Igreja

Papa Francisco: Unidos a Cristo, nunca estamos sozinhos

“É uma união que se alimenta com a oração e também com a comunhão espiritual à Eucaristia, uma prática muito recomendada quando não é possível receber o sacramento. Isso eu digo para todos, especialmente para as pessoas que vivem sozinhas.”

Depois de rezar o Angelus, o Papa Francisco disse as seguintes palavras:

Nestes dias a Praça São Pedro está fechada, por isso minha saudação se dirige a vocês que estão conectados pelos meios de comunicação.

Nesta situação de pandemia, na qual nos encontramos vivendo mais ou menos isolados, somos convidados a redescobrir e aprofundar o valor da comunhão que une todos os membros da Igreja. Unidos a Cristo, nunca estamos sozinhos, mas formamos um único Corpo, do qual Ele é a Cabeça. É uma união que se alimenta com a oração e também com a comunhão espiritual à Eucaristia, uma prática muito recomendada quando não é possível receber o sacramento. Isso eu digo para todos, especialmente para as pessoas que vivem sozinhas.

Renovo minha proximidade com todos os doentes e com quem cuida deles. Assim como aos tantos agentes e voluntários que ajudam pessoas que não podem sair de casa e àqueles que atendem às necessidades dos mais pobres e dos sem-teto.

Muito obrigado por todo o esforço que cada um de vocês faz para ajudar neste momento tão difícil. Que o Senhor vos abençoe, que Nossa Senhora vos proteja! E por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom domingo e bom almoço! Obrigado.

Confira a alocução do Santo Padre antes de rezar o Angelus neste III Domingo da Quaresma, da Biblioteca do Palácio Apostólico:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste momento está terminando em Milão a Missa que o senhor arcebispo celebra no Policlínica para doentes, os médicos, os enfermeiros, os voluntários.  O senhor arcebispo está próximo de seu povo e também próximo a Deus na oração. Me vem em mente a fotografia da semana passada, na cúpula da catedral, rezando a Nossa Senhora. Gostaria também de agradecer a todos os sacerdotes, à criatividade dos sacerdotes. Chegam tantas notícias da Lombardia sobre essa criatividade, é verdade, a Lombardia foi muito atingida. Sacerdotes que pensam mil maneiras de estar próximos do povo, para que o povo não se sinta abandonado, sacerdotes com o zelo apostólico que entenderam bem que em tempos de pandemia não se deve fazer “o padre Abbondio”. Muito obrigado a vocês, sacerdotes.

A passagem do Evangelho deste domingo, o terceiro da Quaresma, apresenta o encontro de Jesus com uma mulher samaritana. Ele está a caminho com seus discípulos e fazem uma parada junto a um poço, em Samaria. Os samaritanos eram considerados heréticos pelos judeus, e muito desprezados, como cidadãos de segunda classe.. Jesus está cansado, tem sede. Chega uma mulher para tirar água e ele pede: “Dá-me de beber”. Assim, rompendo toda barreira, começa um diálogo em que revela a essa mulher o mistério da água viva, isto é, do Espírito Santo, dom de Deus. De fato, diante da reação de surpresa da mulher, Jesus responde: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”.

No centro deste diálogo está a água. Por um lado, a água como elemento essencial para viver, que sacia a sede do corpo e sustenta a vida. Por outro, a água como símbolo da graça divina, que dá a vida eterna. Na tradição bíblica, Deus é a fonte da água viva – assim se fala nos salmos, nos profetas: afastar-se de Deus, fonte de água viva, e de sua lei, comporta a pior seca. É a experiência do povo de Israel no deserto. No longo caminho para a liberdade, sedento, protesta contra Moisés e contra Deus porque não há água. Então, por desejo de Deus, Moisés faz brotar água de uma rocha, como sinal da Providência de Deus que acompanha seu povo e lhe dá a vida.

E o apóstolo Paulo interpreta essa rocha como um símbolo de Cristo, dirá assim: “E a rocha é Cristo”. É a figura misteriosa figura de sua presença no meio do povo de Deus que caminha. Cristo, de fato, é o Templo do qual, segundo a visão dos profetas, jorra o Espírito Santo, isto é, a água viva que purifica e dá vida. Quem têm sede de salvação pode obtê-la gratuitamente de Jesus, e o Espírito Santo se tornará nele ou nela uma fonte de vida plena e eterna.

A promessa da água viva que Jesus fez à mulher samaritana tornou-se realidade em sua Páscoa: “do lado transpassado, saiu sangue e água”. Cristo, o Cordeiro imolado e ressuscitado, é a fonte da qual brota o Espírito Santo, que perdoa pecados e se regenera para uma nova vida.

Este dom também é a fonte do testemunho. Como a samaritana, quem quer que encontre Jesus vivo sente a necessidade de contar aos outros, para que todos confessem que Jesus “é verdadeiramente o Salvador do mundo”, como disseram depois os conterrâneos dessa mulher.

Também nós, nascidos para uma vida nova mediante o Batismo, somos chamados a testemunhar a vida e a esperança que há em nós. Se nossa busca e nossa sede encontram plena satisfação em Cristo, mostraremos que a salvação não está nas “coisas” deste mundo, que no final produzem seca, mas naquele que nos amou e sempre nos ama: Jesus, nosso Salvador, na água viva que Elenos oferece.

Que Maria Santíssima nos ajude a cultivar o desejo de Cristo, a fonte de água viva, o único que pode saciar a sede de vida e de amor que carregamos no coração.


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