Antes mesmo de as lâmpadas dos refletores se acenderem ou do primeiro som ecoar no palco principal do Festival Halleluya, o Jingle deste ano já ganhava forma na oração. Inspirado no versículo “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1), do livro do Profeta Isaías, o espetáculo de abertura nasceu de uma experiência contemplativa. Em um mar revolto de buscas e distrações do mundo, a dança e a arte surgem como um farol de esperança para resgatar e guiar os corações até a verdadeira Paz.
Do mar revolto à luz do farol
A concepção do Jingle é marcada por um processo de escuta da voz de Deus. Quem detalha esse momento é Lara Pereira, discipula da Comunidade e maquiadora da equipe do Jingle. Lara conta que, ao se reunirem para rezar pelo espetáculo, o Senhor revelou ao grupo uma imagem marcante: “tivemos uma visualização, era como se fosse um barco em alto mar, um mar muito violento. Tinham várias pessoas dentro desse barco e, ao fundo, víamos uma ilha onde existia um farol de onde saía uma grande luz”, partilha Lara.
A partir dessa oração, a equipe sentou para ligar os pontos e traduzir essa experiência na caracterização visual. Lara explica que a maquiagem e o visagismo foram desenhados em tons de azul, com os cabelos dos bailarinos finalizados em um aspecto molhado e desordenado, remetendo diretamente ao mar agitado da visão.
Na confecção do figurino, a narrativa ganha corpo com as mãos da figurinista Myldre Bandeira. Consagrada da Comunidade, Myldre enfatiza a responsabilidade de alinhar a vestimenta ao tema central. Ela explica que os corpo de baile foram vestidos com roupas em estilo náutico, parecendo marinheiros que atravessam a escuridão em busca da esperança. Já a grande luz do farol é representada por uma bailarina com um figurino reluzente.
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“O belo é o próprio Deus e a arte é um meio para representar essa beleza. A gente pensa desde o figurino, a coreografia, a luz e o cenário para que tudo fique harmônico e, nessa harmonia, represente a Deus, que é o próprio Belo”, afirma Myldre.
Para transformar a oração em passos no palco, o convite de liderança da coreografia foi confiado a Wadrian Almeida. A história de Wadrian, com a Comunidade começou em 2019 de uma forma inesperada. Ele não conhecia a vocação Shalom e frequentava o Festival Halleluya apenas como espectador. Incentivado pelo seu professor de dança, fez a audição para o Jingle sem saber o impacto que aquele “sim” teria em sua vida.
“A dança foi basicamente uma desculpa de Deus para me chamar para perto”, revela o coreógrafo.
A partir do Jingle, Wadrian ingressou na Obra e amadureceu sua fé e técnica. Hoje, vocacionado Shalom, recebeu a graça e a missão de conduzir a harmonia de movimentos do espetáculo.
Wadrian explica que o estilo adotado foca nas Danças Urbanas, mesclando Hip Hop e Dancehall. A rotina de ensaios começou em abril, contudo, o grande diferencial do planejamento foi a vivência de um Seminário de Vida no Espírito Santo dentro do próprio cronograma de preparação. Como Wadrian bem lembra, o Jingle é uma rede de pesca: além da técnica, há momentos de oração para que os bailarinos, muitos que nunca tiveram contato anterior com Deus, possam fazer uma experiência com Ele.
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Janelas para o Céu
Por trás das luzes do palco, o espetáculo é feito de histórias reais e oferta de vida.
Menbro da Obra Shalom, Arthur Pauxis vive o seu terceiro ano dançando no Jingle. Para ele, a arte é um instrumento que alcança onde as palavras não conseguem chegar. “Se tudo que eu tenho foi Deus quem me deu, o mínimo que posso fazer é devolver com imensa gratidão. A nossa arte no palco precisa ser uma janela para que os homens olhem e vejam a Deus. Existem corações que só são transformados pela arte”, afirma. Arthur compartilha ainda que se identifica profundamente com o tema deste ano: “Não tem como pensar na minha história, de onde fui resgatado, sem me identificar com esse povo que andava nas trevas e um dia foi alcançado pela grande luz do amor de Deus”.
A bailarina Bianca Ponce viveu sua primeira experiência com Deus há dois anos, ao entrar no evento “Halleluya Quero Mais”. Na época, ela já dançava há nove anos por academias e escolas, mas não participava de nenhum movimento da Igreja. Ao descobrir que a Comunidade tinha diversas expressoes artisticas, Bianca fez a audição para o jingle e hoje participa do seu segundo Halleluya. Depois de ter um profunda experiencia de Deus, Bianca trilhou um caminho de discernimento vocacional e hoje é postulante da Comunidade.
“Eu encontro o sentido da minha vida no palco. Quando vejo aquelas pessoas, entendo que minha vida foi feita para evangelizá-las. Estou ali transbordando o dom e o amor que recebi de Deus. Sinto uma gratidão enorme por ter sido escolhida”, compartilha emocionada.
Júlia Dantas,Postulante da Comunidade, dança no Jingle desde 2023. Embora já fosse da Obra Shalom antes do projeto, ela garante que aprofundou sua experiência com Deus por meio da arte. Júlia ressalta a importância da apresentação para o público: “Ouvir e assistir ao Jingle faz a gente presenciar que está, de fato, no Halleluya. Ele coloca todo mundo no clima do festival, lembrando que não é apenas um show, mas um caminho de encontro com Deus através da história que a dança conta”*.
Entre os rostos que sobem pela primeira vez no palco do Halleluya está Maria Eduarda Evangelista. Com bagagem vinda do balé clássico, ela decidiu fazer a audição para o Jingle sem maiores expectativas. Contudo, a aprovação veio como um sinal da escolha de Deus.
“O processo dos ensaios foi muito bom. Apesar de cansativo, o companheirismo deixou tudo leve, e o Seminário de Vida agregou demais na nossa formação. Para mim, essa oportunidade foi muito além da dança: foi algo que me fez conhecer o amor e a misericórdia de Deus na minha vida. Estou muito feliz, realizada e grata”, conclui a estreante.
Acompanhe e viva essa experiência!
Assista ao Festival Halleluya pelo canal oficial no YouTube da Comunidade Católica Shalom.




