Igreja

Papa Leão XIV recorda a importância dos fiéis na reforma litúrgica no Concílio Vaticano II

O pontífice realizou sua última catequese dedicada à Constituição Sacrosanctum Concilium

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Foto: Vatican Media

Na manhã desta quarta-feira (26), em sua Audiência Geral, na Basílica de São Pedro, o Papa Leão XIV realizou mais uma catequese dedicada à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II. Ele reforça que a reforma litúrgica da Igreja não surgiu de maneira repentina e nem representou uma ruptura com o passado, além de ressaltar a importância dos fiéis neste processo.

Nas palavras do Santo Padre, o caminho dessa mudança amadureceu no seio da Igreja e foi preparado pelo Movimento Litúrgico e pelo Magistério ao longo do século XX. Evidenciando isso, Leão XIV trouxe uma carta datada de 1962, do então arcebispo de Milão, cardeal Giovanni Battista Montini, futuro São Paulo VI, que definia a liturgia como expressão do divino e do humano e como voz do diálogo com Deus.

Os fiéis e a participação ativa na liturgia

Na carta de Montini, era citado que os fiéis “não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos” e que a presença material não pode coexistir com a ausência espiritual. O Papa destaca que as palavras da carta estão em concordância com a Sacrosanctum Concilium, que pede aos cristãos para não serem estranhos ou espectadores mudos no ministério da fé, mas participem da ação sagrada de forma consciente, ativo e piedoso.

“Uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva.”

A liturgia viva e contínua 

A liturgia, recordou Leão XIV, é uma realidade viva e esteve sempre sujeita a evoluções e mudanças. Com respeito pelo patrimônio da tradição, o Concílio distinguiu os elementos divinos e imutáveis daqueles que podem ser modificados com o passar do tempo, para que os textos e os ritos expressem com maior clareza as realidades santas e favoreçam uma celebração plena, ativa e comunitária. Essa distinção, acrescentou, já havia sido apresentada por Pio XII na encíclica Mediator Dei, de 1947.

Ao colocar no centro o que constitui o cerne da experiência eclesial, a reforma buscou tornar a riqueza dos textos bíblicos e das orações mais acessível a todos os fiéis e simplificar a estrutura das celebrações em relação à prevista nos livros litúrgicos então em vigor. Foi esse mesmo movimento, explicou o Papa, que fez a liturgia resplandecer como a fonte primeira de onde brota a vida divina compartilhada com os fiéis.

A reforma como fruto de um percurso

O desejo de uma “reforma geral” não surgiu de repente, observou Leão XIV, mas já se manifestava na ação dos Papas desde o início do século XX, em sintonia com o Movimento Litúrgico. A Divini Cultus, de Pio XI, já pedia que os fiéis não assistissem às celebrações como estranhos ou espectadores mudos. Pio XII reorganizou os ritos da Semana Santa, devolvendo-os aos horários correspondentes aos acontecimentos pascais, depois de séculos antecipados para a manhã. São João XXIII, por sua vez, simplificou as rubricas do Breviário e do Missal pelo motu proprio Rubricarum instructum (1960), remetendo ao Concílio a definição dos princípios de uma reforma litúrgica.

Esse percurso histórico, explicou o Pontífice, ajuda a compreender a reforma litúrgica em continuidade com a vida da Igreja: ela se insere na tradição viva da Igreja, e não como uma ruptura. Leão XIV advertiu, porém, que alguns de seus princípios foram absolutizados ou interpretados de forma equivocada no período pós-conciliar; uma compreensão correta da reforma permite rejeitar esses abusos. O Papa recordou ainda que as ações litúrgicas não são privadas, mas celebrações da Igreja, povo santo reunido sob a direção dos bispos, pertencendo a todo o Corpo e manifestando-o.

Um olhar atento e cuidadoso

Ao final da catequese, o pontífice evidenciou a responsabilidade dos bispos e sacerdotes de zelar pela liturgia e vivê-la no respeito às normas, para que as celebrações manifestem a Igreja una, santa, católica e apostólica.

“É, portanto, responsabilidade primordial dos pastores, dos bispos, mas também de cada sacerdote, zelar e promover uma liturgia que, no respeito pelas normas litúrgicas, brilhe por sua nobre simplicidade e manifeste assim a Igreja una, santa, católica e apostólica.”

Com infos. Vaticano News


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