Sob o olhar de Deus encontramos a liberdade de sermos pecadores mas, também de nos tornarmos santos unicamente por sermos amados e não por sermos pressionados. As nossas fraquezas não têm o poder de impedir a ação do amor de Deus em nós.
Jo Croissant destaca a necessidade de mudarmos o nosso olhar: “Vemos o quanto o olhar que trazemos sobre os outros e sobre o mundo talvez nos tenha influenciado sem que tivéssemos consciência e, é através de um acontecimento que vai nos ultrapassar que vamos tomar consciência de que não era correto o nosso olhar, que não era o olhar de Deus. Na realidade, a maneira como nos vemos nos afeta muito mais profundamente que imaginamos. (…) O olhar que nós trazemos sobre os outros pode enquadrá-los num personagem do qual não permitimos que se liberte; basta que o olhemos de uma maneira diferente para que as situações se desbloqueiem”[1]
Jesus hoje faz o mesmo que fez com o jovem rico. Ele nos olha e ao mesmo tempo nos ama (cf. Mc 10,21).
Diante dessa liberdade que o olhar de Deus realiza em nossas vidas poderíamos citar diversos testemunhos, como Santa Teresinha, mas para concluir cito aqui o exemplo de Etty Hillesum, uma jovem judia de Amsterdã que foi deportada para Auchwitz e lá desapareceu em 30 de novembro de 1943. Esta mulher incrível, espontânea, viva, apaixonada e com sede do absoluto soube ter um olhar “diferente” diante da vida e das situações que lhe aconteciam, porque tinha certeza de que a sua liberdade não era definida pelo local, proibições ou pessoas, mas que poderia ser livre diante disto tudo. E esta postura é fruto do diálogo livre que ela mantinha com Deus, de forma simples, pois percebia a presença dEle em seu interior.
“Das tuas mãos, meu Deus, aceito tudo, como me ocorre. Aprendi que suportando todas as provas, podemos transformá-las em bem (…) Sempre que decidi enfrentá-las, as provas foram transformadas em bondade. Os piores sofrimentos dos homens são aqueles que eles rejeitam. Quando me encontro em um canto do campo de concentração, os pés firmados sobre a terra, os olhos elevados para o céu, às vezes tenho a face banhada de lágrimas e é esta a minha oração” (Etty Hillesum). [2]
Que Deus o abençoe e conduza sempre mais nesse caminho de amor, verdade e liberdade, sem desanimar, pois Deus tem pressa em nos amar e realizar, em nós, a obra desejada de maturidade para nossa santidade e felicidade. Afinal, ser santo é ser feliz. Coragem!