionária e psicóloga no Colégio Shalom e experimento na minha prática o quanto é importante perceber e se relacionar com o adolescente como uma pessoa integral, que está em processo de desenvolvimento, como nos ensina São João Paulo II. Que precisa ser estimulada em todas as áreas de sua vida, bio-psico-socio-espiritual. Desde as atividades físicas e responsabilidades domésticas, às atividades sociais e comunitárias. A importância das boas leituras, da vida espiritual expandida, oração em família, dos grupos de oração, etc. O adolescente não é “aborrecente”, tem sim este espaço em que precisa se reconectar consigo mesmo, se perceber melhor, os momentos de frustrações e instabilidades emocionais, mas não se resume a isso!

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Aqui no Colégio Shalom realizamos um projeto que considero ser muito valioso, chamado AdoleSER, escrito desta maneira justamente para destacar o SER do adolescente que ultrapassa a fase em que vive e que tem um lugar no mundo, uma missão particular na sociedade. Abordamos de forma descontraída e respeitosa, com vivências e rodas de conversas os temas relacionados à adolescência, como a puberdade, a importância das relações, o verdadeiro sentido da sexualidade, como esta força integradora que lança a pessoa humana a assumir seu papel diante dos outros, a descobrir e se comprometer com sua missão nesta terra.

Falo dessa experiência porque é preciso sim unir forças na educação de um adolescente! A família pode contar com a escola neste processo, assim como a sociedade como um todo também pode colaborar para que este desenvolvimento aconteça da melhor forma possível.

Às vezes, temos a sensação de que quando a criança aprende a ler, ótimo, já está independente, agora é “Do it yourself” ou seja “faça você mesmo”. Mas o acompanhamento e o “ensinar” continuam. Não é pelo fato de que o adolescente escolhe os pares e o grupo, que exclui a presença, a supervisão dos adultos responsáveis, especialmente dos pais. Esta relação basilar permanece como lugar seguro, em que o jovem pode e deve reclinar suas ideias, seus sonhos e angústias próprias de todo crescimento, pode ser validado em suas conquistas, ouvido e acolhido em suas instabilidades, orientado quando necessário.

Sem sentimentos de culpa, mas com o objetivo de retomarmos ou aperfeiçoarmos o nosso papel de adultos diante desta fase da adolescência, seja como escola, família ou sociedade, precisamos seguir o conselho de Dom Bosco: “Não basta os jovens serem amados, eles precisam se sentirem amados!”. E a melhor forma de se sentir amado é perceber a proximidade sincera do outro, sobretudo dos cuidadores.

–  A escuta atenta;
– A relação empática como nos convida Edith Stein;
– A consciência de que todos estão em processo de aprendizado e que o erro pode se tornar uma excelente oportunidade de crescimento, seja para o adolescente, seja para o adulto;
– A crença de que o adolescente pode realizar grandes projetos, pode adiar o prazer em vista de seus objetivos a curto e longo prazo.

Todos estes aspectos, entre outros, são caminhos que promovem uma relação segura, longe da permissividade e da indiferença, e que auxiliam o adolescente a se deparar com as diversas ofertas dos tempos atuais, a buscar escolher “a melhor parte”, e a se colocar expressando o seu potencial, compartilhando seus dons e virtudes, cada vez mais seguros de si. Assim foi a vida de Carlo, com vários objetivos de vida, cheia de sentido. Expressava ternura, usou as tecnologias para manifestar seu amor pela Eucaristia, contagiou seus amigos com seus sonhos, convidou a própria família biológica a seguir também seus projetos.

E se neste caminho de educar surgirem as “feras”, não precisamos temê-las, como nos ensina São João da Cruz. Além de contarmos uns com os outros, com as novas ciências e profissões que se especializam neste olhar diferenciado sobre o adolescente, existe o Céu inteiro “trabalhando” para que cada adolescente descubra o seu lugar de Esperança na Igreja!

Carlo Acutis, rogai por nós!

Por Kaline Fonseca – Psicóloga e Coordenadora do Núcleo de Apoio Psicopedagógico do Colégio Shalom

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