Neste domingo, 28 de setembro, Jesus nos apresenta a parábola (Lc 16,19-31) do rico esbanjador e insensível e o pobre Lázaro. Uma história que contrasta opulência e miséria, insensibilidade e esperança, banquetes e fome. Após a morte, a grande inversão de destinos nos recorda que a eternidade depende das escolhas que fazemos hoje, aqui e agora.
A seguir, vamos propor sete pontos os quais comentamos no podcast sobre o Evangelho dominical no canal do YouTube “@FelizesOsQueOuvem”, e que podem ajudar a iluminar o nosso caminho de oração com a Palavra de Deus.
- O rico insensível
Jesus apresenta primeiro “um homem rico que vestia roupas finas e fazia festas esplêndidas todos os dias” (v. 19). Sua vida era marcada por vestes finas e banquetes diários e pela indiferença ao miserável ao seu redor. Quantas vezes também nós vivemos voltados apenas para nossos interesses, esquecendo quem sofre ao nosso lado?
- O pobre Lázaro
O Senhor diz em seguida que à porta do rico estava um pobre chamado Lázaro, coberto de feridas, desejando comer ao menos as migalhas que caíssem. O pobre tinha nome diante de Deus, enquanto o rico permaneceu anônimo. O Senhor conhece e chama pelo nome cada pobre que o mundo despreza.
- A fome e a sede
Lázaro queria matar a fome com as sobras da mesa do rico, mas nem isso deixavam. Depois da morte, é o rico que vai clamar por uma gota de água. A verdadeira saciedade não está nas riquezas, mas na comunhão com Deus.
- Os anjos e o consolo
Quando os dois morrem, Lázaro é levado pelos anjos ao seio de Abraão e o rico é apenas enterrado. A diferença é clara: para quem viveu na e pela fé, a morte é encontro; para quem viveu no egoísmo, é tormento. Que os anjos nos ajudem e nos conduzam para o Céu.
- A inversão de sortes
A parábola mostra então a mudança radical da sorte de ambos, fruto de seus comportamentos em vida: o pobre encontra o consolo, o rico a aflição. A vida não termina neste tempo. Haverá uma justiça eterna, e as nossas escolhas cotidianas já apontam para o futuro definitivo.
- Escutar Moisés e os profetas
O rico pede a Abraão que Lázaro volte para avisar seus irmãos sobre o risco que correm, mas o patriarca lembra: “Eles têm Moisés e os profetas: que os escutem.” (v. 29). Hoje, essa escuta se dá na Palavra de Deus e no ensinamento da Igreja. Não são necessários sinais extraordinários para crer, mas de um coração aberto para ouvir a voz do Senhor.
- A fé e da conversão
O rico ainda tenta um último argumento: “Se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter.” (v. 30b). Porém, o Evangelho de João mostra que mesmo diante da ressurreição de Lázaro, irmão de Marta e Maria e tantos outros sinais, muitos não acreditaram (cf. Jo 12,37). A fé não se apoia apenas em sinais, mas na adesão livre à Palavra. Converter-se é ouvir hoje, enquanto há tempo, o chamado de Deus.
Conclusão
O rico não foi condenado por sua riqueza, mas por sua insensibilidade para com a dor do próximo. Lázaro não foi salvo apenas pela pobreza, mas porque sua esperança estava em Deus. A parábola nos convida a abrir os olhos para os “Lázaros” de hoje e a viver a fé com obras de misericórdia.
Passos da Lectio Divina
- Leitura (lectio): Tome sua Bíblia e leia Lucas 16,19-31 com atenção.
- Meditação (meditatio): Reflita: tenho sido sensível ou insensível ao sofrimento dos outros? Creio na Palavra de Deus e escuto a voz da Igreja? Em que áreas preciso de conversão?
- Oração (oratio): Suplique ao Senhor um coração de carne, capaz de ter compaixão. Agradeça por todas as vezes em que Ele se fez presente nos pobres à sua porta.
- Contemplação (contemplatio): Permaneça em silêncio, deixando que a cena de Lázaro no seio de Abraão encha o seu coração de esperança.
- Ação (actio): Tome uma decisão concreta: um gesto de misericórdia com alguém necessitado nesta semana.
Até a semana que vem!
Shalom!
Por José Ricardo Bezerra
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