Institucional

O Tau dos shalomitas

Depois das partilhas dos meus irmãos “Somos um povo fulano de Tau” e “Eu, o Tau e o mendigo”, fortes, bem fortes e que questionam bastante a minha vida da Aliança, nestas semanas que encerram o mistério da Páscoa, colocamos de novo nossos olhos no Ressuscitado que passou pela Cruz e nos lembramos do sentido da nossa fé e da missão de testemunharmos alegremente que “Cristo é a nossa paz”, e que vale a pena esperar e amar. Nestes dias, ingressamos no discipulado, e, ao som de um canto antigo e sempre novo da Igreja – o Veni Cretor, nos consagramos, renovamos as nossas promessas e definitivamente as professamos, venho partilhar sobre a eleição, sinalizada em portarmos no peito o sinal visível de uma graça invisível, desta magnífica Vocação, ser Shalom.

Entre o dia em que o Tau recebi e hoje, vésperas da minha 4ª renovação, passaram-se 7 anos e unindo uma ponta a outra deste Fio de Ouro, sem esquecer que tantas vezes o Espírito Santo nos torna capazes de descobrir que não somos nós que o carregamos, porém, é ele quem nos carrega e, se necessário, arrasta com feridas e pecados, pois, de vez em quando, caímos e damos atenção ao canto de alguma Íria por aí. O Pai, por meio das mãos do nosso fundador, colocou uma madeira em formato de cruz, pendurada por um cordão cinza, sobre mim, e na celebração daquele, hoje mais longe, 23 de abril de 2010, falou, através do bispo Dom Fernando José Guimarães, na capela do mosteiro beneditino de Garanhuns, que fôssemos discípulos como João, que tendo ouvido de Jesus que não tinha onde inclinar a cabeça, teve onde inclinar a sua – o peito do seu Mestre Amigo, nosso Rabuni, e que só por isso teve a coragem de segui-Lo até a Cruz; discípulos como Maria, despojada da sua condição de Mãe dEle para ser mãe nossa e ser a Virgem que, como seu Filho, não foi manchada pelo sangue do pecado dos homens, só porque deles se aproximou e amou. Coberto estava de sujeira, poeira, cusparadas, traição, negações, açoites, perseguição, infâmias, falatórios, calúnicas, pedradas, pregos, espinhos… contudo, Ressuscitado, glorioso, majestoso, vencedor e imaculado vivo está; e, se traz as marcas do flagelo na Cruz, é para nos dizer que foi nesta madeira onde mais amou e amou até o fim.

No dia seguinte, uma criança me parou e pediu “me dê uma cruz dessa” apontando para o meu Tau. Eu, egoisticamente, respondi “peça a Deus”. Esqueci que toda vocação é desde sempre e que não tenho o direito de prometer sem cumprir, daí o remendo saiu pior “quando você crescer, você ganha uma dessa”. Outro dia, sendo sorteado para o júri popular de um criminoso, fui rejeitado pelo advogado de defesa, disseram-me que foi por causa da minha Cruz. Deveras, como sinal de que, como Aliança, sou sal da terra e luz do mundo, o Tau não combinaria em certos ambientes (não?!), mas foi para lá que o Senhor me enviou e, se for necessário, ser enxotado por amor e para testemunhar, que assim o seja. O Tau não é um acessório, demonstra o que preciso levar a todo lugar – a Paz, que é Jesus.

Fui removido de setor no trabalho faz pouco tempo e, quando cheguei, foi-me perguntado “o que isso [sobre o teu peito]?”. Quis justificar, explicar histórica e eclesiasticamente, mas a resposta que precisa ser vista encarnada em meu viver, é uma só: É a marca de que sou feliz! Somos um povo alegre e feliz, mas como? Com o sinal de um instrumento de tortura e morte? – É porque por este “instrumento” passou a nossa Felicidade, Cristo, e o que e a quem Ele toca, olha, e abraça é transformado. Quer que tua morte seja transformada em vida, permita que Ele te toque. “Loucura para os homens, para nós será Vida eterna…”

Nesta terra, depois que passei a possuir um Tau, venho aprendendo a não deixar de ouvir o grito dos deprimidos, dos feridos, dos pobres, dos jovens… das famílias dilaceradas e distantes da Igreja e do Pai das Misericórdias, os quais, feito aquela criança, dizem “me dê uma cruz dessa, me dê um Tau, me dê Jesus, pois o que meu coração mais anseia, sem saber ainda que o tornará plenamente feliz, é Aquele que possui vocês, shalomitas, Deus”; e no nosso leito de morte, ao deixarmos este mundo com o Tau sobre o peito, nossa vida terá sido um “toma, é teu, sou teu, todo teu”, sempre foi por ti, pela Igreja, pelos jovens, pelos homens… E gratos no céu, onde só amaremos em louvor e adoração perpétuos, diremos “Obrigado, Senhor, por me teres escolhido” para dividir com o teu Filho a mesma missão – passar pela Cruz e ressuscitar para ser eternamente feliz.

Everaldo Bezerra de Albuquerque

Missionário em Arapiraca-AL

27 de abril de 2017


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