Padre João veio para Roma primeiro para completar parte dos seus estudos como seminarista, em seguida durante 10 anos foi Assistente Internacional da Comunidade, contribuindo para a expansão do carisma Shalom nos cinco continentes; e finalmente, desde o ano de 2011 até fevereiro de 2024, colaborou no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, no Vaticano, onde se dedicou inteiramente aos jovens, organizando a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e outras iniciativas, como o Fórum da Juventude.
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Em entrevista ao comshalom, o sacerdote partilha sobre o tempo de “grandes riquezas”, repleto de experiências e vivências marcadas pelo protagonismo de jovens de todo o mundo, que culmina agora com o seu regresso a Fortaleza (Brasil).
ComShalom: Que balanço faz do seu tempo de missão na Itália e do seu trabalho no Dicastério?
Pe. João Chagas: Trabalhar em Roma, no Vaticano, e colaborar com a missão do Santo Padre fez-me compreender que a nossa missão é sermos pontes, ligar as pessoas, pô-las em rede, uni-las. Um Dicastério da Cúria Romana deve ser um lugar onde as pessoas possam se encontrar e caminhar juntas. Especialmente trabalhando com as JMJ, vemos os milagres de Deus. É impossível organizar um evento tão grande sem perceber a mão de Deus a guiar tudo. Sem a graça, seria impossível.
ComShalom: Já teve a oportunidade de se despedir do Papa?
Pe. João Chagas: Tive a oportunidade de me encontrar com o Papa no mês de janeiro. Partilhei com ele algumas experiências desses anos de missão em Roma. Disse-lhe que, desde que cheguei à Itália, a minha intenção foi sempre viver por amor: os meus estudos como seminarista, a minha vida vocacional, missionária e sacerdotal, o meu serviço no Vaticano. Pude também transmitir ao Santo Padre as intenções de oração dos meus familiares e das pessoas que me são próximas e, por fim, ele abençoou-me. Foi um encontro muito significativo.
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ComShalom: Fale-nos de uma experiência que tenha marcado a sua vida sacerdotal e missionária?
Pe. João Chagas: Uma imagem que me impressionou muito foi algo que me aconteceu no Fórum da Juventude de 2019, também organizado pelo Dicastério. Uma vez terminado, os participantes foram buscar as suas mochilas e malas no Centro San Lorenzo, perto do Vaticano. Quando saí do centro, um grupo de jovens rodeou-me e, cada um na sua língua, todos disseram: “Obrigado!”. Essa gratidão tocou-me, assim como contemplar a participação nas JMJ e ver aquelas multidões agitando bandeiras de tantos países, uma verdadeira multidão de todas as raças e nações, uma imagem viva da catolicidade da nossa Igreja.
ComShalom: Teve a oportunidade de conhecer muitos jovens de diferentes culturas, o que é que todos têm em comum?
Pe. João Chagas: Parece óbvio, mas é a procura do verdadeiro, do bom e do belo. Essa inquietação no bom sentido. Os jovens têm uma marca de Deus, são inquietos e geram um movimento à sua volta. Essa inquietação, esse desejo de transformar a realidade, de ser importante para alguém, de fazer muitas perguntas.
ComShalom: Na sua opinião, quais são as cruzes da juventude atual?
Pe. João Chagas: Os desafios são muitos, mas eu destacaria o clima de polarização na sociedade, tantas ideologias que resultam em guerra, tudo se torna motivo de divisão e separação. Também a crise das famílias traz consigo uma crise na juventude, do sentimento de pertença, de se sentir amado, com um papel no mundo. Mesmo com os desafios, acredito que o lado bom supera sempre o lado mau. Os jovens não são um problema, são uma esperança para a Igreja e para o mundo.
ComShalom: A próxima JMJ acontecerá em 2027, em Seul, na Coreia do Sul. Fale-nos do país e da sua cultura.
Pe. João Chagas: Seul é uma cidade enorme. Há muitos jovens que sofrem de solidão, a taxa de suicídios é muito elevada, as exigências que se colocam aos jovens nos estudos e na vida profissional são enormes, e há também a ferida da divisão entre o Norte e o Sul. Ao mesmo tempo, a Coreia é objeto de uma grande atenção no mundo atual, com uma difusão crescente da sua cultura através de filmes, séries, tecnologias, computadores, etc.
A Igreja na Coreia nasceu há alguns séculos através de leigos que conheceram a fé cristã e decidiram vivê-la mesmo sem muito conhecimento. É uma Igreja marcada pela perseguição e pelo martírio. Atualmente, é uma sociedade inter-religiosa na qual o cristianismo tem uma forte presença.
ComShalom: Nesse contexto, o que é que o carisma Shalom pode trazer à Igreja de hoje?
Pe. João Chagas: O nosso carisma nasceu da experiência de um jovem que encontrou o amor de Deus e soube, desde muito cedo, canalizar o seu potencial para Deus, para a Igreja, querendo fazer o bem ao próximo, à humanidade.
Para nós, os jovens são o nosso primeiro apostolado. Através do meu serviço no Vaticano, tive a oportunidade de oferecer à Igreja o melhor que temos, que é o nosso amor pela juventude. O carisma Shalom existe para os jovens.
ComShalom: Voltando ao Brasil, a Comunidade está se preparando para a Assembleia Geral que se realizará em Fortaleza no próximo mês de agosto. Quais são, na sua opinião, os principais pontos a serem tratados?
Pe. João Chagas: “Vinho novo, odres novos”. Acredito que a Assembleia será um momento de nova efusão do Espírito Santo para toda a Comunidade, uma experiência de comunhão, de fraternidade, de unidade, para um novo envio missionário, fortalecido e consistente. A Comunidade está num processo de mudança, crescemos muito nestes últimos anos e isso exige novas estruturas de governo que devem acompanhar este movimento com um novo espírito.
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Fotos: Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida




