Shalom

O silêncio e a vida espiritual no Carisma Shalom

A serenidade, a calma e tranquilidade, brotam de uma vida interior profunda, permeada pelo silêncio.

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Quem conhece a Comunidade Católica Shalom sabe como o silencio é um componente valorizado em nossos exercícios espirituais. Somos uma Comunidade carismática de louvor, viemos deste novo derramamento do Espirito Santo na Igreja. Temos na comunidade e na Obra momentos fortes de oração comunitária, com músicas, palmas e danças, mas nada disso seria possível sem uma vida contemplativa profunda.

Sem desvalorizar esses momentos comunitários que mencionamos, aos poucos, fomos entendendo que uma vida carismática não é sinônimo de barulho e tampouco de superficialidade. Isso significa dizer que ela deve ser profunda, comprometida com o Espírito Santo, aberta aos dons e silenciosa, para que a escuta aos desígnios divinos seja real, sem sentimentalismos exacerbados.

Além dos momentos fortes de oração comunitária, com palmas e danças, quando todos também estão abertos aos dons e carismas do Espírito Santo, o Senhor nos inspira também momentos de profundo silencio espiritual e de grande intimidade com Cristo Jesus.

Mas afinal, o que é o silêncio?

Se formos pesquisar em alguns dicionários, dentre muitas, encontraremos as seguintes definições: “Silêncio. 1. Substantivo masculino referente a ausência de qualquer ruído. 2. Condição de quem se cala, ou prefere não falar. 3. Excesso de calma, de tranquilidade, sossego, repouso, apatia, indiferença, ausência do que dizer — falta de assunto.

No entanto, quando analisamos a vida e a experiência interior de grandes místicos da Igreja Católica, vemos que nenhuma dessas definições dão conta de expressar integralmente a experiência que eles tinham com o silêncio. Na verdade, todos eles tinham muito o que dizer, mas diante daquele que É, somente as palavras não eram mais suficientes. E ali, diante do Amado, o silêncio não era somente um excesso de calma, mas uma “overdose” de amor. Quando lemos os relatos de oração de Santa Teresa de Ávila, de João Da Cruz de Santa Teresinha, de São Francisco e de tantos outros, vemos em seus escritos que, na verdade, todos eles tinham muito o que dizer — tamanho era o turbilhão de vozes interiores —, mas o silêncio que com frequência eles experimentavam era capaz de alimentar uma vida interior mais profunda, onde a vontade divina sempre prevalecia.

O que era o silêncio, então, para essas grandes almas esposas? O silencio era o resultado, da certeza de que elas eram amadas por Aquele que É, o Verbo que pulsava em seus corações e que as conduzia para a verdadeira vida. Elas tinham a convicção de que o Criador já sabia de tudo, já conhecia tudo e já sentia tudo — e de que nada passa desapercebido pelo seu divino olhar. Por esse motivo que o silencio na vida interior é a postura de quem se expõe de modo confiante diante desse perfeito amor.

O silêncio na oração, pode vir acompanhado por oportunas leituras, por criativas meditações, pelo choro, ou apenas pela presença. Sempre me encanta, quando vejo um pai ou uma mãe, com o seu bebezinho no colo — ali o pequeno não diz nada, e não entende verbalmente o que os pais por ventura venham a dizer —, ele apenas permanece no colo dos seus e os olha no rosto. A serenidade, a calma, a tranquilidade e a contemplação brotam da certeza afetiva e existencial de que somos amados. O desespero é o resultado da ausência desse olhar.    

Diante dessa reflexão, quais são os barulhos que ainda gritam dentro de você? O que esses ruídos estão escondendo? Feche os seus olhos um instante e permita que o Amado de sua alma lhe contemple com ternura. Permita que os desesperos interiores de sua alma sejam acalentados, pacificados, silenciados pelo perfeito e comprometido amor divino. Através do silêncio, permita que o olhar dele ilumine a sua alma, retire os seus medos, ordene os seus afetos e ponha fim às suas lagrimas. Durma e descanse no colo do seu Criador, acalentado e protegido por seu amor divino constante e pacificador. O silêncio é um grande brado de confiança!

Que Deus vos abençoe e vos dê a paz!

Rodrigo Santos


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