Neste Domingo de Pentecostes, a Comunidade Católica Shalom, por meio da gravadora Shalom Music, lança uma nova versão musical da Sequência de Pentecostes, aprofundando a espiritualidade do tradicional Veni Sancte Spiritus.
A liturgia do Domingo de Pentecostes traz em si um dos cantos mais famosos e evocativos: o Veni Sancte Spiritus. Uma das composições mais amadas e profundas de todos os tempos, sobre a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Na Idade Média, chegou a ser chamada de “Sequência de Ouro“, tendo permanecido incorporada à sagrada liturgia mesmo após as reformas de Trento e do Vaticano II.
A origem e a história do Veni Sancte Spiritus
O “Vem, Santo Espírito” é uma das sequências que após a segunda leitura de algumas solenidades é cantada, para fazer a assembleia meditar e preparar-se para a escutar a proclamação do Evangelho. A autoria desta peça é atribuída a Stephan Langton († 1228), arcebispo de Canterbury (Inglaterra), tendo sido aprovada pelo Papa Inocêncio III para a liturgia do rito romano.
O texto original em latim aponta uma construção regular e dominada pelo simbolismo numérico: cada verso é composto por sete sílabas, referência aos sete dons do Espírito Santo. Mergulhemos um pouco nos significados deste canto.
As primeiras estrofes pedem a vinda do Espírito Santo
Espírito de Deus,
enviai dos céus
um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres,
dai aos corações
vossos sete dons.
A terceira e quarta estrofes dão nome ao Espírito Santo e apontam as ações que Ele realiza na alma
Consolo que acalma,
hóspede da alma,
doce alívio, vinde!
No labor, descanso;
na aflição, remanso;
no calor, aragem.
Da quinta à oitava estrofe, o hino suplica as graças necessárias para viver nesta terra:
Enchei, luz bendita,
chama que crepita,
o íntimo de nós!
Sem a luz que acode,
nada o homem pode,
nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai,
ao seco regai,
curai o doente.
Dobrai o que é duro,
guiai no escuro,
o frio aquecei.
Dai à vossa Igreja,
que espera e deseja,
vossos sete dons.
A última estrofe suplica o dom da vida eterna
Dai, em prêmio ao forte,
uma santa morte,
alegria eterna! Amém
Um clamor que atravessa gerações
Na solenidade de Pentecostes, a Igreja unânime invoca o dom do Espírito Santo. Isso não é um hábito superficial, mas é antes de tudo uma resposta do coração humano que sente saudades do Céu. Por esse motivo, vendo o seu Senhor subir para lá, invoca a presença do Espírito que derrama seus dons, iluminando com sua luz os corações, que estão envolvidos pela escuridão.
Quando as tensões e a desorientação estão entrelaçadas na vida cotidiana, já podemos ter recebido o seu consolo, excelente, isto é, superior a qualquer encorajamento que possa ser oferecido a nós por parentes e amigos mais caros. No inverno de um possível isolamento, encontramos nele um convidado que aquece o coração com a sua presença invisível, mas sempre real.
Com o Espírito Santo, toda situação crítica é transformada. Nele, descobrimos uma dimensão diferente do ser. Por Ele, somos sustentados e guiados aos recantos mais escondidos da nossa existência. As trevas dão lugar ao esplendor da luz divina. As impurezas são lavadas pela água da redenção. A aridez é irrigada e fecundada pela sua graça. Nas situações da vida, quando muitas vezes pode faltar a respiração, vem o oxigênio do Céu, o hálito divino. É a vida que jorra e faz viver. Não é mais a vida passada, velha e incompleta, mas uma vida plena, nova e cheia de eternidade.
Vem, Espírito Santo!
