O Assistente Apostólico da Comunidade Shalom, Paulo Henrique de Albuquerque, consagrado da Comunidade de Vida e celibatário, pregou na manhã de domingo durante o Congresso de Jovens Shalom. PH, como é conhecido, abordou o tema “Rabi, onde moras? Quero ser teu amigo!”, centrando-se na vida de oração e na amizade com Deus.
Desde o início, destacou a importância da coragem em escolher a vida de oração, “toda nossa vida depende dessa decisão, e a segunda decisão mais importante é permanecer rezando”, afirmou. Na Comunidade Shalom, a oração não é tratada como rotina, mas com seriedade e atenção à sua qualidade.
A amizade com Deus
PH reforçou que a vida de oração é fundamental e questionou os jovens sobre quando iriam colocar em prática o que já sabem e destacou que a oração é um trato de amizade com Deus, como ensina Santa Teresa de Jesus, “eu o conheço e também deixo que Ele me conheça. Afinal, somos amigos”, reforça.

Citando o Evangelho de João (1, 35-39), em que os discípulos procuram Jesus e Ele os convida à intimidade, PH explicou: Não somos chamados a uma vida superficial, mas a uma vida profunda de amizade com Nosso Senhor. Se você reza pouco, saiba: Deus tem muito mais para lhe oferecer, e podemos conhecê-Lo ainda mais.
O missionário destacou que existem três tipos de pessoas no caminho da oração:
-
Quem começou e persevera, rezando apesar dos desafios;
-
Quem começou com entusiasmo, mas perdeu o hábito com o passar do tempo, sentindo saudade da oração — e Deus também sente;
-
Quem ainda não iniciou a vida de oração, mas sempre há tempo para começar e deixar-se transformar.
As sete barracas da vida interior
PH utilizou a metáfora das “barracas” para explicar a vida interior, inspirando-se na figura do “Castelo Interior”, de Santa Teresa de Jesus. Cada barraca representa uma etapa de crescimento espiritual:
-
Encontro com Jesus: Recordar o primeiro encontro com Cristo é essencial, pois marca o início de uma vida nova. “Ao me encontrar com Jesus, sou capaz de fazer loucuras por Ele. Esse encontro deve ser renovado diariamente, com pouco ou muito tempo de oração”, afirmou.
-
Igreja e Comunidade: Viver em comunhão é desafiador, mas essencial. PH incentivou a participação ativa em grupos de oração.
-
Oferta: Servir sem oração pode parecer exploração; com oração, percebe-se a ação e o cuidado de Deus. “Ofertem sua vida: oferta e oração. O segredo da nossa vida é amar e servir”, declarou.
-
Vocação: A vocação é um chamado de Deus. “Só se reconhece a voz de Deus aprendendo a escutá-La. Não tenha medo: se você não reza, está perdendo um tesouro”, alertou. PH complementou com Bento XVI: “Deus não tira nada; Ele dá tudo”.
-
Eucaristia: A Eucaristia é central para os jovens da Comunidade. “É o coração aberto de Cristo. Nossa relação com a Eucaristia é o ápice da vida espiritual. Adorando, vencemos desafios e pecados”, explicou, citando também São Carlo Acutis: “A Eucaristia é minha autoestrada para o Céu”.
-
Castidade: A castidade é a capacidade de amar plenamente a Deus. “A vida de oração ajuda a entender e cultivar a castidade, devolvendo inteireza ao coração. Como diz Moysés Azevedo: ‘A castidade é o coração da santidade!’”, destacou.
-
Santidade: A santidade é a meta da vida cristã. PH cita São Alberto Hurtado para enfatizar a necessidade de levar a vida espiritual a sério: “Deus nos quer santos, não medíocres. É preciso definir o rumo da nossa vida”.
Sejam firmes!
Ao final da pregação, PH deixou uma mensagem de esperança e desafio para os jovens: que saiam do Congresso como orantes, eucaristizados e firmes na fé e na vocação, com uma única meta: cumprir a vontade de Deus e caminhar rumo ao céu.