Igreja

Papa Leão XIV fala sobre a urgência de uma “espiritualidade pascal” para cuidar da criação

Pontífice afirma que viver a ressurreição exige cuidar da Casa Comum e tornar-se “guardião do jardim” à luz do Evangelho.

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Foto: Vatican Media

Em sua catequese desta quarta‐feira, 19 de novembro, o Papa Leão XIV propôs uma reflexão profunda sobre a relação entre a ressurreição de Cristo e os desafios que a humanidade enfrenta — sobretudo no que toca ao cuidado com a criação e à ecologia integral.

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A meditação partiu da cena do evangelista São João Evangelista em que Maria Madalena, no primeiro Dia da Semana, encontra o túmulo vazio e não reconhece imediatamente Jesus ressuscitado — pensando tratar-se do “guardião do jardim”.

O Papa lembra que aquele jardim, junto ao lugar da crucificação e sepultamento de Cristo, remete ao primeiro jardim da humanidade (Gênesis 2,15) e à missão confiada ao ser humano de “cultivar e guardar”.

A imagem ganha força: Cristo, ao entregar o espírito e proclamar “Está consumado” (Jo 19,30), conclui a sua obra e confia a todos nós a continuidade da mesma tarefa de cuidado.

Espiritualidade pascal e ecologia integral

O Papa propõe que a obra da ressurreição não seja apenas um fato histórico-teológico, mas se transforme em espiritualidade, em “conversão” que incide também sobre a maneira como nos relacionamos com a terra. Ele afirma que a “esperança cristã” resultante da ressurreição é capaz de responder aos desafios ambientais e sociais do nosso tempo.

Dessa forma, a catequese faz uma conexão explícita entre fé e ecologia: sem uma mudança interior (espiritual) e exterior (ação concreta) o cuidado com a criação permanece incompleto. O Papa cita a Laudato Si’, que já afirmava que “a cultura ecológica não se pode reduzir a uma série de respostas urgentes e parciais (…) deve ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência”.

Desafios e esperança

Para o Pontífice, o mundo atravessa “um vale de lágrimas” e é necessário que os cristãos se tornem “guardião do jardim” e não destruidores. Ele convida à conversão ecológica, que começa no coração, mas se torna compromisso público, solidariedade, proteção aos pobres e à terra.

Ao mesmo tempo, há uma nota de esperança: o Paraíso não está perdido, mas reencontrado em Cristo ressuscitado. A ressurreição abre ao “novo céu e nova terra” (Ap 21,5) e lança o cristão a uma nova forma de viver e cuidar a criação.


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