No Sábado Santo o silêncio expectante se faz presente. Jesus foi sepultado. Aos olhos do mundo a morte venceu, mas Deus escondia aí um grande mistério. No escondimento do sábado, um aparente repouso de Deus, tantas vezes lembrado pelo povo eleito, já que ‘no sétimo dia Deus descansou’ (Cf. Gn 2, 2). Mas esse repouso era apenas aparente, pois enquanto o silêncio reinava na terra, os justos da mansão dos mortos exultavam em Cristo afirmando: ‘O meu Senhor está no meio de nós!’
A Igreja professa que neste dia Jesus desceu à mansão dos mortos para de lá retirar os justos que esperavam que Ele lhes abrisse as portas do Céu. No Retiro de Semana Santa da Comunidade Shalom o momento da Celebração da Mansão dos Mortos leva os participantes a experimentarem desta força do poder de Deus, mas além desta recordação, a celebração convida cada participante a permitir que nas mortes do seu coração Deus possa também entrar e proclamar a Sua vitória.
A celebração se inicia com o sacerdote batendo com vigor por três vezes as portas do ginásio e proclamando também por três vezes o versículo do salmo que diz:
“Ó portas levantai vossos frontões!
elevai-vos bem mais alto antigas portas,
a fim de que o Rei da glória possa entrar!”
Enquanto canta-se, a procissão adentra o espaço e, depois do clamor ao Espírito Santo, segue-se a celebração com salmos e leituras da liturgia das horas. Envolvido também de orações espontâneas nesse momento são proclamadas muitas curas e libertações; é Jesus adentrando as portas dos corações.
Samuel Lima, 34 anos, missionário e seminarista da Comunidade Católica Shalom, partilha a sua experiência do Sábado Santo e da celebração
“Refletimos um dia de silêncio onde sentimos a falta de alguém, alguém não está, estamos esperando esse alguém até com uma sensação de medo, uma sensação de angústia, mas Aquele que nós esperamos está agindo, Ele não está parado, Ele desceu à mansão dos mortos para salvar aqueles que lá estão, ou seja, o meu Redentor, o meu Salvador, Ele nunca dorme, Ele sempre está salvando alguém.”
A Celebração que encerra a tarde de retiro do Sábado Santo abre assim os corações para o jubiloso ALELUIA que será entoado na Vigília Pascal. A morte para Jesus apenas abriu espaço para que Ele fosse à mansão da morte a fim de restituir a verdadeira vida àqueles que por Ele esperavam. Essa é também a esperança de todos quanto Nele agora creem e desejam bradar: O meu Senhor está no meio de nós! E Ele está Ressuscitado!





