Em vista do Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV divulgou sua mensagem oficial com um convite profundo à construção de uma paz verdadeira e transformadora, que ultrapasse o simples fim dos conflitos e alcance os corações de cada pessoa.
| Leia aqui a Mensagem do Papa na íntegra
Intitulada “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante”, a mensagem do Pontífice parte das palavras de Jesus Ressuscitado (“A paz esteja contigo!”) e as apresenta como fundamento para uma cultura de paz que não se baseie em armas ou na lógica do medo, mas na confiança, na misericórdia e no amor que vem de Deus.
Paz como dom e caminho
Para Leão XIV, a paz cristã não é utopia distante nem conceito abstrato, mas uma realidade que “deseja habitar em nós”, iluminando a inteligência humana e resistindo à violência e às trevas que atravessam o mundo contemporâneo. Citando Santo Agostinho, o Papa disse:
“Se quereis atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de vós a luz acesa”.
Ele lembra que essa paz tem seu início no mistério pascal de Cristo, que venceu a morte e derrubou as barreiras que nos separam, e continua como chama viva mesmo em meio aos conflitos atuais.
O Papa sublinha que a verdadeira paz não se limita ao cessar das hostilidades, mas passa pelo desarmamento interior dos corações, pela superação da lógica de poder e pela rejeição de narrativas que veem a guerra como inevitável ou até “realista”. Ele adverte que, quando a paz não é cultivada, defensores da violência podem dominar não apenas as relações entre nações, mas também as relações interpessoais e sociais.
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Chamado ao desarmamento espiritual e social
Leão XIV reforça que a paz que Cristo nos oferece é humilde, perseverante e desarmada, ecoando a própria vida do Salvador e sua recusa ao uso da violência mesmo diante da injustiça e da traição.
“A bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança. O mistério da Encarnação, que tem o seu ponto mais extremo de esvaziamento na descida aos infernos, começa no ventre de uma jovem mãe e manifesta-se na manjedoura de Belém. «Paz na terra», cantam os anjos, anunciando a presença de um Deus indefeso, pelo qual a humanidade só pode descobrir-se amada cuidando d’Ele (cf. Lc 2, 13-14)”.
Ele propõe uma paz que começa na conversão interior e se manifesta em gestos concretos de fraternidade, diálogo e perdão, tornando-se luz em um mundo marcado pela guerra, pela desigualdade e pelo medo.
O Papa lembra ainda que a missão de construir a paz é um serviço que todas as religiões e tradições espirituais podem oferecer à humanidade, reforçando que cada comunidade deve se tornar uma “casa de paz”.
“Que isso seja um fruto do Jubileu da Esperança, que levou milhões de seres humanos a redescobrirem-se peregrinos e a iniciarem em si mesmos aquele desarmamento do coração, da mente e da vida”, finalizou.