Na matéria anterior, apresentamos um pouco sobre a história desse rico tesouro doutrinário e espiritual da Igreja Católica, que é o Catecismo. Nestas próximas linhas, refletiremos sobre os seus destinatários. No prólogo do Catecismo, em seu parágrafo inicial, há algo que expressa não só quem são seus destinatários, mas também a vontade primordial de Deus para eles.
Diz assim: “Deus, infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, em um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada. Eis por que, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-lo, conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade de sua família, a Igreja.”
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Esse Deus perfeito e plenamente feliz e realizado em Si mesmo, motivado por Seu amor e bondade, criou livremente o ser humano. E por que o criou? Para fazê-lo tomar parte de sua vida bem-aventurada. A palavra “bem-aventurado”, em grego, é “Makários”, que significa: “Feliz, afortunado, realizado.” Assim, poderíamos nos perguntar: ”Se Deus é tão Feliz, tão bem-aventurado em Si mesmo, por que foi então que ele criou o homem?” O mesmo documento responde: “Para fazê-lo participar de sua vida bem-aventurada.” Resumindo, Deus nos criou para nos fazer tomar parte e desfrutarmos dessa mesma felicidade e realização que Ele tem em Si mesmo, mediante a união relacional com Ele. Motivado por esse desejo de comunhão, Deus, desde sempre e em todo lugar, está perto do homem, “chama-o e ajuda-o a procurá-lo, conhecê-lo e a amá-lo com todas as suas forças”.
Dentro dessa estratégia de busca, Deus, por meio das normas da Igreja, destina esse documento primeiramente aos responsáveis pela catequese e pastoreio dos fiéis: os bispos e seus auxiliares, presbíteros e diáconos. Mas também a todo fiel leigo, que assume, em comunhão com a Igreja, um legítimo protagonismo no anúncio da Paz e na formação de seus irmãos.
Roteiro estrutural e didático do Catecismo
Para melhor frutificar na vida de seus destinatários, essa obra é dividida em algumas partes. Em quatro, para ser mais exato. Na primeira, temos “O que a Igreja crê”. Os fundamentos da fé são expostos de modo claro, usando, inclusive, para melhor absorção do conteúdo, ideias expressas na tradicional oração do “Credo”. A segunda parte apresenta “O que a Igreja celebra”, ou seja, os fundamentos, as bases da liturgia do culto público a Deus, feito pelos fiéis reunidos.
Na terceira parte do documento vemos “Como a Igreja vive.” Ali, os filhos da Igreja são mergulhados nas bases morais que orientam todo o agir cristão. Por fim, a Obra apresenta “Como a Igreja reza”. Nessa última parte, os fiéis podem, ainda que de forma resumida, beber das profundas lições espirituais, cuja Igreja é herdeira e promotora. De fato, esses tópicos revelam a santa didática da fé, magnífica herança teológica e espiritual deixada por tantos santos sábios e apaixonados por Deus, que nos precederam no tempo e na história.